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Fazendo Minha História

Capacitação: "ampliando o olhar sobre as famílias das crianças e adolescentes"

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Capacitação: "ampliando o olhar sobre as famílias das crianças e adolescentes"

No segunda-feira (dia 27 de junho), aconteceu mais uma capacitação do Fazendo Minha História, que contou com 44 participantes. Dessa vez convidamos a especialista Cristina Rocha, psicanalista e supervisora de serviços de acolhimento, para trazer considerações e reflexões sobre o trabalho com famílias. Através dos livros e álbuns, colaboradores têm uma valiosa ferramenta nas mãos para se aproximar de forma acolhedora das famílias, valorizando e registrando nas páginas as versões que constroem sobre suas histórias. Mas que famílias são essas? Que desafios enfrentam? Como acolhê-las? Refletir sobre essas perguntas é fundamental para essa aproximação!

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Para começar, Cristina propôs o seguinte exercício: cada participante deveria escrever em uma folha de papel uma breve descrição sobre a família dos bebês, crianças e adolescentes acolhidos; depois disso as folhas foram recolhidas.

Na sequência todos fecharam os olhos, foram convidados a pensar nas próprias histórias familiares e a relembrar uma cena muito constrangedora que tenham vivido.  Como seria se essa cena fosse divulgada numa rede social? As respostas foram: vergonha; exposição; fraqueza; invasão; constrangimento... Segundo Cristina, quando trabalhamos com as histórias de bebês, crianças e adolescentes que estão nos serviços de acolhimento, lidamos com histórias que foram publicizadas, histórias que passaram a circular no serviço de acolhimento, na comunidade, no judiciário... São histórias que por algum motivo passaram do privado e íntimo para o público. Como será que as famílias se sentem? É possível que se sintam da mesma maneira que os colaboradores.

Qual é a versão da família sobre isso? Que espaços possui para falar a respeito? O olhar que damos às famílias determina a maneira de nos relacionarmos com ela. Por que, como colaboradores, podemos nos propor a escutar histórias difíceis de serem contadas? Segundo os participantes, fazemos isso para: conhecer; ouvir e acolher; reconhecer o indivíduo; reconhecer que tem uma história e se apropriar dela; ajudar a falar e elaborar a própria história; contextualizar; fortalecer o vínculo; aprender a escutar.

Se já fazemos isso tudo com as crianças que participam do projeto, por que não fazer também com as famílias?

Nessa etapa Cristina solicitou que os participantes continuassem a seguinte frase: Família é... As descrições foram: humana; amor; legal; união; acolhimento; base; junção; complexa; vínculo; abrigo; laço; porto seguro; afeto. Em seguida, escreveram: Família de acolhido é... Para a segunda frase as descrições foram: humana; frágil; dividida; desamparo; separação; complicada; dor; sofrida; perda; insegura; rompimento; desestruturada; confusão; afeto; uma família.

Cristina provocou: essas respostas servem para qualquer família? Por que as palavras são tão diferentes quando pensamos nas nossas famílias e nas famílias das crianças que conhecemos e acompanhamos nos abrigos? É possível que o nosso olhar se foque no momento do acolhimento para descrever e olhar as famílias das crianças e adolescentes. Essas palavras descrevem um momento dessas famílias. Mas será que dizem o que elas são de forma mais ampla e aprofundada? As conhecemos em um momento em que a crise é evidente. Mas há um contexto maior, muitas vezes de invisibilidade e precariedade social e nem sempre sabemos o que aconteceu de fato.

O colaborador pode oferecer uma escuta cuidadosa e empática, a fim de permitir que os afetos bons e ruins possam aparecer para serem registrados e elaborados. Na prática o colaborador pode ajudar a montar a árvore genealógica da criança; registrar e valorizar lembranças anteriores ao momento do acolhimento; marcar encontros no dia da visita das famílias para apresentar o álbum e fazer registros. Na impossibilidade desse tipo de encontro é possível fazer perguntas para as crianças e adolescentes buscarem respostas com suas famílias ou em suas memórias.

Muitas vezes o colaborador pode ser aquele que mexe num lago que estava muito calmo e possibilita rever os lugares de cada um dentro do abrigo, dar novas posições às famílias e às crianças. Como ser um olhar que soma? Respeitar as histórias, oferecer um olhar cuidadoso e generoso sem tomar um fato pela história inteira.

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Neste momento da capacitação, Cristina mostrou um trecho do filme “O começo da vida” que mostrava a relação de uma mãe com seu filho. Embora estivessem em um contexto social de risco, a mãe era muito amorosa e cuidadosa com seu bebê. Foi possível refletir que esta mesma situação pode ser descrita de muitas formas. Alguns podem se ater ao espaço físico precário; outros podem se sensibilizar com o a forma carinhosa da mãe se relacionar com seu bebê. Se olharmos atentamente e sem julgamento, nos daremos conta que há muitas versões possíveis para uma mesma história e que elas não se excluem necessariamente.

Para encerrar esse encontro cheio de questionamentos e reflexões, os participantes receberam de volta o que haviam escrito no início sobre as famílias dos acolhidos. E ao serem indagados se mudariam o que escreveram muitos puderam responder que... SIM! Olhares e formas de compreender as famílias puderam se ampliar ao longo da capacitação.

 

Sugestão de materiais

Texto: A “safada” que “abandonou” seu bebê. Eliane Brum (http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/12/opinion/1444657013_446672.html)

Vídeo aula sobre o Trabalho com Famílias (https://vimeo.com/158619093)

Filme: O começo da vida. (Direção: Estela Renner)

TED: O perigo de uma história única (https://www.youtube.com/watch?v=qDovHZVdyVQ)

 

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"Mar de Histórias":  ações de mediação de leitura e outras atividades

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"Mar de Histórias": ações de mediação de leitura e outras atividades

Voltamos a divulgar notícias sobre o projeto “Mar de Histórias”, em desenvolvimento com apoio do MINC e financiamento da Cosmoquímica e Exportadora de Café Guaxupé.

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Desde maio, os serviços de acolhimento participantes vêm se dedicando a pensar e colocar em prática ações regulares de mediação de leitura em sua rotina. Após o 1º seminário, a equipe do FMH visitou cada casa para ajudar a planejar e fortalecer as ações regulares com os livros. Nestas visitas, os técnicos do serviço de acolhimento puderam também esclarecer dúvidas sobre a implementação da metodologia, fortalecendo-se para realizar a gestão do trabalho no dia a dia da casa.

A partir disso, as bibliotecas de cada casa estão sendo montadas; crianças e adolescentes começam a se encantar e valorizar o universo literário; os educadores começam a adotar em sua rotina de trabalho a prática de ler e se relacionar afetivamente com as crianças através de uma boa leitura!   

Paralelamente, os voluntários formados e selecionados para participar do projeto deram início a encontros com os meninos e meninas acolhidos. Através desta relação e do contato prazeroso com os livros, crianças e adolescentes melhoram a compreensão do texto e do mundo, fortalecem seus gostos e preferências, descobrem perguntas e respostas para assuntos da vida, são estimulados a falar de si e de suas histórias, dando novos significados para o vivido no passado e no presente.   

Nos dias 28 e 29 de junho, foi realizado o 2º seminário com os profissionais dos serviços de acolhimento. Seu objetivo foi compartilhar as boas práticas iniciadas em cada abrigo e fortalecer o papel de mediador de leitura entre os participantes, através de novas atividades e reflexões. Neste seminário, retomou-se também o planejamento do “Mar de Histórias”, evento que oferecerá aos frequentadores de algum espaço público próximo ao serviço de acolhimento um contato diferente e descontraído com os livros, através de brincadeiras e mediação de leitura. Trata-se de uma forma de envolver a comunidade, difundir o poder do livro e contribuir com o desenvolvimento do prazer pela leitura. Através de trocas de ideias e de estratégias, cada serviço de acolhimento pôde se inspirar para desenvolver o evento de forma mais envolvente e interessante.

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Notícias do projeto "Mar de Histórias", em desenvolvimento com o apoio do MinC

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Notícias do projeto "Mar de Histórias", em desenvolvimento com o apoio do MinC

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Voltamos a divulgar notícias sobre o projeto “Mar de Histórias”, em desenvolvimento com apoio do MINC e financiamento da Cosmoquímica e Exportadora de Café Guaxupé.

Após a seleção dos serviços de acolhimento, nos dias 10 e 11 de maio foi realizado o 1º seminário com a participação de profissionais dos serviços de acolhimento parceiros. Esta ação ocorreu na sede da Fundação Criança, em São Bernardo do Campo, e teve como objetivos: apresentar os princípios que norteiam todas as linhas de atuação do Instituto Fazendo História através de uma contextualização histórica do funcionamento dos serviços de acolhimento no Brasil; apresentar os objetivos do trabalho com histórias de vida desenvolvido pelo FMH; e formar profissionais como mediadores de leitura.

Nesta descontraída ação formativa, os participantes se conheceram, se entrosaram e trocaram muitas ideias sobre seu papel profissional e a possibilidade de utilizar os livros como ferramenta diária de trabalho. Muito envolvidos com as atividades e reflexões propostas, tiveram oportunidade de conhecer e se relacionar com o acervo de livros entregue pelo projeto de forma divertida e descontraída, através de brincadeiras que poderão ser replicadas com as crianças e adolescentes. Além disso, todos refletiram e debateram sobre a função dos livros e da literatura. Foram abordados aspectos como: livros como mediadores de relacionamentos humanos; livro como favorecedor da construção de vínculos de afeto e confiança; literatura como organizadora do mundo interno; leitura compartilhada como forma de convidar as crianças a expressarem suas vivências e sentimentos; leitura como momento prazeroso de contato entre adultos e crianças; literatura como possibilidade de sonhar e construir projetos de vida; diferença entre mediação de leitura e contação de história; montagem de espaços convidativos de leitura; diferença entre uso afetivo e pedagógico dos livros; importância de os momentos de mediação não serem obrigatórios e sim convidativos, interessantes.

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No final deste primeiro seminário os profissionais planejaram as ações relativas a livros e leitura que passarão a acontecer em cada casa. Além disso, foram entregues livros infantis e juvenis, esteiras de leitura, materiais didáticos e organizacionais que servem para a replicação do projeto e para o desenvolvimento do trabalho no dia a dia da casa.

Nesta e nas próximas semanas serão planejadas e realizadas a formação dos voluntários e as 2as visitas em cada serviço de acolhimento para acompanhá-los e auxiliá-los na implementação das bibliotecas e no planejamento do evento literário que dá nome ao projeto: “Mar de Histórias”. Este evento é uma ação em espaço público (praça, parque ou biblioteca pública) repleta de brincadeiras literárias gostosas e mediação de leitura abertas ao público frequentador do espaço.

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Notícias do projeto "Mar de Histórias", em desenvolvimento com apoio do MinC: novos serviços de acolhimento

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Notícias do projeto "Mar de Histórias", em desenvolvimento com apoio do MinC: novos serviços de acolhimento

O programa Fazendo Minha História expandiu suas atividades! Sete novos serviços de acolhimento iniciarão o trabalho com histórias de vida. Essa implementação tem apoio do Ministério da Cultura e financiamento das empresas Cosmoquímica e Exportadora de Café Guaxupé.

Nesse mês de junho, as técnicas do programa realizaram a formação inicial para os interessados. 20 voluntários foram formados e já estão prontos para iniciar o trabalho de resgate e registro de histórias de vida e incentivo à leitura com crianças e adolescentes.

Os novos serviços de acolhimento são das cidades de São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Mauá:

Associação São Luiz – São Bernardo do Campo
Lar Escola Municipal de São Caetano do Sul
Abrigo Municipal de Mauá
Lar Sol da Esperança – Mauá
Casa Andança (Fundação Criança) – São Bernardo do Campo
Casa Raio de Sol (Fundação Criança) – São Bernardo do Campo
Casa Arco-íris (Fundação Criança) – São Bernardo do Campo

 

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