No dia 05 de novembro de 2025, o Instituto Fazendo História realizou a primeira oficina do Projeto Redes de Conhecimento, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), na Associação Comercial de São Paulo – Comarca Butantã. O encontro teve como tema “Cultura e arte como dispositivos para o enfrentamento de violências e desigualdades sociais”. e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com as participações de Francisco Cesar Rodrigues - graduado em Comunicação Social pela Universidade Brás Cubas de Mogi das Cruzes e mestre em Serviço Social pela PUC/SP, aposentado, destina parte do seu tempo à formação de equipes na área social e cultural, supervisão técnica e a trabalhos voluntários nos movimentos juvenis de cultura periférica, como articulador e mobilizador cultural; e de Vagner Souza - educador popular e analista institucional, atuante no Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes desde 2003. Nesse tempo já foi educador em SAICA, arte educador na Fundação Casa, coordenador de SAICA e, desde 2011, atua como supervisor institucional e formador.

Francisco falou sobre sua trajetória, a mudança na tipificação dos serviços de garantia de direitos para crianças e adolescentes e a transição paradigmática do olhar enviesado pelo extinto Código de Menores (Código Mello Mattos), para a perspectiva do ECA. Apontou o papel fundamental da arte e cultura no desenvolvimento das crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidades. 

Vagner contou sobre sua trajetória no CRECA e os pressupostos que construíram para notar as potências dos meninos e meninas, mudar a perspectiva do confronto físico para o confronto verbal. A palavra foi ocupando o lugar das agressões e os vínculos reais fortaleceram a relação e sentimento de pertença dos jovens do grupo. Se debruçaram nas artes que rodeavam os meninos e meninas, o funk como poesia cantada, ampliando para a literatura, manipular livros, contar histórias antes de dormir para as crianças e adolescentes. A aposta na abstração das histórias os incentivava a escrever suas próprias histórias - realidade ou ficção. Decidiram juntar essas histórias e lançar um livro, com direito a noite de autógrafo. 

“Como os saberes são considerados válidos, ou não?”. O olhar das equipes é fundamental para o reconhecimento das potências, entendendo que a arte é uma das possibilidades de saída dos serviços sociais.

Confira o vídeo com a oficina completa: