No dia 26 de novembro de 2025, o Instituto Fazendo História realizou a segunda oficina do Projeto Redes de Conhecimento, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), na Associação Comercial de São Paulo – Comarca Butantã. O encontro teve como tema “Nascer, crescer e adolescer: Perspectiva indígena”. E foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a presença de duas lideranças indígenas, Werá Alcides - liderança da Aldeia Nhanderekoa, T.I. Itanhaém SP, educador, artesão, palestrante sobre a cultura do seu povo, desempenhou o trabalho de agente ambiental no território Indígena Tenonde Porã , com foco da recuperação de área degradada; e Jerá Guarani - liderança da aldeia Kalipety, na T.I. Tenonde Porã, localizada do extremo Sul de SP, formada pela USP em 2008 em Pedagogia, hoje atua como Agente Ambiental, promovendo a recuperação de sementes tradicionais, recuperação de área degradadas, e realiza projetos de recuperação de florestas na T.I. Jerá também é escritora e tem um trabalho publicado pela Editora Companhia das Letrinhas, intitulado como "Nós" e um outro "Ju'i Poranduja" pela Editora FTD. Faz apontamentos e reflexões profundas sobre sua cultura, no trabalho político com as mulheres.

Alcides Werá inicia sua fala apontando que na perspectiva indígena o cuidado é coletivo. O cuidado com a mãe que acabou de ter filho, o cuidado do bebê que acabou de chegar, das infâncias e adolescências será sempre coletivo. Aponta que na sociedade não-indígena, a escola se torna o único espaço que promove essa vivência grupal.

Jerá Guarani traz um olhar interseccional ao tema, apontando para a diferenciação dos papéis de gênero ainda dentro da cosmovisão indígena. Refere o quanto a influência das tecnologias e acesso ao mundo “fora” da comunidade indígena tem interferido na saúde mental e desenvolvimento das crianças, adolescentes e suas famílias, como a ingestão de bebidas alcoólicas, drogas e necessidades de consumo. Complementa dizendo que os jovens das aldeias já estão submersos na cultura não-indígena, cabe a comunidade saber flexibilizar, compreendendo os desejos/ necessidades dos jovens, mas dentro dos preceitos indígenas. Cita por exemplo, a possibilidade da realização de bailes na aldeia, porém não é permitido o uso de álcool e drogas, pois isso não é da cultura indígena.

Jerá conta que não há possibilidade, dentro da cultura indígena, de encontrar uma pessoa em situação de rua, não existe “sem-teto”. Caso, haja alguém em vulnerabilidade ou com dificuldades, alguém irá acolher, a comunidade vai cuidar.

Confira o vídeo com a oficina completa: