No dia 14 de agosto de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a décima oficina do Projeto Redes de Conhecimento, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), na Biblioteca Jamil Almansur Haddad, em Guaianases, na Zona Leste de São Paulo. O encontro teve como tema “ADOLESCÊNCIA E AUTONOMIA”. Foi direcionado aos profissionais que atuam nos serviços de acolhimento, rede socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos de crianças e adolescentes da cidade de São Paulo., e conduzido pelas convidadas Natália Yukari Mano - psicóloga, mestre em Psicologia Social e especialista em Saúde Mental, Gestão pública e saúde; e Patrícia Rodrigues - advogada e pós graduada em Processo Civil, participante dos movimentos Além do Acolhimento e Pró Convivência Familiar e Comunitária.
Natália inicia trazendo o conceito de autonomia, não como algo pronto e definido, mas como um processo em construção. A partir do dicionário: Substantivo feminino, “Capacidade de autogovernar-se, de dirigir-se por suas próprias leis ou vontade própria; soberania”. Complementa de modo subjetivo e filosófico, a partir da teoria do Educador Paulo Freire - “autonomia é a capacidade do sujeito de tornar-se protagonista no processo de aprendizagem”. Natália propõe uma reflexão sobre como a rotina nos serviços de acolhimento favorece ou não a emancipação dos adolescentes. “É necessário humanizar os adolescentes, compreender que os adolescentes são dotados de desejo e vontades”. O papel da pessoa educadora é de ampliar repertório imaginativo e de mundo, para que o adolescente possa, por conta própria, percorrer esses caminhos e não viver à sombra do desejo e ideais do adulto. O processo de institucionalização deixa marcas nos adolescentes, que carregarão para a vida adulta, como: dependência institucional, dependência de outras pessoas, fragilidade de vínculos sociais, estigmatização da vida na instituição “menino/a de abrigo”.
Patrícia, em sua fala, conta ao público sobre sua vivência no serviço de acolhimento e sua trajetória até o momento. Relata que sentir-se escutada no período de acolhimento foi fundamental para se tornar a pessoa que é hoje. Outro ponto importante que se estabelece após a escuta, é o vínculo. Esse espaço de confiança se estabelece no exercício da escuta e abre portas para que novos vínculos possam surgir, e se tornar apoio para o adolescente no futuro. Patrícia fala sobre a importância de aproximar o mundo para os adolescentes dentro do serviço, ensinar caminhos para pesquisarem o que desejam, ensinar como utilizar as plataformas digitais como recurso para aproximá-los de seus sonhos. “Se o sonho é ser artista, pesquise quais os caminhos para ser artista”, pois a falta de referências, faz com que tudo pareça estar muito mais distante do que de fato está. Patrícia aponta que, na prática, muitos serviços deixam para trabalhar a autonomia de crianças e adolescentes quando não há possibilidade de retorno familiar. Ela reforça a necessidade de iniciar o trabalho de autonomia, equiparado à fase de desenvolvimento, logo após a chegada da criança ou adolescente no serviço, pois isso será importante para vida de todos eles, independente de como ou quando se dará o desacolhimento.
Confira o vídeo com a oficina completa: