No dia 20 de janeiro de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a décima oficina do Projeto Formação em Redes, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Instituto Pólis. O encontro teve como tema "A infância em risco em São Paulo: Leituras e estratégias para 2026” e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a participação de Camila Gibin Melo - educadora popular, assistente social e pós-graduanda em Arteterapia, atua por lutas territoriais e abolicionistas penais. É doutora em Serviço Social, professora da FAPSS/SCS e coordenadora do Núcleo Samaúma, onde realiza formações para equipes do SUAS e do SUS. Autora do livro "Acumulação do Capital, Infância e Adolescência: um estudo sobre ser criança no capitalismo", da editora Lutas Anticapital.

A convidada iniciou o encontro propondo uma análise de conjuntura sobre os indicadores sociais relacionados às crianças e adolescentes no Brasil e como podem impactar o Sistema de Garantia de Direitos voltadas à população infantil como um todo. Partindo do levantamento, destacou como estes dados podem revelar a permanência de diversas formas de violências e violações sendo cometidas contra crianças e adolescentes. Também revelam a continuidade de uma sociedade adultocêntrica - que compreende a organização social somente a partir dos adultos sem considerar as demandas das crianças e adolescentes - e as fragilidades na garantia das legislações protetivas que estão preconizadas no Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA. Além disso, pontuou sobre a importância em construir espaços coletivos de lutas e de reconhecer as crianças e adolescentes como sujeitos políticos e de direitos, que também podem produzir resistência.

Camila propôs uma atividade coletiva para pensar análises possíveis a partir dos dados sobre o cenário atual relacionado às crianças e adolescentes e estratégias viáveis para a superação das violências. Destacou, contudo, que crianças e adolescentes também produzem resistência e apontou como tarefa política fundamental ampliar o diálogo com as crianças sobre questões  raciais, favorecendo processos de identificação e consciência crítica.


Confira o vídeo com a oficina completa: