No dia 29 de janeiro de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a terceira oficina do Projeto Redes de Conhecimento, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Centro Cultural Butantã. O encontro teve como tema “Saúde mental: a escuta das crianças e adolescentes” e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

Os especialistas convidados para essa oficina foram Kwame Yonatan - Psicanalista, pós-doutor pela USP e doutor pela PUC-SP, supervisor  clínico e institucional, professor no Instituto Gerar, Centro de Estudos Psicanalíticos e na Casa do Saber, poeta e escritor,  possui quatro livros publicados: "Transverso", "Nasce um desejo", "Feliz para sempre?", "Por um fio: uma escuta das diásporas pulsionais". Em 2018, ganhou o prêmio "Jonathas Salathiel", promovido pelo CRP-SP. Tem experiência profissional em políticas públicas. Atualmente, também compõe o coletivo Margens Clínicas e é um dos articuladores do projeto "Aquilombamento nas Margens". Capoeirista do grupo Angoleiros do sertão. Pai da Kalihe Harumi e Dayô Maru; e Michele Borges, Psicóloga,  Psicanalista,  Membra do Fórum do Campo Lacaniano de SP e RJ Mestra e Doutoranda em Psicologia Social na PUC-SP no Núcleo de Psicanálise e Sociedade, Pesquisadora do NCAF- SGD da PUC-SP,  Mestranda em Ciências Sociais da FLACSO Argentina.

Kwame iniciou o encontro pontuando o fenômeno atual de patologização em massa e popularização do tema saúde mental, que pode banalizar a forma de tratarmos o problema, desconsiderando a complexidade de cada caso e a história de cada sujeito.  Dessa forma desloca a discussão sobre saúde mental do campo individual para o campo relacional. Kwame problematiza o crescimento excessivo da medicalização como forma de lidar com questões de saúde mental, perdendo espaço assim a palavra como forma de lidar com os conflitos e sintomas. Qual sentido se produz para os impasses e sofrimentos?

Michele traz em sua fala a questão mais específica dos serviços de acolhimento, problematizando o efeito das situações  vividas por essas crianças e adolescentes em sua saúde mental. Michele aponta a dificuldade das equipes em acolher a agressividade e comportamentos desafiadores, tentando muito mais docilizar corpos do que de fato tratar os problemas. Os comportamentos das crianças e adolescentes estão sempre relacionados à questões vividas em suas histórias - são uma forma de se comunicar e pedir ajuda. Para além das violências vividas, existe nesses casos uma forte presença da violência de Estado vivida pelas famílias pobres e em maioria negras. Qual é o impacto dessas questões na saúde mental? Como escutamos as crianças e adolescentes e também as equipes?

O diálogo entre os especialistas e com os participantes foi bastante provocativo, permitindo ampliar bastante a discussão - para além das questões individuais e comportamentos problemáticos - situando a discussão sobre o tema em um contexto social, racial, de classe e gênero.

Confira o vídeo com a oficina completa: