No dia 20 de março de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a quinta oficina do Projeto Redes de Conhecimento, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Espaço Comunidade Cultural Quilombaque, região de Perus. O encontro teve como tema “Adoção - boas práticas e desafios” e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

As especialistas convidadas para essa oficina foram: Ana Clara Fusaro Rodrigues - Psicóloga (UFTM), Mestre em Psicologia Clínica (IP/USP) e Especialista em Psicoterapia Psicanalítica (CEPSI Ryad Simon). Atualmente é Vice-presidente da Associação de Psicoterapia Psicanalítica de São Paulo (APP). Desde 2022 atua pelo IFH no Projeto EI-3 - Impactos de Intervenções sobre a Institucionalização Precoce - dedicando-se ao fortalecimento de vínculos entre bebês acolhidos e seus cuidadores. De 2016 a 2021 esteve na coordenação de grupos preparatórios com pretendentes à adoção e rodas de conversa com pais adotivos nas universidades UFTM e USP. Segue trabalhando com a temática da adoção em consultório particular, através do projeto Entrelaços, que inclui atendimento clínico, grupos de estudo e supervisão; e Larissa Alves: jornalista, bacharela em direito e dramaturga. Filha adotiva, é co-fundadora da Associação Brasileira de Pessoas Adotadas (ADOTIVA) e do Adotivas podcast, além de idealizadora do projeto @olharadotivo nas redes sociais.

Ana Clara inicia a oficina trazendo dados do CNJ sobre os pretendentes à adoção e as escolhas que colocam sobre o perfil da criança que vão receber. Observa que isso leva muitas vezes a idealizar o filho que vai chegar. É importante avaliar o quanto de fato a família está preparada para receber a criança real, aceitando que ela não nasceu naquele momento e tem uma história pregressa particular. O processo de aproximação deve ser gradual, respeitando o tempo das crianças. O papel do educador e família acolhedora nesse processo é fundamental, pois são quem mais tem informações sobre as crianças no cotidiano. Com relação ao trabalho com as crianças e adolescentes, é importante validar e acolher todas as suas expressões, seja por falas ou comportamentos. A adoção é, para a criança ou adolescente, um processo de transição bastante delicado e não pode ser feito de forma abrupta.

Larissa inicia contando sua trajetória como pessoa adotada, a importância da história de vida e a falta de informações sobre essa experiência particular. A partir da conversa com outras pessoas adotadas, passou a se entender melhor e entender as informações importantes a serem elaboradas desse processo. Criaram nesse processo a Associação Brasileira de Pessoas Adotadas. Existem lacunas como por exemplo a falta de espelhamento genético e informações sobre a ancestralidade. Larissa compara a adoção a um processo de migração e os adotivos aos refugiados. Fala também sobre os direitos às origens e ao desejo comum dos adotivos de terem esse conhecimento de onde vieram - apesar do medo de decepcionar a família adotiva. Finaliza trazendo a ideia de que a adoção existe como reflexo de um problema social.

Assista a oficina na íntegra!