No dia 17 de junho de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a décima terceira oficina do Projeto Formação em Redes, iniciativa apoiada pelo FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Instituto Pólis. Com o tema “Além do processo: os bastidores da adoção e o papel dos profissionais da Rede de Proteção”, a atividade foi direcionada aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, na Rede Socioassistencial e no Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a participação de Larissa Alves, filha adotiva, jornalista, bacharela em Direito e dramaturga. Cofundadora da Associação Brasileira de Pessoas Adotadas e do projeto Olhar Adotivo, tendo também idealizado o Adotivas Podcast.

Durante o encontro, Larissa compartilhou sua trajetória e suas vivências como filha adotiva, destacando a importância de compreender a adoção a partir da perspectiva das pessoas adotadas, e não apenas das expectativas de quem adota. Entre os temas abordados, ressaltou o direito à verdade e às origens como elementos essenciais para a construção saudável da identidade e da saúde psíquica, bem como a necessidade de preservar a história dos grupos de irmãos durante o processo de adoção. Nesse contexto, enfatizou que instrumentos como as "Cartas da Vida" e metodologias sistemáticas de trabalho com histórias de vida podem ser fundamentais para preservar a memória, a identidade e o sentimento de pertencimento de crianças e adolescentes.

Destacou a importância do acesso aos históricos médicos, aos mapeamentos genéticos e às informações biográficas, além da urgência de desenvolver estratégias institucionais que garantam registros qualificados das trajetórias de vida das crianças e dos adolescentes. Outro aspecto abordado foi a possibilidade de desarquivamento dos processos de adoção, diante da recorrente ausência de informações que permitam às pessoas adotadas conhecer sua própria história. Larissa também chamou atenção para a escassez de dados consolidados sobre a adoção legal no Brasil e para a necessidade de refletir sobre os números de crianças e adolescentes considerados "disponíveis para adoção", compreendendo os contextos que antecedem essa condição.

Também foram debatidos os impactos da transição de classe social e das experiências de racismo na construção da identidade, reconhecendo que marcadores sociais, como raça, classe e gênero, atravessam de maneira significativa a experiência das pessoas adotadas. As reflexões reforçaram a importância de promover processos de adoção comprometidos com a garantia de direitos, com a preservação das histórias de vida e com a escuta qualificada das crianças, dos adolescentes e das pessoas adultas que vivenciaram a adoção.

Confira o vídeo com a oficina completa: