No dia 15 de julho de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a décima quarta oficina do Projeto Formação em Redes, iniciativa apoiada pelo FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Instituto Pólis. Com o tema “Matricialidade sociofamiliar em debate: Entre a proteção e o controle, qual é o lugar da família no SUAS?”, a atividade foi direcionada aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, na Rede Socioassistencial e no Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a participação de Aline Fogaça, assistente social na Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo/SP, Mestra e Doutora em Serviço Social PUC-SP/CNAM Paris. Professora da Faculdade Paulista de Serviço Social de São Caetano do Sul e supervisora técnica de equipes e serviços no âmbito do SUAS. 

Aline iniciou o encontro realizando breve resgate sobre o processo de construção e implementação da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e do Sistema Único da Assistência Social, destacando as mudanças de paradigma na concepção de família e na forma de compreender as situações de vulnerabilidade e desproteção social. Nesse percurso, discutiu-se o conceito de família em sua pluralidade, reconhecendo os diferentes arranjos e configurações familiares presentes na sociedade contemporânea. 

A especialista abordou a relação entre vulnerabilidade, negligência e desproteção social, problematizando a tendência de responsabilizar exclusivamente às famílias pelas situações vivenciadas. Aline destaca que a atuação profissional precisa estar atenta para que o acompanhamento não se transforme em mecanismo de fiscalização, vigilância ou responsabilização moral das famílias. O trabalho social deve favorecer a construção de vínculos, a escuta qualificada, o acesso a direitos e o fortalecimento da autonomia, reconhecendo as famílias como sujeitos de direitos e não como objetos de intervenção. 

Por fim,o encontro possibilitou refletir sobre o lugar da matricialidade sociofamiliar no SUAS, questionando a ideia de uma família permanentemente “capaz” de responder sozinha às demandas de proteção de seus integrantes. Reconhecer a centralidade da família não significa transferir para ela a responsabilidade pela garantia da proteção social. Ao contrário, implica reconhecer suas potencialidades e necessidades, compreendendo que o Estado possui responsabilidade fundamental na oferta de políticas públicas e na garantia de condições para que as famílias possam exercer suas funções de cuidado e proteção. 

Confira o vídeo com a oficina completa: