No dia 12 de junho de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a 8ª  oficina do Projeto Redes de Conhecimento, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Espaço Comunidade Cultural Quilombaque, região de Perus. O encontro teve como tema “P.P.P. - Projeto Político Pedagógico” e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

Os profissionais convidados para essa oficina foram: Valéria Gonçalves Pássaro - Educadora com formação em psicologia e pedagogia libertária, coordena e desenvolve processos de formação em política de assistência e desenvolvimento social. Foi Coordenadora Pedagógica; Diretora Executiva – Moradia Associação Civil: trabalho com crianças e jovens em situação de grave risco social; Diretora - Agência de Desenvolvimento Social – AGENDES e Joroedson Marçal de Almeida - Educador social - Pedagogo,  coordenou por 10 anos Casas das Expedições e Casas Taiguara; Especialista em Grupos Operativos – método Pichon Rivière; Experiência em diagnóstico institucional e estruturação de Plano Político Pedagógico.

Valéria iniciou sua fala de forma participativa, mapeando o entendimento e o contato prévio dos presentes com o PPP, a partir desta escuta junto à sua trajetória na área, destacou premissas importantes para o serviço. Indica que o PPP não se resume ao papel (escrito) - ele precisa estar gravado (inscrito) na postura diária dos trabalhadores do serviço, trazer a marca do grupo e estar fincado no território. O acolhimento não pode ser uma ilha isolada da comunidade.

Um serviço de acolhimento lida com vidas em constante transformação. Por isso, o PPP é um documento de escuta e integração, essencialmente flexível e que exige revisão periódica. O acolhimento atende a diversas realidades, idades e vivências - o projeto deve acolher essas singularidades, e não tentar padronizá-las.

Para Valéria, a elaboração do PPP funciona como um processo de conscientização. Construir esse plano exige responder a três perguntas que dão intencionalidade ao cotidiano do acolhimento: De onde eu vim? (O histórico do serviço e a bagagem da equipe); Onde estou? (O diagnóstico atual do serviço e as demandas do território) e Para onde se quer ir? (Os objetivos para o desenvolvimento e autonomia de cada acolhido). Segundo ela: "O PPP também é um embate do que queremos para a Política Pública."

Para fundamentar essa visão, ela apresentou seu repertório teórico e prático de outros projetos e autores da área, conectando as normativas técnicas do SUAS à prática diária.

Dando sequência à oficina, o educador Joroedson (Joro) trouxe a perspectiva prática de quem atua diretamente no cotidiano do atendimento, ao compartilhar sua experiência no Projeto Expedições, destacou dois pilares indispensáveis: um serviço de acolhimento funciona 24 horas por dia e envolve múltiplos turnos. Sem a integração da equipe de trabalhadores — cuidadores, educadores, equipe técnica e apoio —, o atendimento se fragmenta. Reforçou que o grupo precisa caminhar em sintonia para manter a mesma intencionalidade protetiva.

O ponto alto da fala de Joro foi a defesa da autonomia e do protagonismo dos acolhidos - o PPP não deve ser feito apenas para eles, mas com eles. Abrir o processo de produção das atividades para a participação ativa das crianças e adolescentes transforma a rotina do acolhimento, promove a escuta qualificada e fortalece o sentimento de pertença.

A oficina deixou claro que, na Assistência Social, o Projeto Político Pedagógico é um instrumento de garantia de direitos, ele tira o serviço do "ativismo sem rumo" e confere intencionalidade política e pedagógica a cada ação realizada dentro do acolhimento.