No dia 28 de agosto de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a oitava oficina do Projeto Formação em Redes, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), na Embaixada Preta - Casa Preta Hub. O encontro teve como tema “Pensando o Acolhimento Familiar: Entre Chegadas e Partidas - Desafios e possibilidades”. A atividade foi direcionada aos profissionais dos Serviços de Acolhimento Familiar, famílias acolhedoras e trabalhadores da Rede Socioassistencial e do Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo. A oficina contou com a participação de Lara Naddeo, psicóloga (PUC-SP), mestre em intervenção psicossocial (Univ. de Barcelona), com formação em psicanálise da perinatalidade e parentalidade pelo Instituto Gerar. Atuou por mais de 10 anos no universo do acolhimento de crianças e adolescentes através de seu trabalho no Instituto Fazendo História. É coautora do Guia de Acolhimento Familiar e, atualmente, trabalha em consultório, atua como doula de adoção e desenvolve consultorias e projetos na área do acolhimento e da primeira infância.
A especialista destacou que a chegada ao acolhimento representa não apenas uma mudança de espaço físico, mas uma ruptura, ainda que temporária, com elementos significativos da vida da criança ou do adolescente. Eles trazem consigo sua história, relações, referências e vínculos, ao mesmo tempo em que podem deixar para trás pessoas, lugares, objetos e rotinas importantes para sua identidade e pertencimento. A partir dessa perspectiva, ressaltou a importância de compreender a aproximação com as famílias acolhedoras como uma etapa significativa, marcada pela construção gradual de vínculos, adaptação a novas referências de cuidado e por diferentes transições que precisam ser acompanhadas de forma sensível e respeitosa pela equipe. Considerando essas mudanças e rupturas, a especialista também abordou o conceito de luto, compreendido não apenas como uma experiência relacionada à morte, mas também como parte dos processos de afastamento, mudança e encerramento de vínculos significativos. No acolhimento familiar, crianças, adolescentes, famílias de origem e famílias acolhedoras podem vivenciar sentimentos de perda, saudade, insegurança e ambivalência. Diante disso, os vínculos afetivos foram destacados como importantes fatores de proteção, uma vez que relações estáveis, seguras e significativas contribuem para o desenvolvimento e o fortalecimento de crianças e adolescentes diante das mudanças vivenciadas.
Por fim, ressaltou-se a importância do trabalho das equipes no acompanhamento das famílias acolhedoras durante todas as etapas do acolhimento, especialmente nos momentos de transição e desligamento. Os processos de despedida devem ser planejados e construídos gradualmente, possibilitando a expressão e elaboração dos sentimentos por todos os envolvidos, evitando rupturas abruptas. A discussão provocou, ainda, uma reflexão sobre as estratégias utilizadas pelos serviços para preparar crianças, adolescentes e famílias acolhedoras para esses momentos, reafirmando que a despedida constitui parte fundamental do trabalho de proteção e deve considerar a história, o tempo e as necessidades de cada criança e adolescente.
Confira o vídeo com a oficina completa: