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acolhimento institucional

Orfanatos não existem!

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Orfanatos não existem!

Como assim orfanatos não existem? Onde moram então as "crianças abandonadas"? 
Pois é, precisamos falar sobre Acolhimento Institucional e o histórico do cuidado com crianças e adolescente no nosso país...

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Servidores da Justiça terão curso on-line sobre adoção e apadrinhamento

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Servidores da Justiça terão curso on-line sobre adoção e apadrinhamento

Os servidores do Poder Judiciário de todo país que trabalham com crianças em situação de acolhimento poderão receber treinamento pelo “Programa de formação para os núcleos de preparação para adoção e apadrinhamento afetivo”.

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O projeto é da Organização Não-Governamental (ONG) Aconchego, em parceria com a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente e o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e oferece curso gratuito à distância, em 80 horas, no período de 5 de abril a 31 de maio.

A iniciativa é para aprimorar os conceitos, as diretrizes e a metodologia sobre a preparação para adoção e apadrinhamento afetivo com orientações para a condução de grupos de preparação de adotantes, padrinhos, madrinhas, crianças e adolescentes cadastrados para adoção ou incluídos no Programa de Apadrinhamento Afetivo.

 A psicóloga Maria da Penha Oliveira, coordenadora do programa de apadrinhamento afetivo da ONG Aconchego, disse que muitas comarcas de Justiça não fazem essa preparação de modo adequado ou de modo que promova a reflexão de desejos e da motivação, desmistificando mitos e preconceitos, trabalhando a criança idealizada, entre outros temas.

“Temos conhecimento de que algumas comarcas fazem apenas uma palestra informativa, que para nós pode resultar no maior de todos os males para a criança, que é sua devolução”, diz Penha.

Para Penha de Oliveira, a replicação da metodologia de formação em todo o Brasil possibilita que os profissionais falem a mesma linguagem nessa preparação. “É um fator importante, se pensarmos que, com o Cadastro Nacional da Adoção, os pretendentes podem adotar crianças de outra região que não a sua”, diz.

De acordo com dados do Cadastro Nacional de Crianças Acolhidas (CNCA), da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), estão acolhidas mais de 46 mil crianças com idade entre 0 e 17 anos. Dessas, conforme os dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), 7.201 estão para adoção e as demais em processo de destituição familiar ou em tentativa de reintegração.

Existem no Brasil 3.987 entidades acolhedoras credenciadas junto ao Judiciário.

Apadrinhamento afetivo – O apadrinhamento afetivo é um programa voltado para crianças e adolescentes que vivem em situação de acolhimento ou em famílias acolhedoras, no sentido de promover vínculos afetivos seguros e duradouros entre eles e pessoas da comunidade que se dispõem a ser padrinhos e madrinhas. O padrinho ou a madrinha se torna uma referência na vida da criança, mas não recebe a guarda, pois o guardião continua sendo a instituição de acolhimento. Os padrinhos podem visitar a criança e, mediante autorização e supervisão, realizar passeios e até mesmo viagens com as crianças. 

 Melhorias no cadastro – Ao assumir a Corregedoria Nacional de Justiça, o ministro João Otávio Noronha determinou que fosse realizado, por um grupo de trabalho, um levantamento das condições do sistema, identificação dos principais problemas e posterior reformulação do cadastro. Além do CNA, o grupo – instalado pela Portaria n. 36/2016 (http://www.cnj.jus.br/busca-atos-adm?documento=3226) – também vai avaliar possíveis mudanças relativas ao Cadastro Nacional de Adolescentes em Conflito com a Lei e propor melhorias. Ao longo do ano, a Corregedoria vai promover workshops em diversas regiões do Brasil com todo o sistema de Justiça para debater alterações no cadastro. 

As inscrições podem ser feitas aqui.

(Fonte: Conselho Nacional de Justiça)

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Acolhimento familiar – por um trabalho individualizado e afetivo

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Acolhimento familiar – por um trabalho individualizado e afetivo

Família Acolhedora é uma das modalidades de serviço de acolhimento previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente e indicada, nesta lei e por especialistas, como prioritária em relação ao acolhimento institucional. Apesar disso, no Brasil, 96% das crianças e adolescentes acolhidas estão em instituições e apenas 4% em serviços de acolhimento familiar. Frente a este contexto, muitos municípios em todo o país estão realizando discussões sobre o tema e iniciando a implantação de serviços de acolhimento nesta modalidade.

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Em 2016, o Instituto Fazendo História iniciou os acolhimentos em seu serviço de Famílias Acolhedoras, inaugurado em 2015. Unindo-se à campanha Fale Por Mim, liderada pela UNICEF (https://www.youtube.com/watch?v=ShddbB6fn2o) que prevê o fim da institucionalização de bebês, o Instituto optou por acolher a faixa etária de 0 a 2 anos.

O acolhimento da criança em ambiente familiar possibilita e estimula a construção de vínculos afetivos individualizados e um atendimento personalizado, garantindo o desenvolvimento integral da criança nesse período de transição, até que ela retorne para sua família ou, na impossibilidade de isso ocorrer, seja encaminhada para adoção.

Além de executar esse serviço, a equipe do Instituto tem se dedicado a fomentar discussões e formações sobre o tema, tendo participado, em 2016, do Seminário Internacional de Acolhimento Familiar no Panamá e de rodas de conversa no Interior de São Paulo, buscando multiplicar e ampliar essa modalidade de acolhimento no Brasil.

 

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Reflexões sobre a rotina dos serviços de acolhimento: "Ritos de Passagem"

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Reflexões sobre a rotina dos serviços de acolhimento: "Ritos de Passagem"

O Instituto Fazendo História publica periodicamente situações cotidianas dos serviços de acolhimento, para estimular reflexões e a construção de estratégias a partir de critérios técnicos e não pessoais. 

As situações apresentadas fazem parte do kit de Formação “Vamos Abrir a Roda” e abrangem diferentes temáticas: adolescência, bebês, agressividade e limites, histórias de vida, ritos de passagem, entre outras.

Para pensar! O tema das DUAS situações de hoje é: Ritos de Passagem

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Situação 1

Mikael (8), Luana (7) e Felipe (4) são irmãos e acabaram de chegar à casa. Ainda não sabemos bem o motivo pelo qual estão aqui, tentamos conversar com eles, mas entendemos ainda pouco sobre essa família. Está chegando a hora de dormir e eles dizem insistentemente que querem dormir juntos... Mas a regra aqui da casa é que os quartos são separados por idade e sexo. E agora?

Considerando todas as mudanças e rupturas que as crianças e adolescentes passam  no momento em que são acolhidas, pode-se pensar que a presença dos irmãos seja um fator bastante amenizador deste sofrimento. Na situação apresentada, é possível pensar que os irmãos costumavam dormir juntos na sua casa ou que a possibilidade de ficarem juntos ali traz um tanto de segurança para essa situação. Entendendo que o momento da chegada como um processo de adaptação, talvez possa ser criada alguma flexibilidade na regra dos quartos para construir uma transição: que valide e apresente as regras da casa, mas considere a história e a adaptação das crianças. Vale pensar em itens que promovam maior conforto e segurança às crianças e as ajudem neste processo, como por exemplo, ler histórias e conversar na hora de dormir, oferecer um bichinho de pelúcia para “acompanhá-la”.

Situação 2

Tábara (5) e Talita (3) foram acolhidas já com o poder familiar destituído e sabíamos que seria rápido o encaminhamento para uma família adotiva. Depois de três meses de convivência na casa e dois finais de semana com a família, o juiz já deu a guarda provisória para a família adotante. Eles foram passar o final de semana e não voltaram. Não deu tempo de se despedirem das outras crianças, nem dos educadores.

Uma situação como esta, apesar de nos deixar felizes por um lado (pelo sucesso na concretização da adoção), mobiliza fortes sentimentos em todos na casa. A brusca ruptura não deixa espaço para que crianças, adolescentes e profissionais elaborem a separação da criança com quem estabeleceram um forte vínculo no período de convivência. Para as crianças e adolescentes, é muitas vezes um momento de dar-se conta de que “mais um foi e eu fiquei”. A ausência de algo que marque o desligamento de um dos acolhidos dá, ainda, a sensação de que o período vivido no abrigo e as relações construídas neste tempo não são tão importantes assim. Sempre que possível, é interessante que a equipe da casa promova um ritual, que ajude quem vai e quem fica a lidar com a despedida de forma positiva. Sentir que quem vai deixa a sua marca e também leva algo deste período consigo é essencial, e concretizar essa premissa em forma de fotos, cartas e produções artísticas costuma ajudar.

Quando ocorrerem saídas bruscas, seja por qual motivo for, é possível ainda pensar em estratégias reparadoras, como por exemplo, uma roda de conversa com as crianças e educadores, organização de uma visita das crianças adotadas às casa para um encontro final, o envio de cartas de despedida ou telefonemas, em último caso.

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Reflexões sobre a rotina dos serviços de acolhimento: "agressividade e limites”

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Reflexões sobre a rotina dos serviços de acolhimento: "agressividade e limites”

O Instituto Fazendo História publica periodicamente situações cotidianas dos serviços de acolhimento, para estimular reflexões e a construção de estratégias a partir de critérios técnicos e não pessoais.

As situações apresentadas fazem parte do kit de Formação “Vamos Abrir a Roda” e abrangem diferentes temáticas: adolescência, bebês, agressividade e limites, histórias de vida, ritos de passagem, entre outras.

Para pensar! O tema das DUAS situações de hoje é: agressividade e limites

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SITUAÇÃO 1

Jonathan (13), Samantha (11) e Adriele (10) foram acolhidos porque a mãe deles não tem moradia fixa e estavam todos morando com ela na rua. Eles não tinham rotina e não vêm conseguindo se adaptar às regras da casa; Não respeitam os horários e quando são obrigados a fazer alguma tarefa xingam os educadores e dizem que com sua mãe não precisavam fazer nada, que preferiam estar com ela e que morar na casa “é muito chato”.

A mudança da cultura da rua para a vida em uma instituição deve ser bastante drástica para qualquer criança ou adolescente. Compreender essa dificuldade de adaptação seria um primeiro passo para qualquer adulto que esteja lidando com eles. Sem dúvida, é ainda necessário construir junto com os meninos e meninas uma maior compreensão de cada regra, dos benefícios que elas podem trazer para a convivência entre todos. Outro ponto importante seria ponderarmos quais regras podem ser alteradas sem grandes problemas para a casa que trariam um senso de respeito e de real acolhimento para quem chega. Por exemplo, se eles comem com as mãos, será que podemos combinar alguns alimentos que eles, com as mãos lavadas, podem ainda comer desta forma? Ou com a colher, ao invés de garfo, se for o desejo deles?

SITUAÇÃO 2

Ricardo (16) já pulou o muro para ir pra a rua diversas vezes e sempre volta. Com essa atitude, ele influencia os outros adolescentes a saírem também, desorganizando o funcionamento casa. Estamos pensando em o que fazer, a convivência com ele tem se tornado inviável.

Os embates entre adultos e adolescentes acontecem nas famílias, nas escolas e também nos serviços de acolhimento. Lidar com estes embates faz parte do cotidiano. Conversas individuais com a figura de melhor contato na casa e assembleias onde outros adolescentes podem falar dos desconfortos com as quebras de combinados podem ser interessantes. Consequências podem aparecer para cada fuga: ele pode voltar para casa, mas fica sem internet ou sem televisão ou precisa ajudar mais na limpeza. A consequência deve ocorrer, mas não a transferência de abrigo, que ao invés de uma atitude educativa, tem mais o caráter de um novo abandono, uma falta de investimento na possibilidade deste menino encontrar um lugar saudável no mundo. É importante também ouvir o desejo do adolescente de ganhar autonomia para sair da casa e de circular no território. Permitir que o adolescente saia, combinando onde ir e quando voltar, pode reduzir a necessidade dele de fugir.

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Fazendo Minha História forma profissionais de Maringá, Paraná, para o trabalho com histórias de vida

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Fazendo Minha História forma profissionais de Maringá, Paraná, para o trabalho com histórias de vida

Um valor fundamental do Instituto Fazendo História é compartilhar conhecimento técnico para que, cada vez mais, serviços de acolhimento e toda a rede envolvida nessa área no Brasil estejam preparados tecnicamente para pensar melhores caminhos e cuidados com as crianças em adolescentes.

Desta vez, o Instituto levou até a cidade de Maringá, no Paraná, o programa Fazendo Minha História. Os profissionais da rede de acolhimento da cidade participarão de 3 seminários de formação onde serão instrumentalizados para que desenvolvam ações de mediação de leitura e construção de álbuns de histórias de vida.

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O 1o seminário, sobre mediação de leitura, aconteceu em setembro e foi muito bem avaliado por todos. A participação nesses encontros permite às equipes dos serviços de acolhimento formar e acompanhar os adultos que realizarão o trabalho com as crianças e adolescentes. Nos próximos meses outros encontros acontecerão e a rede de acolhimento de Maringá estará pronta para continuar desenvolvendo de forma autônoma essa a metodologia de trabalho com historias de vida.

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Instituto Fazendo História participa de seminário na Áustria

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Instituto Fazendo História participa de seminário na Áustria

No mês de agosto, o Instituto Fazendo História participou do seminário "Together Towards a Better World for Children, Adolescents and Families" (Tradução livre: “Juntos Por um Mundo Melhor para Crianças, Adolescentes e Famílias”), realizado pela ONG FICE, em Viena na Áustria.

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O Congresso reuniu profissionais de mais de 60 países que trabalham com crianças e adolescentes que precisaram ser separados de suas famílias. A psicóloga Manuela Fagundes, técnica do Grupo nÓs (programa do Instituto que trabalha com adolescentes em processo de saída do serviço de acolhimento), foi a representante do Instituto, participando de palestras e workshops que traziam informações, reflexões e experiências de organizações do mundo todo.

Todos falavam em inclusão, inserção familiar e comunitária e desenvolvimento de autonomia como eixos fundamentais do trabalho. Manuela teve a oportunidade de apresentar o Grupo nÓs em uma mesa junto a outras 3 organizações do Brasil. Foram dias de muito aprendizado e inspiração. Novas ideias surgiram para nossos programas e já estamos trabalhando para colocá-las em prática!

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Os jovens e o projeto de moradia

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Os jovens e o projeto de moradia

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O Grupo nÓs, um dos programas do Instituto Fazendo História, existe para acompanhar e facilitar o processo de transição de jovens em acolhimento para vida adulta, autônoma e inserida na comunidade, colaborando para que eles possam enfrentar de maneira positiva os desafios da vida adulta.

Nestes últimos meses, o foco do trabalho tem sido o desenvolvimento do projeto de moradia. Ações, individuais e grupais, foram desenvolvidas para que os jovens tivessem clareza de suas possibilidades de moradia, dos serviços disponíveis e de quem são suas referências afetivas para auxiliar em seus projetos de moradia.  A realização de um projeto de moradia autônomo depende de uma série de conquistas e aquisições durante o acolhimento.

A seguir, listamos uma série de atividades realizadas pelo Grupo para favorecer o desenvolvimento do projeto de moradia dos jovens:

14 de maio: para introduzir o tema moradia, o Grupo nÓs esteve na Casa Fora do Eixo, uma residência de vivências socioculturais. Lá, os adolescentes tiveram a oportunidade de se aproximar das experiências de um coletivo que vive de forma comunitária para fins culturais. Eles participaram de uma roda de conversa sobre a história da casa, os critérios para quem quer ser um novo membro, além de conversas sobre separação de lixo, reciclagem e reaproveitamento de alimentos!
 
11 de junho: o Grupo nÓs foi para a “Vila do Chaves”, uma exposição que ocorreu no Memorial da América Latina. O cenário fazia referência às condições de moradia dos personagens da vila. Os jovens entraram na casa do Sr. Madruga, reconheceram os móveis e acessórios que já haviam visto na série e entraram no barril do Chaves.

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25 de junho: foi realizada uma atividade em grupo, expondo trechos de filmes e desenhos que mostram diversos jeitos de morar (casa na árvore, casa futurística, caverna, entre outros). Após os trechos apresentados, cada jovem foi convidado a desenhar seu “sonho de moradia”. A ideia era estimular a imaginação! Para fechar o grupo, Fernando, um jovem de 21 anos que viveu um grande período em serviço de acolhimento, foi convidado a contar suas experiências de moradia. Fernando já morou com amigo e atualmente mora sozinho. Ele deu diversas dicas bacanas de moradia aos jovens do Grupo nÓs!

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30 de julho: uma jovem, que naquela mesma semana havia visitado uma República Jovem, socializou com o grupo sua experiência e todos fizeram perguntas a partir de seu relato. Dessa forma, os jovens puderam conhecer um pouco sobre o funcionamento da República.  Em seguida, eles foram separados em subgrupos: um grupo dos que gostariam de morar sozinho, com familiares, com amigos e outro grupo dos que preferem a República Jovem. Cada grupo construiu um painel gráfico contando as vantagens e desvantagens desse tipo de moradia.
   
9 de Julho: Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura (convite para pensar o tema moradia de forma lúdica e interativa). Guiados por uma educadora os adolescentes aprenderam sobre a história desta casa literária, almoçaram juntos na varanda da casa e no final da visita participaram do “Sarau do Vinil”, recitando poemas.

Financiamento coletivo

O Grupo nÓs está em campanha para captar recursos e continuar no auxílio contínuo a jovens que estão em processo de saída dos serviços de acolhimento. Ajude você também e possibilite que mais jovens possam se desenvolver autonomamente e entrar na vida adulta com todo respaldo possível. Doe: https://goo.gl/AelAcf

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Notícias do projeto "Mar de Histórias", em desenvolvimento com apoio do MinC: novos serviços de acolhimento

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Notícias do projeto "Mar de Histórias", em desenvolvimento com apoio do MinC: novos serviços de acolhimento

O programa Fazendo Minha História expandiu suas atividades! Sete novos serviços de acolhimento iniciarão o trabalho com histórias de vida. Essa implementação tem apoio do Ministério da Cultura e financiamento das empresas Cosmoquímica e Exportadora de Café Guaxupé.

Nesse mês de junho, as técnicas do programa realizaram a formação inicial para os interessados. 20 voluntários foram formados e já estão prontos para iniciar o trabalho de resgate e registro de histórias de vida e incentivo à leitura com crianças e adolescentes.

Os novos serviços de acolhimento são das cidades de São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Mauá:

Associação São Luiz – São Bernardo do Campo
Lar Escola Municipal de São Caetano do Sul
Abrigo Municipal de Mauá
Lar Sol da Esperança – Mauá
Casa Andança (Fundação Criança) – São Bernardo do Campo
Casa Raio de Sol (Fundação Criança) – São Bernardo do Campo
Casa Arco-íris (Fundação Criança) – São Bernardo do Campo

 

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Sistematização OFICINA : “Acolhendo as famílias: um desafio para toda a equipe"IPE”

Sistematização OFICINA : “Acolhendo as famílias: um desafio para toda a equipe"IPE”

No dia 21 de março de 2015, foi realizada a oficina “Acolhendo as famílias: Um desafio para toda equipe”, com a participação da especialista Valéria Brahim: psicóloga, especialista em terapia familiar e violência contra a criança e o adolescente, gerente de programas sociais na ONG Terra dos Homens (Rio de Janeiro/RJ).

Qual é o maior desafio das equipes com relação às famílias? Qual é a missão dos serviços de acolhimento?

Valéria apontou para o fato de que o “abrigo existe para não existir”, ou seja, existe para acolher e desacolher as crianças e adolescentes que nele residem, a partir da reintegração familiar. A partir desta perspectiva, Valéria convidou ao grupo a escrever individualmente uma palavra que completasse as frases: Família é... e Famílias das crianças e adolescentes que atendemos é.... Para ambos exercícios, Valéria propôs ao grupo o agrupamento das palavras. Para a primeira questão sobre o que é a família, as categorias foram: base (estrutura), afeto (amor, carinho e etc); Para a questão sobre as famílias atendidas, as categorias foram: desestrutura (desorganizada, problemática, vulnerável...), impotente, negligenciada, desafiadora.

Valéria convida o grupo a contemplar e analisar o quadro onde as palavras estavam inseridas. O grupo trouxe a percepção de que ao falar de famílias estavam em questão os conceitos de famílias reais X imaginárias. Valéria questiona: Esta percepção afeta a relação com as famílias? As famílias atendidas, não podem ter características das famílias consideradas “ideais”, como amor, afeto, proteção, base?

Foram trazidos aspectos históricos sobre a concepção de família, na qual ainda existe um ranço do modelo burguês, composto por pai, mãe, filhos, e que ainda interferem diretamente na concepção atual de família. Valéria falou sobre a importância dos profissionais que atuam com as famílias se darem conta de seus preconceitos e da interferência que eles têm na relação com as famílias. Além disso, segundo a ONU, 1994, “Família é gente com quem se conta”. Este conceito não parte do pressuposto consanguíneo e sim de afeto, no qual a família pode ser um vizinho, ou alguém que tenha uma relação próxima com as crianças e adolescentes. Reconhecer as famílias para além dos vínculos consanguíneos, favorece substancialmente a possibilidade de fortalecimento de vínculos e reintegração familiar. Cada família apresenta dificuldades e realidades distintas, que devem ser reconhecidas tanto por elas mesmas, quanto pela equipe que as acompanha, criando-se assim um plano de acompanhamento familiar.

Será que as equipes estão dispostas a reconhecer as famílias para além do assistencialismo, da incapacidade e disfuncionalidade? É fundamental que as equipes possam empoderar as famílias a partir de suas competências e estratégias de sobrevivência já existentes. À medida que as famílias possuem o apoio da equipe para o reconhecimento destas competências passam, cada vez a mais, a necessitar menos deste amparo.

Com relação às possibilidades de estratégias de trabalho com as famílias, Valéria pontua: o desenvolvimento de vínculo com a família, relação horizontal, investir no vínculo da família com as crianças (a partir de um Plano Político Pedagógico, visitas e etc), família como participante ativa no abrigo (assembléias, contribuir para a dinâmica do local), família como co-responsável pela criança (participação em reuniões escolares, consultas médicas, atividades lúdicas e etc).

As famílias devem participar da construção dos PAFs (Plano de atendimento familiar), e a equipe deve realizar entrevistas, visitas, grupos de famílias, e encaminhamentos e acompanhamentos na Rede. Além disso, devem ser realizadas discussões de caso, capacitações e reuniões de equipe com frequência, na perspectiva de “cuidar de quem cuida”. Essa metodologia contempla três fases para a reintegração familiar: pré-integração, na qual a família e a criança são ouvidas para entender que família é essa, a integração, na qual são realizadas as estratégias junto às famílias, e pós-integração, para acompanhamento da família após a reintegração familiar.

Nas discussões dos grupos, surgiram as perguntas:

- Como fazer com que nas visitas familiares sejam contempladas as expectativas das crianças e adolescentes e das famílias?

- Até que ponto a equipe deve insistir no trabalho com as famílias?

- Como lidar com as famílias que não aderem ao plano familiar de reintegração?

- Como atuar em uma Rede despreparada, ausente de alguns órgão do SGDCA?

Valéria afirma que não há uma receita para todas as famílias, e que cada família deve ser considerada a partir de sua especificidade. Trouxe uma questão importante que diz respeito aos três tempos: do judiciário, da criança e da família, e que nem sempre responderão de maneira conjunta. Por isso, é importante que a equipe técnica possa reconhecê-los e fazer os devidos encaminhamentos para cada caso. Na relação com o judiciário, é importante que a equipe possa, a partir de dados concretos, sugerir prazos que atendam a necessidade de cada família e criança.

Neste sentido, é importante considerar a idade das crianças e adolescentes e seus interesses, bem como o desejo das famílias, que muitas vezes chegam aos serviços confusas,  sem clareza de suas potências e possibilidades.

“Até que ponto a nossa prática confirma ou desconfirma padrões repetitivos no atendimento às famílias?”. É dever das equipes se avaliar e rever suas estratégias de intervenção, sobretudo em um contexto no qual a Rede apresenta fragilidades. É de responsabilidade de todos construir indicadores que fortaleçam as políticas públicas do SGDCA. Além disso, é papel dos profissionais da Rede propor reuniões e fortalecimento da Rede, inclusive com o judiciário.

Valéria fez a indicação de algumas referências bibliográficas para o trabalho com famílias:

  • “A polícia das famílias” – Jacques Danzelot – Ed. Graal
  • “Competência das famílias” – Guy Ausloos - Climepsi Editores
  • “Busca do ponto sólido” – Guy Ausloss

Para assistir aos melhores momentos da Oficina, acesse:

https://www.youtube.com/watch?v=a164m4GGT0Q

 

Sistematização OFICINA: “Acolhimento De Bebês: Práticas E Reflexões"

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Sistematização OFICINA: “Acolhimento De Bebês: Práticas E Reflexões"

No dia 24 de janeiro de 2015, foi realizada a oficina “Acolhimento de bebês: Práticas e Reflexões”, com a participação das especialistas Cristina Seguim, psicanalista e membro do grupo Acesso do Instituto Sedes Sapientiae, e Beia Lunardelli, instrutora de massagem infantil. Nesta ocasião, foi realizado o lançamento da publicação “O acolhimento de bebês: práticas e reflexões compartilhadas”, organizada pelo Instituto Fazendo História.

Cristina iniciou sua fala enfatizando a importância do ambiente, nos primeiros anos de vida do bebê, para o desenvolvimento saudável dos vínculos, auto-estima e autonomia. Partindo da concepção Winnicotiana, para que haja um bom desenvolvimento dos bebês, é importante que haja uma relação de proteção e segurança exercidos por um adulto. Essa relação é nomeada função materna ou maternagem, que pode ser realizada tanto por homens quanto mulheres, e possui um papel fundamental na constituição psicoafetiva do bebê.

É muito importante haver um equilíbrio no exercício desta função, de forma que a maternagem seja suficientemente boa - não ocorrendo nem de maneira demasiada e superprotetora, e nem ausente na relação com o bebê - possibilitando assim o desenvolvimento da autonomia e crescimento saudáveis.

Como desenvolver uma maternagem suficientemente boa no contexto do acolhimento?

O abrigo pode ser um lugar de ressignificação de experiências traumáticas. Na rotina das instituições, sobretudo no contexto do acolhimento, é importante que haja uma identidade com relação aos cuidados dos bebês, para que estes não fiquem a mercê da rotatividade dos educadores. Além disso, a rotina é importante para a estabilidade dos bebês, que tendem a não lidar bem com mudanças. Eleger alguns educadores que possam estar mais presentes no desenvolvimento de vínculos diminui a ansiedade dos bebês frente a constantes mudanças.

Além da constância, é importante que os cuidadores tenham identificação com estes cuidados, e que tenham disponibilidade afetiva para vincular-se. Estar atento à subjetividade dos bebês, gostos, comportamentos e choro, é importante para identificar possíveis sinais de sofrimento, que podem apresentar-se a partir da dificuldade de ingerir alimentos, de ter um bom sono, retraimento nos contatos, agitação motora, atrasos no desenvolvimento, adoecimentos constantes, alergias, entre outros.

Nos cuidados com os bebês, é importante considerar a subjetividade de cada um, e quebrar regras quando se percebe que eles ainda não estão preparados para lidar com elas. É importante considerar que regras são diferente da rotina, e os bebês precisam de rotina para se sentirem estáveis.

No contexto em as rupturas são frequentes e muitas vezes inevitáveis, é importante conversar com os bebês sobre elas, e possibilitar a realização de rituais de despedida, seja para os bebês, para as crianças e para os educadores que deixam e ficam na casa.

Como reflexões sobre o trabalho de educadores e técnicos do serviço de acolhimento com os bebês, Cristina ressaltou a importância de evitar julgamentos com relação às famílias, bem como o cuidado com os “não ditos”, e alinhamento entre a equipe.

Beia relatou que a massagem contribui para o vínculo entre pais e/ou cuidadores com o bebê, que se dá através do olhar, do toque, do cheiro, do som e etc. Relatou ainda que é importante estar atento aos sinais de engajamento que o bebê apresenta, que são positivos para a interação através da massagem, e as consequências negativas decorrentes da não percepção destes sinais para a interação.

 Beia também enfatizou a importância da continuidade dos cuidadores nos cuidados dos bebês para a organização e estabilidade emocional, além da importância de se conversar com os bebês e poder ajudá-los a nomear sentimentos.

 Após as apresentações das especialistas, os participantes reuniram-se em grupos para discutir sobre os desafios e boas práticas relacionadas aos cuidados com os bebês. As boas práticas emergidas dos grupos foram:

- Atuação multidisciplinar nos serviços (diferentes olhares)

- Criar oportunidades de brincar com as crianças na rotina

- Conversas com as crianças e famílias durante a aproximação para adoção

Para acessar o vídeo com os melhores momentos da Oficina, clique em:

https://www.youtube.com/watch?v=fa5qjVi5nck

 

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