No dia 24 de abril de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a sexta oficina do Projeto Redes de Conhecimento, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Espaço Comunidade Cultural Quilombaque, região de Perus. O encontro teve como tema “Cultura e arte na periferia - vozes das crianças e adolescentes” e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo. As especialistas convidadas para essa oficina foram as integrantes da Cia Muvuca: Samanta Biotti – atua desde 2008 desenvolvendo projetos de literatura e artes em escolas, Fábricas de Cultura e na Fundação CASA. É pedagoga, cofundadora do Sarau da Brasa, Cia Muvuca e do Centro de Memória – Nascentes da Brasa. Desenvolve formações em São Paulo e Santo André sobre a primeira infância, o brincar, ética e o papel do educador social, além de palestras sobre assédio institucional e as Leis 10.639/03 e 11.645/08. Idealizadora do projeto “Letra é Treta” (letramento socioeducativo), é também escritora e poeta, autora de “O Boldo que queria ser melancia”. Com textos publicados na Argentina e no Chile, levou sua voz à Feira do Livro de Buenos Aires e ao Encontro de Poesia Hablada em Havana, Cuba; e Sthefânia Carvalho: Psicóloga e especialista em psicanálise com crianças. Batuqueira e brincante. Mãe. Trabalhadora do SUS com enfoque em atenção psicossocial e promoção de saúde coletiva. Integrante do grupo de trabalho e pesquisa SUSTENTAR - Infâncias, psicanálise e saúde pública. No campo da cultura, integra diversos coletivos que articulam arte, infâncias, educação, território, e garantia de direitos: Cia MUVUCA, Revoada Cantante, Sarau da Brasa e Cordão Carnavalesco do Samba do Congo.
O encontro foi permeado por vivências envolvendo os sentidos dos participantes, o canto e os tambores, além das falas das especialistas, que foram bastante mobilizadoras para todo o grupo. Sthefânia iniciou trazendo questões importantes sobre a escuta das crianças e adolescentes no cotidiano dos serviços de acolhimento e as possibilidades de expressão através da arte e cultura. Contou sobre sua experiência na realização de saraus como um recurso para propiciar essa expressão de histórias e experiências. Abordou também os desafios de sustentar a escuta no cotidiano - por conta das demandas diversas dos trabalhadores - ressaltando que ela não é feita somente por psicólogas, e sim por toda a equipe. As falas das crianças e adolescentes muitas vezes vêm através de seus comportamentos desafiadores e é importante a equipe poder fazer essa leitura para acolher e ajudar a transformar o que sentem em palavras ou outras formas expressivas.
Samanta relatou suas experiências em projetos culturais com crianças e adolescentes em uma fala permeada por seus poemas e intervenções. A partir de sua história, traz seus conceitos de arte e cultura - como e porque fazemos arte. Segundo ela, a arte pode servir para um universo de coisas - ampliar perspectivas e talvez fazer com que aceitemos nosso sofrimento de forma mais branda, acolher os processos com tempo de contemplação. A cultura se relaciona às formas como age, pensa, dialoga. Ela pode ser - e é - constantemente modificada.
A partir das apresentações, os trabalhadores foram levados a refletir sobre as possibilidades de construção de espaços de arte, cultura e expressão no cotidiano. Foi uma manhã de inspiração e reflexão. Assista a oficina na íntegra!