O dia 31 de maio foi a data escolhida para celebrar o Dia Mundial do Acolhimento Familiar.
Um marco que nos convida a direcionar o olhar para a importância de construir uma nova lógica de cuidado para crianças e adolescentes.
O Serviço de Acolhimento Familiar surge como uma alternativa ao acolhimento institucional e tem como objetivo ampliar o cuidado individualizado às crianças e aos adolescentes, reconhecendo suas histórias de vida e respeitando seus desafios e potencialidades singulares. Previsto na política pública de proteção à infância e à adolescência, esse serviço busca oferecer um ambiente de cuidado mais próximo e acolhedor, fortalecendo vínculos afetivos e promovendo o desenvolvimento integral de cada criança e adolescente.
A oferta de um olhar exclusivo para o momento de maior vulnerabilidade da vida de uma criança ou adolescente não impede que existam marcas de suas vivências, mas pode contribuir para a construção de experiências mais seguras e acolhedoras, com potencial reparador diante das situações de fragilidade vividas. Além disso, favorece a valorização das experiências afetivas e dos vínculos construídos ao longo de sua trajetória, especialmente junto à família de origem.
Cada criança e adolescente afastado/a de seu lar e de sua família constitui um universo particular, com uma trajetória única, marcada por vivências, vínculos e necessidades singulares.
Cada um carrega uma semente.
Sementes carregam dentro de si um “vir a ser”: uma genética, uma história e uma potência para o crescimento. Assim como o Serviço de Acolhimento Familiar propõe um cuidado mais individualizado e atento, é preciso reconhecer e acolher a singularidade presente em cada semente.
Sementes precisam de semeadura, e é nesse cenário que se tornam fundamentais as Famílias Acolhedoras: as verdadeiras semeadoras.
Quando uma semente encontra um semeador, inicia-se um processo de florescimento. Faz-se, então, o acolhimento: a ação de A-COLHER. No contexto do acolhimento familiar, isso significa oferecer proteção, escuta, convivência e segurança emocional durante um período de grande vulnerabilidade.
No tempo certo, essa semente germinará, crescerá e florescerá. Segura, essa flor saltará aos olhos distraídos, revelando a potência do cuidado, da boa semeadura e da colheita.
É preciso minúcia, entrega, afeto e apreço para cuidar de cada semente conforme aquilo de que ela necessita.
Não se semeia girassol como se semeia amor-perfeito. Cada semente deve receber o cuidado específico de que precisa. Assim também acontece com cada criança e adolescente: cada um possui necessidades, tempos e formas únicas de se desenvolver.
Daquele pequeno grão-criança-adolescente, não se sabe ao certo o que nascerá. Mas o cuidado, a rega e a dedicação no fazer crescer potencializam aquilo que existe dentro dele/a. O acolhimento não apaga as marcas das experiências vividas, mas pode criar condições para que novas experiências de cuidado, confiança e pertencimento contribuam para seu desenvolvimento.
E, para cada nova semente-criança-adolescente, permanece a confiança de que, quando ofertado o cuidado adequado, uma linda flor virá a florescer.