No dia 15 de abril de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a décima oficina do Projeto Formação em Redes, iniciativa apoiada pelo FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Instituto Pólis. Com o tema “Como construir regras e limites no serviço de acolhimento sem negociar o cuidado?”, o encontro reuniu profissionais dos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo para uma reflexão profunda sobre práticas de cuidado, convivência e proteção.
A oficina foi conduzida por Camila Gibin Melo, educadora popular, assistente social, doutora em Serviço Social e professora da FAPSS/SCS. Atuante nas lutas territoriais e abolicionistas penais, Camila coordena o Núcleo Samaúma, onde desenvolve formação para equipes do SUAS e do SUS. É também autora do livro Acumulação do Capital, Infância e Adolescência: um estudo sobre ser criança no capitalismo.
Logo no início, Camila convidou os participantes a refletir sobre sua própria relação com regras e limites e como essas questões atravessam o cotidiano do trabalho socioassistencial. A partir dessa provocação, apresentou uma análise histórica e teórica dos mecanismos de punição e controle social, destacando como determinadas lógicas punitivistas foram sendo construídas e naturalizadas ao longo do tempo, especialmente no contexto da sociedade capitalista, em que a disciplina e a adequação às normas ocupam um papel central.
Camila apresentou contribuições do antiproibicionismo e da educação popular - perspectivas que problematizam práticas de controle e tutela e defendem a construção de relações baseadas no diálogo, na participação crítica e no reconhecimento das pessoas como protagonistas de suas próprias trajetórias. A partir dessas referências, os participantes foram convidados a pensar sobre os desafios de construir regras e limites nos serviços de acolhimento sem abrir mão do cuidado, da garantia de direitos e do respeito às singularidades de cada sujeito.
Mais do que oferecer respostas prontas, o encontro abriu espaço para reflexões fundamentais sobre as práticas institucionais e sobre a possibilidade de construir intervenções cada vez mais comprometidas com a escuta, a autonomia e a proteção integral de crianças, adolescentes e suas famílias.
Confira o vídeo com a oficina completa: