No dia 20 de maio de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a décima segunda oficina do Projeto Formação em Redes, iniciativa apoiada pelo FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Instituto Pólis. Com o tema “Diagnóstico ou rotulação? Reflexões e práticas sobre a medicalização nas infâncias e adolescências" e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, na Rede Socioassistencial e no Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.
A oficina contou com a participação de Flávia Cézari, Psicóloga e Psicanalista, graduada e mestranda em Psicologia Clínica no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, membro associado do Departamento Formação em Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae e pesquisadora das infâncias e adolescências vulnerabilizadas.
Flávia iniciou o encontro com reflexões sobre a importância de observar as situações de desproteção das infâncias e juventudes, destacando os desafios atuais das políticas públicas de saúde em atender números cada vez mais expressivos relacionados aos diagnósticos de transtornos e de dificuldades comportamentais entre crianças e adolescentes.
A convidada destaca que é necessário considerar alguns eixos antes de traçar algum diagnóstico e que perguntas como: “A pessoa possui um trabalho?”, “Como estão suas relações com a família?”, “Em que contexto ela está vivendo?”, podem ser instrumentos metodológicos antes de rotular comportamentos ou experiências por meio de um diagnóstico. Muitas vezes, comportamentos relacionados ao sofrimento social são compreendidos apenas como sintomas individuais.
A oficina apresentou os conceitos de medicalização e a diferença entre transtorno e sofrimento mental, abordou sobre os desafios atuais no uso da medicalização como uma alternativa em contornar problemas de outras ordens, a busca de soluções rápidas para os problemas através do uso expressivo de medicamentos.
Dessa forma, Flávia nos convida a refletir sobre quais práticas pedagógicas e de cuidado podem tornar-se mais acolhedoras e menos normatizadoras e da importância de que crianças e adolescentes possam ser vistos a partir de suas potencialidades, e não de diagnósticos.
Confira o vídeo com a oficina completa: