No dia 26 de junho de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a nona oficina do Projeto Formação em Redes, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), na Embaixada Preta - Casa Preta Hub. O encontro teve como  tema “Pensando o Acolhimento Familiar: Reflexões e práticas sobre medicalização das infâncias”, o encontro reuniu profissionais dos Serviços de Acolhimento Familiar, famílias acolhedoras e trabalhadores da Rede Socioassistencial e do Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a participação de Mariana Desenzi, psicanalista, graduada e mestre em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP. Mariana foi trabalhadora do SUS entre 2015 e 2025, atuou como coordenadora e supervisora de Cursos de Aprimoramento e Estágios Extracurriculares da PUC-SP entre 2021 e 2024, é membra do Laço Analítico/Escola de Psicanálise e atua como supervisora clínica.

Ao longo do encontro, Mariana Desenzi nos convidou a olhar com mais cuidado para os sentidos de medicalização e patologização e para a forma como nomeamos o sofrimento de crianças e adolescentes. Em muitas situações, comportamentos e sentimentos próprios da experiência humana podem ser rapidamente interpretados como sintomas ou problemas a serem tratados. Embora o saber médico possa ser um importante recurso de cuidado e a medicação possa, em alguns casos, contribuir para amenizar sofrimentos, ela não é o único caminho possível. Antes de reduzir uma experiência a um diagnóstico, é importante escutar o que aquela criança ou adolescente está vivendo, considerando sua história, seus vínculos, sua forma singular de expressar sentimentos e as condições que atravessam sua vida.

Essa reflexão também nos levou a pensar sobre a ambiência, os vínculos e as condições concretas de vida como parte fundamental do cuidado em saúde mental. Cada criança e adolescente possui recursos diferentes para lidar com as experiências e, por isso, mesmo quando vivem situações semelhantes, suas formas de responder podem ser muito distintas. Garantir direitos como moradia, saúde, educação, lazer e convivência familiar e comunitária também é cuidar. 

Nesse sentido, a oficina reforçou a importância de uma atuação multiprofissional e articulada em rede, capaz de reunir diferentes olhares e construir respostas menos naturalizadas e mais sensíveis à complexidade de cada situação. Mais do que buscar respostas prontas, trata-se de sustentar a escuta, ampliar as possibilidades de cuidado e reconhecer cada criança e adolescente em sua singularidade e em sua história.

Confira o vídeo com a oficina completa