OFICINA - “Adoção - boas práticas e desafios”

OFICINA - “Adoção - boas práticas e desafios”

No dia 20 de março de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a quinta oficina do Projeto Redes de Conhecimento, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Espaço Comunidade Cultural Quilombaque, região de Perus. O encontro teve como tema “Adoção - boas práticas e desafios” e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

As especialistas convidadas para essa oficina foram: Ana Clara Fusaro Rodrigues - Psicóloga (UFTM), Mestre em Psicologia Clínica (IP/USP) e Especialista em Psicoterapia Psicanalítica (CEPSI Ryad Simon). Atualmente é Vice-presidente da Associação de Psicoterapia Psicanalítica de São Paulo (APP). Desde 2022 atua pelo IFH no Projeto EI-3 - Impactos de Intervenções sobre a Institucionalização Precoce - dedicando-se ao fortalecimento de vínculos entre bebês acolhidos e seus cuidadores. De 2016 a 2021 esteve na coordenação de grupos preparatórios com pretendentes à adoção e rodas de conversa com pais adotivos nas universidades UFTM e USP. Segue trabalhando com a temática da adoção em consultório particular, através do projeto Entrelaços, que inclui atendimento clínico, grupos de estudo e supervisão; e Larissa Alves: jornalista, bacharela em direito e dramaturga. Filha adotiva, é co-fundadora da Associação Brasileira de Pessoas Adotadas (ADOTIVA) e do Adotivas podcast, além de idealizadora do projeto @olharadotivo nas redes sociais.

Ana Clara inicia a oficina trazendo dados do CNJ sobre os pretendentes à adoção e as escolhas que colocam sobre o perfil da criança que vão receber. Observa que isso leva muitas vezes a idealizar o filho que vai chegar. É importante avaliar o quanto de fato a família está preparada para receber a criança real, aceitando que ela não nasceu naquele momento e tem uma história pregressa particular. O processo de aproximação deve ser gradual, respeitando o tempo das crianças. O papel do educador e família acolhedora nesse processo é fundamental, pois são quem mais tem informações sobre as crianças no cotidiano. Com relação ao trabalho com as crianças e adolescentes, é importante validar e acolher todas as suas expressões, seja por falas ou comportamentos. A adoção é, para a criança ou adolescente, um processo de transição bastante delicado e não pode ser feito de forma abrupta.

Larissa inicia contando sua trajetória como pessoa adotada, a importância da história de vida e a falta de informações sobre essa experiência particular. A partir da conversa com outras pessoas adotadas, passou a se entender melhor e entender as informações importantes a serem elaboradas desse processo. Criaram nesse processo a Associação Brasileira de Pessoas Adotadas. Existem lacunas como por exemplo a falta de espelhamento genético e informações sobre a ancestralidade. Larissa compara a adoção a um processo de migração e os adotivos aos refugiados. Fala também sobre os direitos às origens e ao desejo comum dos adotivos de terem esse conhecimento de onde vieram - apesar do medo de decepcionar a família adotiva. Finaliza trazendo a ideia de que a adoção existe como reflexo de um problema social.

Assista a oficina na íntegra!

OFICINA – "O Trabalho com história de vida”

OFICINA – "O Trabalho com história de vida”

No dia 27 de fevereiro  de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a décima oficina do Projeto Formação em Redes, com o apoio do FUMCAD, na Embaixada Preta - Casa Preta Hub. O encontro teve como tema “O trabalho com histórias de vida” Serviços de Família Acolhedora, Famílias Acolhedoras vinculadas aos serviços e a Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a participação de Renata Pante, formada em Arquitetura e Urbanismo pela USP e mestre em Museologia pela mesma instituição. Possui experiência em gestão, organização de acervos e projetos de memória, atuando desde 2018 no Museu da Pessoa, onde coordena o Centro de Educação, Memória e Pesquisa.

Renata  apresentou o trabalho desenvolvido pelo Museu da Pessoa, um museu virtual e colaborativo criado em 1991, que tem como objetivo registrar, preservar e divulgar histórias de vida de pessoas comuns, transformando essas histórias em patrimônio cultural e memória coletiva. Diferente dos museus tradicionais, seu acervo não é composto por objetos, mas por narrativas de vida em formato de vídeos, áudios, textos e fotografias. O trabalho do museu envolve entrevistas e projetos de memória em comunidades, escolas e organizações sociais, valorizando a identidade, a cultura e a história das pessoas e dos territórios. Sua metodologia, chamada Tecnologia Social da Memória, permite que grupos e comunidades registrem suas próprias histórias, fortalecendo vínculos, identidade e pertencimento social.

A oficina possibilitou reflexões importantes, considerando a realidade dos serviços de acolhimento. As crianças e adolescentes acolhidos vivenciam rupturas, perdas e mudanças que podem fragmentar sua identidade e sua memória. O trabalho com a história de vida, por meio de atividades como livro da vida, linha do tempo, registro de memórias e escuta das narrativas, contribui para a construção da identidade, o fortalecimento da autoestima e a elaboração das experiências vividas no acolhimento.

Por fim, os participantes puderam fazer perguntas sobre o processo de escuta, organização das histórias de vida e demais dúvidas relacionadas ao tema. Assim como o Museu da Pessoa preserva memórias e histórias como patrimônio, o trabalho nos serviços de acolhimento ajuda a criança e o adolescente a organizar sua própria história, compreender sua trajetória e se reconhecer como sujeito de direitos e de história.

Confira o vídeo com a oficina completa:

“O trabalho com grupo de irmãos - tecendo redes para preservar o convívio familiar”

“O trabalho com grupo de irmãos - tecendo redes para preservar o convívio familiar”

No dia 27 de fevereiro de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a quarta oficina do Projeto Redes de Conhecimento, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Espaço Cultural Moringa, região do Butantã. O encontro teve como tema “O trabalho com grupo de irmãos: tecendo redes para preservar o convívio familiar” e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

As especialistas convidadas para essa oficina foram Lara Naddeo: psicóloga (PUC-SP),  mestre em intervenção psicossocial (Univ. de Barcelona), com formação em psicanálise da perinatalidade e parentalidade pelo Instituto Gerar. Atuou por mais de 10 anos no universo do acolhimento de crianças e adolescentes através de seu trabalho no Instituto Fazendo História. É coautora do Guia de Acolhimento Familiar e, atualmente, trabalha em consultório, atua como doula de adoção e desenvolve consultorias e projetos na área do acolhimento e da primeira infância; e Fê Lopes: Psicóloga clínica, palestrante, comunicadora  com foco em gênero, raça parentalidades e infâncias. Atua na promoção de saúde emocional com perspectiva interseccional. É co-criadora da I Semana de Apoio à Amanda Negra no Brasil (2020), iniciativa pioneira.

Juntas, iniciaram com uma dinâmica para os participantes, pedindo que escrevessem o que desejavam e sonhavam para a relação de seus filhos ou o que achavam que seus pais desejavam para a relação deles com seus irmãos. Lara também trouxe uma matéria falando do reencontro por acaso de irmãos que foram adotados separadamente e não sabiam. A partir dessas informações, as especialistas discutiram o direito da convivência entre irmãos e o direito à história de vida e à participação das crianças e adolescentes em seus processos. Problematizaram também as definições sobre vínculo, que inclui também conflitos e momentos de maior proximidade ou separação. Fê traz aspectos sobre o que significa ser irmãos, compartilhar a mesma história.  É importante trabalharmos a idealização que se tem do modelo de família perfeita, que não se aplica na realidade - cada caso é um caso e deve ser trabalhado em suas especificidades.

No momento final da oficina, foram realizadas discussões de casos em grupos, pensando-se em estratégias para o trabalho nos serviços de acolhimento com grupos de irmãos e também nos casos em que as separações são inevitáveis.

Confira o vídeo com a oficina completa:

PLANO ANUAL INSTITUTO FAZENDO HISTÓRIA - SERVIÇOS SELECIONADOS

PLANO ANUAL INSTITUTO FAZENDO HISTÓRIA - SERVIÇOS SELECIONADOS

É com muita alegria que divulgamos os 14 serviços de acolhimento selecionados para participar do projeto Plano Anual Instituto Fazendo História, que contempla serviços da cidade de São Paulo.

Confira as unidades selecionadas:

  • SAICA Ariano Suassuna

  • SAICA Luz do Milênio I

  • SAICA Florescer

  • Lar Batista de Crianças - Aclimação

  • SAICA AVANTE

  • SAICA Casa do PAC II

  • SAICA CIDADE ADEMAR ABECAL II

  • MAESP - Mov.Assist.aos Encarcerados do Est.SP.

  • SAICA Lar Batista M´Boi Mirim

  • SAICA LIGIA DOMINGUES

  • SAICA Nossa Senhora da Penha de França

  • SAICA Abecal Capela do Socorro

  • SAICA Frida Kahlo

  • SAICA Casarão Brasil

Ao longo do projeto, o Instituto oferecerá formação, materiais e suporte técnico para que os serviços implementem, em seu cotidiano, a metodologia do Fazendo Minha História, além da construção de um espaço de leitura com livros infantis e juvenis e da disponibilização de álbuns para o registro das histórias de bebês, crianças e adolescentes.

Parabéns aos serviços selecionados. Estamos muito felizes em fazer história com vocês!

OFICINA – "A infância em risco em São Paulo: Leituras e estratégias para 2026”

OFICINA – "A infância em risco em São Paulo: Leituras e estratégias para 2026”

No dia 20 de janeiro de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a décima oficina do Projeto Formação em Redes, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Instituto Pólis. O encontro teve como tema "A infância em risco em São Paulo: Leituras e estratégias para 2026” e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a participação de Camila Gibin Melo - educadora popular, assistente social e pós-graduanda em Arteterapia, atua por lutas territoriais e abolicionistas penais. É doutora em Serviço Social, professora da FAPSS/SCS e coordenadora do Núcleo Samaúma, onde realiza formações para equipes do SUAS e do SUS. Autora do livro "Acumulação do Capital, Infância e Adolescência: um estudo sobre ser criança no capitalismo", da editora Lutas Anticapital.

A convidada iniciou o encontro propondo uma análise de conjuntura sobre os indicadores sociais relacionados às crianças e adolescentes no Brasil e como podem impactar o Sistema de Garantia de Direitos voltadas à população infantil como um todo. Partindo do levantamento, destacou como estes dados podem revelar a permanência de diversas formas de violências e violações sendo cometidas contra crianças e adolescentes. Também revelam a continuidade de uma sociedade adultocêntrica - que compreende a organização social somente a partir dos adultos sem considerar as demandas das crianças e adolescentes - e as fragilidades na garantia das legislações protetivas que estão preconizadas no Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA. Além disso, pontuou sobre a importância em construir espaços coletivos de lutas e de reconhecer as crianças e adolescentes como sujeitos políticos e de direitos, que também podem produzir resistência.

Camila propôs uma atividade coletiva para pensar análises possíveis a partir dos dados sobre o cenário atual relacionado às crianças e adolescentes e estratégias viáveis para a superação das violências. Destacou, contudo, que crianças e adolescentes também produzem resistência e apontou como tarefa política fundamental ampliar o diálogo com as crianças sobre questões  raciais, favorecendo processos de identificação e consciência crítica.


Confira o vídeo com a oficina completa:

OFICINA - “Saúde mental: a escuta das crianças e adolescentes”

OFICINA - “Saúde mental: a escuta das crianças e adolescentes”

No dia 29 de janeiro de 2026, o Instituto Fazendo História realizou a terceira oficina do Projeto Redes de Conhecimento, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Centro Cultural Butantã. O encontro teve como tema “Saúde mental: a escuta das crianças e adolescentes” e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

Os especialistas convidados para essa oficina foram Kwame Yonatan - Psicanalista, pós-doutor pela USP e doutor pela PUC-SP, supervisor  clínico e institucional, professor no Instituto Gerar, Centro de Estudos Psicanalíticos e na Casa do Saber, poeta e escritor,  possui quatro livros publicados: "Transverso", "Nasce um desejo", "Feliz para sempre?", "Por um fio: uma escuta das diásporas pulsionais". Em 2018, ganhou o prêmio "Jonathas Salathiel", promovido pelo CRP-SP. Tem experiência profissional em políticas públicas. Atualmente, também compõe o coletivo Margens Clínicas e é um dos articuladores do projeto "Aquilombamento nas Margens". Capoeirista do grupo Angoleiros do sertão. Pai da Kalihe Harumi e Dayô Maru; e Michele Borges, Psicóloga,  Psicanalista,  Membra do Fórum do Campo Lacaniano de SP e RJ Mestra e Doutoranda em Psicologia Social na PUC-SP no Núcleo de Psicanálise e Sociedade, Pesquisadora do NCAF- SGD da PUC-SP,  Mestranda em Ciências Sociais da FLACSO Argentina.

Kwame iniciou o encontro pontuando o fenômeno atual de patologização em massa e popularização do tema saúde mental, que pode banalizar a forma de tratarmos o problema, desconsiderando a complexidade de cada caso e a história de cada sujeito.  Dessa forma desloca a discussão sobre saúde mental do campo individual para o campo relacional. Kwame problematiza o crescimento excessivo da medicalização como forma de lidar com questões de saúde mental, perdendo espaço assim a palavra como forma de lidar com os conflitos e sintomas. Qual sentido se produz para os impasses e sofrimentos?

Michele traz em sua fala a questão mais específica dos serviços de acolhimento, problematizando o efeito das situações  vividas por essas crianças e adolescentes em sua saúde mental. Michele aponta a dificuldade das equipes em acolher a agressividade e comportamentos desafiadores, tentando muito mais docilizar corpos do que de fato tratar os problemas. Os comportamentos das crianças e adolescentes estão sempre relacionados à questões vividas em suas histórias - são uma forma de se comunicar e pedir ajuda. Para além das violências vividas, existe nesses casos uma forte presença da violência de Estado vivida pelas famílias pobres e em maioria negras. Qual é o impacto dessas questões na saúde mental? Como escutamos as crianças e adolescentes e também as equipes?

O diálogo entre os especialistas e com os participantes foi bastante provocativo, permitindo ampliar bastante a discussão - para além das questões individuais e comportamentos problemáticos - situando a discussão sobre o tema em um contexto social, racial, de classe e gênero.

Confira o vídeo com a oficina completa:


OFICINA - “Nascer, crescer e adolescer - perspectiva indígena”

OFICINA - “Nascer, crescer e adolescer - perspectiva indígena”

No dia 26 de novembro de 2025, o Instituto Fazendo História realizou a segunda oficina do Projeto Redes de Conhecimento, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), na Associação Comercial de São Paulo – Comarca Butantã. O encontro teve como tema “Nascer, crescer e adolescer: Perspectiva indígena”. E foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a presença de duas lideranças indígenas, Werá Alcides - liderança da Aldeia Nhanderekoa, T.I. Itanhaém SP, educador, artesão, palestrante sobre a cultura do seu povo, desempenhou o trabalho de agente ambiental no território Indígena Tenonde Porã , com foco da recuperação de área degradada; e Jerá Guarani - liderança da aldeia Kalipety, na T.I. Tenonde Porã, localizada do extremo Sul de SP, formada pela USP em 2008 em Pedagogia, hoje atua como Agente Ambiental, promovendo a recuperação de sementes tradicionais, recuperação de área degradadas, e realiza projetos de recuperação de florestas na T.I. Jerá também é escritora e tem um trabalho publicado pela Editora Companhia das Letrinhas, intitulado como "Nós" e um outro "Ju'i Poranduja" pela Editora FTD. Faz apontamentos e reflexões profundas sobre sua cultura, no trabalho político com as mulheres.

Alcides Werá inicia sua fala apontando que na perspectiva indígena o cuidado é coletivo. O cuidado com a mãe que acabou de ter filho, o cuidado do bebê que acabou de chegar, das infâncias e adolescências será sempre coletivo. Aponta que na sociedade não-indígena, a escola se torna o único espaço que promove essa vivência grupal.

Jerá Guarani traz um olhar interseccional ao tema, apontando para a diferenciação dos papéis de gênero ainda dentro da cosmovisão indígena. Refere o quanto a influência das tecnologias e acesso ao mundo “fora” da comunidade indígena tem interferido na saúde mental e desenvolvimento das crianças, adolescentes e suas famílias, como a ingestão de bebidas alcoólicas, drogas e necessidades de consumo. Complementa dizendo que os jovens das aldeias já estão submersos na cultura não-indígena, cabe a comunidade saber flexibilizar, compreendendo os desejos/ necessidades dos jovens, mas dentro dos preceitos indígenas. Cita por exemplo, a possibilidade da realização de bailes na aldeia, porém não é permitido o uso de álcool e drogas, pois isso não é da cultura indígena.

Jerá conta que não há possibilidade, dentro da cultura indígena, de encontrar uma pessoa em situação de rua, não existe “sem-teto”. Caso, haja alguém em vulnerabilidade ou com dificuldades, alguém irá acolher, a comunidade vai cuidar.

Confira o vídeo com a oficina completa:



OFICINA – “Cultura e arte como dispositivos para o enfrentamento de violências e desigualdades sociais”. 

OFICINA – “Cultura e arte como dispositivos para o enfrentamento de violências e desigualdades sociais”. 

No dia 05 de novembro de 2025, o Instituto Fazendo História realizou a primeira oficina do Projeto Redes de Conhecimento, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), na Associação Comercial de São Paulo – Comarca Butantã. O encontro teve como tema “Cultura e arte como dispositivos para o enfrentamento de violências e desigualdades sociais”. e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com as participações de Francisco Cesar Rodrigues - graduado em Comunicação Social pela Universidade Brás Cubas de Mogi das Cruzes e mestre em Serviço Social pela PUC/SP, aposentado, destina parte do seu tempo à formação de equipes na área social e cultural, supervisão técnica e a trabalhos voluntários nos movimentos juvenis de cultura periférica, como articulador e mobilizador cultural; e de Vagner Souza - educador popular e analista institucional, atuante no Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes desde 2003. Nesse tempo já foi educador em SAICA, arte educador na Fundação Casa, coordenador de SAICA e, desde 2011, atua como supervisor institucional e formador.

Francisco falou sobre sua trajetória, a mudança na tipificação dos serviços de garantia de direitos para crianças e adolescentes e a transição paradigmática do olhar enviesado pelo extinto Código de Menores (Código Mello Mattos), para a perspectiva do ECA. Apontou o papel fundamental da arte e cultura no desenvolvimento das crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidades. 

Vagner contou sobre sua trajetória no CRECA e os pressupostos que construíram para notar as potências dos meninos e meninas, mudar a perspectiva do confronto físico para o confronto verbal. A palavra foi ocupando o lugar das agressões e os vínculos reais fortaleceram a relação e sentimento de pertença dos jovens do grupo. Se debruçaram nas artes que rodeavam os meninos e meninas, o funk como poesia cantada, ampliando para a literatura, manipular livros, contar histórias antes de dormir para as crianças e adolescentes. A aposta na abstração das histórias os incentivava a escrever suas próprias histórias - realidade ou ficção. Decidiram juntar essas histórias e lançar um livro, com direito a noite de autógrafo. 

“Como os saberes são considerados válidos, ou não?”. O olhar das equipes é fundamental para o reconhecimento das potências, entendendo que a arte é uma das possibilidades de saída dos serviços sociais.

Confira o vídeo com a oficina completa:



OFICINA – "Vínculo e cuidado no acolhimento: Construindo caminhos para o desenvolvimento infantil”

OFICINA – "Vínculo e cuidado no acolhimento: Construindo caminhos para o desenvolvimento infantil”

No dia 03 de dezembro de 2025, o Instituto Fazendo História realizou a nona oficina do Projeto Formação em Redes, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Instituto Pólis. O encontro teve como tema "Vínculo e cuidado no acolhimento: Construindo caminhos para o desenvolvimento infantil” e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a participação de Ana Clara Fusaro Rodrigues, psicóloga (UFTM), especialista em Psicoterapia Psicanalítica (CEPSI Ryad Simon) e mestre em Psicologia Clínica (IP/USP). Atua no Instituto Fazendo História, no Projeto EI3 – Impactos de Intervenções sobre a Institucionalização Precoce, dedicando-se ao fortalecimento de vínculos entre crianças e cuidadores em contextos de acolhimento institucional e familiar e à promoção do desenvolvimento infantil.

A convidada iniciou o encontro compartilhando sobre sua participação em uma pesquisa internacional que tem como objetivo identificar qual é o impacto do acolhimento institucional e familiar no processo de desenvolvimento de bebês de zero a dois anos de idade. Além disso, pontuou sobre a importância do programa de intervenção de fortalecimento de vínculos entre os cuidadores e crianças em acolhimento.

Ana também destaca a relevância em observar o desenvolvimento sensorial e cognitivo, pontos importantes como: o olhar atento e cuidadoso por parte dos educadores, a função lúdica da voz como um elemento importante na comunicação e na escuta ativa, a dimensão do contato físico que também pode ser um fator de regulador emocional e da importância do brincar na perspectiva da construção de vínculos. 

Por fim, a profissional reforçou que os cuidadores precisam possuir identificação com o trabalho que é desenvolvido nos serviços de acolhimento institucional, desta forma, será possível garantir o cuidado integral e fortalecimento de vínculos entre os cuidadores e crianças, garantindo que os processos de desenvolvimento sejam mais saudáveis.

Confira o vídeo com a oficina completa: 

Oficina: Pensando o acolhimento familiar: O papel do vínculo no desenvolvimento das crianças

Oficina: Pensando o acolhimento familiar: O papel do vínculo no desenvolvimento das crianças

No dia 12 de dezembro de 2025, o Instituto Fazendo História realizou a nona oficina do Projeto Formação em Redes, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), na Embaixada Preta - Casa Preta Hub. O encontro teve como tema "Pensando o acolhimento familiar: O papel do vínculo no desenvolvimento das crianças” e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a participação de Ana Clara Fusaro Rodrigues, psicóloga (UFTM), especialista em Psicoterapia Psicanalítica (CEPSI Ryad Simon) e mestre em Psicologia Clínica (IP/USP). Atua no Instituto Fazendo História, no Projeto EI3 – Impactos de Intervenções sobre a Institucionalização Precoce, dedicando-se ao fortalecimento de vínculos entre crianças e cuidadores em contextos de acolhimento institucional e familiar e à promoção do desenvolvimento infantil.

A convidada compartilhou sobre sua participação em uma pesquisa internacional que tem como objetivo identificar qual é o impacto do acolhimento institucional e familiar no processo de desenvolvimento de bebês de zero a dois anos de idade. Além disso, pontuou sobre a importância do programa de intervenção de fortalecimento de vínculos entre os cuidadores e crianças em acolhimento.

Ana descreveu os principais processos de desenvolvimento na primeira infância e a necessidade de práticas que estimulem as habilidades motoras, sensoriais e cognitivas dos bebês. Trouxe experiências de situações de negligência em acolhimento institucional e os efeitos nocivos nos processos de desenvolvimento de crianças acolhidas. Propôs uma dinâmica em grupo para refletir sobre a importância do olhar como um elemento significativo na construção de vínculos mais saudáveis, destacando que o olhar é uma das primeiras formas de comunicação entre crianças e adultos e que precisa ser cuidadoso e receptivo.

Por fim, a profissional reforçou a importância do diálogo entre as equipes de profissionais e famílias acolhedoras e que ambos precisam ter identificação e desejo genuíno em contribuir com o processo de cuidado a fim de garantir um desenvolvimento mais sadio de crianças e adolescentes em acolhimento institucional.

Confira o vídeo com a oficina completa:

OFICINA – "Parâmetros éticos e políticos para educadores sociais: gênero, raça e classe no cotidiano do acolhimento”

OFICINA – "Parâmetros éticos e políticos para educadores sociais: gênero, raça e classe no cotidiano do acolhimento”

No dia 19 de novembro de 2025, o Instituto Fazendo História realizou a oitava oficina do Projeto Formação em Redes, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Instituto Pólis. O encontro teve como tema "Parâmetros éticos e políticos para educadores sociais: gênero, raça e classe no cotidiano do acolhimento” e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a participação de Samara Xavier, pernambucana, nerd, educadora popular, professora da pós-graduação Gestão e Serviços do SUAS da Fapcom, formadora da PAULUS Social e da Social Soluções.

A convidada iniciou o encontro propondo uma análise sobre a política pública de proteção integral no cuidado de crianças e adolescentes em serviços de acolhimento, provocando sobre a importância de identificar quais são os perfis de famílias atendidas e dos trabalhadores que atuam como educadores sociais no Sistema Único da Assistência Social - SUAS. Além disso, pontuou sobre como as temáticas de raça, classe e gênero podem trazer impactos no cotidiano do acolhimento institucional.

Na sequência, foi proposta atividade em grupos, onde foi sugerido a construção do mapa de percepções sobre os marcadores de raça, classe e gênero e como os participantes identificam esses determinantes sociais em seu cotidiano profissional.

Um ponto destacado por Samara foi sobre dados relevantes de pesquisas sobre desigualdade de gênero em ambientes escolares. Ressaltou sobre a importância de que os educadores sociais possam atuar tendo em vista os parâmetros éticos que incluem respeito, justiça social e dignidade humana, e parâmetros políticos focados na transformação social e na atuação dentro das políticas públicas.

Dessa forma, Samara nos convida a refletir sobre a necessidade de atuação profissional mais ética e politicamente consciente, que o reconhecimento dos parâmetros de raça, classe e gênero possam garantir que os educadores sociais não apenas transmitam conhecimento ou ofereçam suporte pontual, mas que seja possível reconhecer e pensar em estratégias de enfrentamento às desigualdades estruturais.

Confira o vídeo com a oficina completa:

OFICINA – "Pensando o Acolhimento Familiar:  O impacto da violência na saúde mental de crianças.”

OFICINA – "Pensando o Acolhimento Familiar: O impacto da violência na saúde mental de crianças.”

No dia 31 de outubro de 2025, o Instituto Fazendo História realizou a quarta oficina do Projeto Formação em Redes, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), na Embaixada Preta - Casa Pretahub. O encontro teve como tema: "Pensando o Acolhimento Familiar: O impacto da violência na saúde mental de crianças." Este encontro foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Famílias Acolhedoras e Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a participação de Juliana Gomes: psicóloga clínica e institucional, mestre e doutoranda em psicologia pela UFRRJ, pesquisadora da primeira infância, servidora pública e docente universitária.

A profissional iniciou o encontro estimulando a reflexão sobre violências, diretas e indiretas. Pontuou sobre a violência psicológica, como afetam as crianças e adolescentes nos serviços de acolhimentos, e a importância de ações que visam a garantia e proteção de acordo com os parâmetros estabelecidos no ECA.  

Um ponto destacado pela convidada foi sobre a diferença entre negligência e abandono, e como essa falta de entendimento pode ocasionar situações de violências e violações de direitos das crianças e adolescentes.

Juliana propôs dinâmicas de grupo entre os participantes para refletir sobre a importância das maiorias populares, formas de resistência e as estruturas de poder. Falou sobre a relevância de mapear e conhecer as resistências nos territórios, como, quais são suas potências, fragilidades e principais desafios a serem superados através da construção do Eco Mapa.   

Por fim, um desafio apresentado por Juliana é de pensar no território como um espaço de produção de sentido. As ações de cuidado da saúde mental precisam estar em movimento e articuladas em cuidado territorializado para que se possa traçar planos de acompanhamento de crianças e adolescentes mais potentes.


Confira o vídeo com a oficina completa:

OFICINA – "Estratégias e possibilidades no acompanhamento de Famílias de origem no Serviço de Acolhimento”

OFICINA – "Estratégias e possibilidades no acompanhamento de Famílias de origem no Serviço de Acolhimento”

No dia 15 de outubro de 2025, o Instituto Fazendo História realizou a quinta oficina do Projeto Formação em Redes, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Instituto Pólis. O encontro teve como tema "Estratégias e possibilidades no acompanhamento de Famílias de origem no Serviço de Acolhimento” e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a participação de Gracielle Feitosa de Loiola, assistente social do TJSP, mestre e doutora em Serviço Social, integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Crianças, Adolescentes e Famílias (NCAF/PUC-SP) e autora do livro Produção Sociojurídica de Famílias “Incapazes”: do Discurso da “Não-Aderência” ao Direito à Proteção Social.

A profissional iniciou o encontro compartilhando aspectos de sua trajetória, as inquietações a respeito dos relatos produzidos nos relatórios sobre as famílias de origem de crianças e adolescentes acolhidos, e os caminhos percorridos em suas pesquisas de mestrado e doutorado.

Um ponto destacado por Gracielle foi o quanto nossas concepções pessoais de família atravessam a prática profissional, influenciando análises e avaliações. Ressaltou a importância de desenvolver o olhar crítico e o estranhamento necessário para que o(a) profissional não imponha ao outro interpretações baseadas em valores individuais, evitando que sejam tomadas como verdades absolutas.

Por fim, Gracielle apresentou questionamentos relevantes sobre o acompanhamento das famílias: quem tem realizado esse trabalho e o que, de fato, o caracteriza. Destacou que atendimento e acompanhamento não são sinônimos e, como estratégia fundamental, mencionou o PIA (Plano Individual de Acompanhamento), problematizando a forma como ele vem sendo elaborado nos serviços.

Dessa forma, Gracielle nos convida a refletir sobre a necessidade de ressignificar as práticas no cotidiano dos serviços, fortalecendo o entendimento do acompanhamento como um processo contínuo, planejado, crítico e ético-político, comprometido com a efetiva transformação das trajetórias familiares.

Confira o vídeo com a oficina completa:





OFICINA – "Pensando o Acolhimento Familiar: Famílias & Famílias - refletindo arranjos familiares."

OFICINA – "Pensando o Acolhimento Familiar: Famílias & Famílias - refletindo arranjos familiares."

OFICINA – "Pensando o Acolhimento Familiar: Famílias & Famílias - refletindo arranjos familiares."

No dia 26 de setembro de 2025, o Instituto Fazendo História realizou a terceira oficina presencial do Projeto Formação em Redes, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no espaço Preta Hub. O encontro teve como tema: Pensando o Acolhimento Familiar: Famílias & Famílias - refletindo arranjos familiares." e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Familia Acolhedora, Famílias Acolhedoras vinculadas aos serviços e a Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a participação de Gracielle Feitosa de Loiola - assistente social no TJSP, mestre e doutora em serviço social, integrante do núcleo de estudos e pesquisas sobre crianças, adolescentes e famílias - NCAF/ PUCSP, autora do livro: produção Sociojurídica de famílias “incapazes”: do discurso da “não-aderência” ao direito à proteção social.

A profissional iniciou o encontro abordando os caminhos da sua pesquisa de mestrado e alguns relatos das famílias entrevistadas, que culminaram na escrita de seu livro. Um ponto destacado pela convidada foi que a capacidade de cuidado tem sido central nas discussões sobre o trabalho social. A produção de narrativas que descrevem algumas famílias como “incapazes” ou “negligentes” revela a maneira como as condições sociais e históricas impactam o cuidado familiar. Alguns questionamentos apresentados por Gracielle como: “Qual modelo de família tem prevalecido no cotidiano?”, “Como temos rompido com o modelo idealizado e naturalizado acerca do ser família? provocaram reflexões importantes.

Um elemento destacado pela convidada se refere à necessidade do trabalho social com famílias ser conduzido de forma crítica, ética e política. É necessário considerar aspectos complexos da realidade das famílias - históricos , sociais e econômicos - que atravessam e moldam a realidade. Ela convida os profissionais e as famílias acolhedoras a buscarem sempre um escuta ético- política e uma escuta e escrita antirracista.

Confira o vídeo com a oficina completa:

OFICINA –  "Educador, Orientador e Cuidador: Papéis e desafios dos profissionais no cotidiano"

OFICINA – "Educador, Orientador e Cuidador: Papéis e desafios dos profissionais no cotidiano"

No dia 17 de setembro de 2025, o Instituto Fazendo História realizou a quinta oficina presencial do Projeto Formação em Redes, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Instituto Pólis. O encontro teve como tema "Educador, Orientador e Cuidador: Papéis e desafios dos profissionais no cotidiano" e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a participação de Vagner Souza, educador popular e analista institucional. Atuante no Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes desde 2003, já foi educador em SAICA, arte-educador na Fundação Casa, coordenador de Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (SAICA) e, desde 2011, atua como supervisor institucional e formador.

O profissional iniciou o encontro abordando o papel do Estado, da família e da sociedade civil na garantia do cuidado e da proteção integral, conforme preconiza o artigo 4º do ECA, dialogando também sobre aspectos históricos e do cotidiano do serviço.

Um ponto destacado pelo convidado foi: quais dispositivos podemos criar para garantir espaços de diálogo? Embora não exista um lugar perfeito, é essencial assegurar um espaço onde crianças e adolescentes possam se expressar e compartilhar suas experiências.

Vagner compartilhou uma experiência prática: toda segunda-feira à tarde era realizada uma assembleia. Não se tratava de decisão por voto, mas pelo desgaste do argumento. Com o tempo, os adolescentes perceberam que os adultos acabavam ganhando os debates. Então, começaram a organizar sua própria assembleia aos domingos, chegando na segunda-feira mais confiantes e com argumentos fortalecidos.

Por fim, um desafio apresentado por Vagner é que, embora existam propostas para crianças e a Política da Primeira Infância, e isso é importante, isso não ocorre com os adolescentes de forma sistemática, muitas vezes os adolescentes são vistos apenas como “o problema”. É fundamental mudar essa perspectiva.

Confira o vídeo com a oficina completa:

Projeto "História e Acolhimento" - Serviços Selecionados

Projeto "História e Acolhimento" - Serviços Selecionados

É com imensa alegria que o Instituto Fazendo História divulga o resultado do processo de seleção dos serviços de acolhimento para crianças e adolescentes da Região Administrativa de Campinas (SP), que passam a integrar o Programa Fazendo Minha História

OFICINA – Cartografia dos afetos: O pertencimento de crianças e adolescentes ao território

OFICINA – Cartografia dos afetos: O pertencimento de crianças e adolescentes ao território

No dia 27 de agosto de 2025, o Instituto Fazendo História realizou a quinta oficina presencial do Projeto Formação em Redes, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Instituto Pólis. O encontro teve como tema “Cartografia dos afetos: o pertencimento de crianças e adolescentes ao território” e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, Rede Socioassistencial e Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a participação de Sidnei das Neves, Psicólogo, Terapeuta Comunitário e Gerente do SPVV Claret II Brasilândia/Freguesia do Ó. Atua na área social dentro do Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes, propondo discussões sobre as múltiplas violências que esse público e seus familiares/responsáveis vivenciam, testemunham ou presenciam em territórios de extrema vulnerabilidade. Atua também no território de Vila Brasilândia, como articulador e produtor cultural, sendo um dos fundadores do Sarau da Brasa, coletivo que existe há 17 anos no bairro, contribuindo para que as expressões culturais e artísticas dos moradores do território tenham espaço, visibilidade e oportunidade de desenvolvimento.

O profissional iniciou o encontro com a provocação: “Qual é o meu lugar?” Em seguida, propôs uma atividade em que os participantes precisavam escolher o ponto mais desconfortável do ambiente para sentar. Prosseguindo, perguntou aos presentes: “O que é afeto?” As respostas incluíram: amor, cuidado, vínculo, raiva, violência, elementos que nos afetam e nos atravessam.

Em continuidade, Sidnei pontuou a correlação entre o lugar onde crescemos e o afeto: ao pensarmos naquilo que amamos, os lugares costumam estar presentes na memória. Mencionou também o símbolo Sankofa, que significa olhar para trás para seguir adiante, enfatizando que muitas das crianças e adolescentes atendidos desconhecem sua origem.

A partir dessas reflexões, Sidnei ressaltou que o território faz parte da construção de identidade e da nossa constituição enquanto sujeitos. O lugar ao qual pertencemos pode gerar sentimentos de insegurança, inferioridade, medo, vulnerabilidade e vergonha, consequência do racismo e da violência estrutural que permeiam esses espaços.

Por fim, o profissional reforçou a importância da construção de estratégias que promovam a vinculação de crianças e adolescentes ao território em que estão inseridos, a partir das potencialidades e das produções artísticas e culturais locais. Alertou para o risco de reduzir o território às narrativas impostas a ele e salientou que, para a construção de mapas de afetos, é necessário acolher as angústias e as lembranças dolorosas das crianças, adolescentes e famílias atendidas.

Confira o vídeo com a oficina completa:

OFICINA – Motivo do acolhimento: Discutindo o conceito de negligência

OFICINA – Motivo do acolhimento: Discutindo o conceito de negligência

No dia 16 de julho de 2025, o Instituto Fazendo História realizou a quarta oficina presencial do Projeto Formação em Redes, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Instituto Pólis, com o tema "Motivo do acolhimento: Discutindo o conceito de negligência". O encontro foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento e Rede Socioassistencial e do Sistema de Garantia de Direitos da Cidade de São Paulo.

A oficina contou com a participação de Thais Berberian, que possui Graduação e Mestrado em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, experiência profissional na política de saúde e na área sociojurídica e trabalha atualmente como assistente social pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

A convidada trouxe provocações importantes sobre o conceito de negligência, especialmente no contexto dos casos de acolhimento de crianças e adolescentes. Uma das reflexões centrais foi a forma como o termo tem sido utilizado, muitas vezes como sinônimo de pobreza, o que é preocupante. A negligência precisa ser compreendida como um fenômeno complexo, que não se limita às práticas internas das famílias. É necessário olhar para as famílias com os atravessamentos dos fatores sociais, econômicos, ausência de acessos , políticos e culturais.

Thais apresentou uma reflexão que convida a perguntar: a quem serve o uso recorrente do termo “negligente”? É preciso atenção ao modo como ele pode reforçar estigmas e responsabilizar exclusivamente as famílias, desconsiderando os contextos de desigualdade e desproteção social em que estão inseridas.

Nesse cenário, a escrita dos relatórios assume um papel central,  pois tem o poder de abrir caminhos ou fechar portas. Por isso, é fundamental que essa escrita seja ética, crítica e comprometida com a complexidade da realidade vivida pelas crianças, adolescentes e suas famílias.

 Confira o vídeo com a oficina completa:

OFICINA – O direito do Brincar para crianças e adolescentes

OFICINA – O direito do Brincar para crianças e adolescentes

No dia 21 de maio de 2025, o Instituto Fazendo História realizou a segunda oficina presencial do Projeto Formação em Rede, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Instituto Pólis. Com o tema "O Direito do Brincar para Crianças e Adolescentes", o encontro foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, bem como a outros profissionais da Rede Socioassistencial e do Sistema de Garantia de Direitos da Cidade de São Paulo. 

A oficina contou com a participação de Mineia Oliveira – do Brincando na Kebrada – mulher preta, nordestina, mãe solo , periférica , ativista comunitária, ludo educadora, produtora cultural, formação acadêmica em Pedagogia pelo Instituto Singularidades, idealizadora do coletivo Brincando na Kebrada e pesquisadora de diversos brincares, com foco nas brincadeiras africanas e afro-brasileiras.

A convidada compartilhou as propostas que o Coletivo  Brincando na Kebrada utiliza  para garantir o direito do brincar com crianças e adolescentes no território e que podem ser utilizadas  como inspiração para os Serviços, além de promover o resgate do brincar e como os adultos precisam se reconectar com o brincar para que não seja visto como privilégio. Mineia apresentou estratégias para que os participantes da oficina pudessem produzir brinquedos de material reciclável, os brinquedos produzidos durante a oficina foram distribuídos entre os serviços.

Os participantes  puderam interagir com diversos brinquedos, tiveram brincadeiras de rodas,  partilharam memórias do brincar e outros tiveram a chance de conhecer algumas brincadeiras que até então desconheciam.  O espaço foi tomado por gargalhadas dos participantes e com  profundas reflexões sobre como o brincar é um direito e universal, e que como sociedade  devemos pensar em colocar o brincar na agenda como política pública. 

Confira o vídeo com a oficina completa: 

OFICINA – PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO: DESAFIOS PARA SUA EFETIVAÇÃO

OFICINA – PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO: DESAFIOS PARA SUA EFETIVAÇÃO

No dia 16 de junho de 2025, o Instituto Fazendo História realizou a terceira oficina presencial do Projeto Formação em Redes, com o apoio do FUMCAD (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente), no Instituto Pólis. O encontro teve como tema “Projeto Político Pedagógico: Desafios para sua efetivação” e foi direcionado aos profissionais que atuam nos Serviços de Acolhimento, além de outros trabalhadores da Rede Socioassistencial e do Sistema de Garantia de Direitos da cidade de São Paulo.

A oficina contou com a participação de Célia Silva de Paulo Andrade, psicopedagoga com mais de dez anos de atuação em SAICA (Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes). Célia é dedicada ao desenvolvimento de habilidades para a convivência coletiva e também escritora juvenil, abordando temas que estimulam a cultura de paz e a valorização da vida como base para a evolução.

A convidada iniciou sua fala destacando a importância do Projeto Político Pedagógico (PPP) nos serviços da rede socioassistencial. Embora, muitas vezes, esse tema possa gerar receio entre os profissionais, Célia enfatizou que é fundamental que o documento seja construído com a participação de todos — trabalhadores, crianças, adolescentes e famílias atendidas — e que vá além de uma mera exigência burocrática.

Na sequência, foi proposta uma atividade em grupos, que trouxe três desafios para reflexão:

  1. Qual a história do serviço ao qual você pertence e o que sabe sobre ela?

  2. Como o serviço em que atua organiza suas atividades? A quem esse serviço se destina? O que se busca promover na pessoa atendida?

  3. O que o serviço faz de bom (referência)? O que precisa melhorar? Como promover essas melhorias e mudanças?

A partir dessas questões, Célia ressaltou que conhecer a história da instituição é essencial para a construção do PPP, pois essa história reflete os valores que norteiam a prática, indicando de onde viemos e para onde queremos seguir. Ela também destacou a importância do trabalho coletivo e das discussões em grupo, pois é nesse espaço que se expressa a filosofia do serviço, o reconhecimento das forças do grupo e a identidade da equipe. Além disso, enfatizou a necessidade de garantir espaços participativos, como assembleias, com a presença de crianças, adolescentes e famílias.

Por fim, a profissional reforçou que a construção e revisão do Projeto Político Pedagógico questionam as práticas institucionais, asseguram o olhar cuidadoso para o outro e orientam o grupo na caminhada rumo aos objetivos. O PPP deve conter uma visão de futuro sobre a atuação profissional, bem como os valores, a missão e a visão da instituição.

Confira o vídeo com a oficina completa: