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Reflexões sobre a rotina dos serviços de acolhimento: "Trabalho com famílias"

Reflexões sobre a rotina dos serviços de acolhimento: "Trabalho com famílias"

O Instituto Fazendo História publica periodicamente situações cotidianas dos serviços de acolhimento, para estimular reflexões e a construção de estratégias a partir de critérios técnicos e não pessoais.

As situações apresentadas fazem parte do kit de Formação “Vamos abrir a roda”  e abrangem diferentes temáticas: adolescência, bebês, agressividade e limites, histórias de vida, ritos de passagem, entre outras.

Para pensar! O tema das duas situações de hoje é: Trabalho com famílias

Reflexões sobre a rotina dos serviços de acolhimento: “Sexualidade/ Adolescência”

Reflexões sobre a rotina dos serviços de acolhimento: “Sexualidade/ Adolescência”

O Instituto Fazendo História publica periodicamente situações cotidianas dos serviços de acolhimento, para estimular reflexões e a construção de estratégias a partir de critérios técnicos e não pessoais.

As situações apresentadas fazem parte do kit de Formação “Vamos abrir a roda”  e abrangem diferentes temáticas: adolescência, bebês, agressividade e limites, histórias de vida, ritos de passagem, entre outras.

Para pensar! O tema das duas situações de hoje é: Sexualidade/ Adolescência

Apadrinhamento afetivo: encontros potentes que transformam

Apadrinhamento afetivo: encontros potentes que transformam

Para quem está em um serviço de acolhimento, a espera de voltar ao convívio da família ou de encontrar uma nova, as chances não são todas iguais. Há um grupo de crianças e adolescentes que têm menos probabilidades de encontrar pais adotivos e já não têm chances de voltar para a família de origem. Especialmente para esses, a figura de um padrinho ou madrinha – alguém que possa acompanhá-los de perto no processo de amadurecimento – pode fazer toda a diferença.

Adolescência, autonomia e vulnerabilidade social

Adolescência, autonomia e vulnerabilidade social

Paulo Freire nos diz que para aprender a pensar é necessário aprender a pesquisar, ou seja, é preciso duvidar, se perguntar por quê. E a primeira pergunta que nos fazemos é sobre nós mesmos, o que parece bastante óbvio: quem somos, como nos nomeamos e nos reconhecemos?…

Abrigo é Casa!

Abrigo é Casa!

Combinei com Maria que chegaria em sua casa as 8 horas da manhã. Toco a campainha uns minutos antes do combinado. Quem me atende é sua irmã mais nova, Carla, de 5 anos, com um prato cheio de frutas na mão. Hora do café da manhã...

Trabalho voluntário em serviços de acolhimento: mais ajuda quem transforma

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Trabalho voluntário em serviços de acolhimento: mais ajuda quem transforma

O serviço de acolhimento deve ser um espaço no qual as crianças e os adolescentes se sintam protegidos, cuidados, acolhidos e criem vínculos de confiança que favoreçam o seu desenvolvimento integral e a construção de autonomia nesse período de transição. Estabilidade e tempo de convivência são indispensáveis para que se criem os tão necessários vínculos afetivos.

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Pessoas da comunidade devem ser envolvidas nos cuidados das crianças e adolescentes a partir da parceria com a equipe do serviço de acolhimento em benefício da criança ou do adolescente: em favor de seu crescimento pessoal e do fortalecimento de sua identidade.

Veja abaixo alguns pontos importantes que devem ser considerados para a atividade voluntária qualificada dentro dos serviços de acolhimento:

             - Conhecer a realidade: antes de começar o trabalho, o voluntário precisa conhecer a complexidade e delicadeza do serviço de acolhimento, entender sua função, como funciona e estar ciente de qual será sua contribuição neste cenário.

             - Adoção: o envolvimento a partir de um trabalho voluntário em um serviço de acolhimento não facilita processos de adoção. Se esse for seu interesse, vá até a Vara da Infância e Juventude mais próxima a sua casa e informe-se sobre o processo para entrar no Cadastro Nacional de Adoção.

             - Comprometimento: o voluntário tem um compromisso com o serviço e com as crianças e adolescentes; não pode jamais sumir ou abandonar o trabalho no meio sem considerar os vínculos estabelecidos. O voluntário só deve se comprometer com aquilo que é capaz de cumprir.

             - Formação e supervisão: é preciso ter clareza de que para realizar um trabalho voluntário é necessário planejar considerando e contemplando tudo o que a entrada no serviço pode reverberar. Profissionais da área devem apoiar a ação do início ao fim.

             - Consciência de seu papel: deve-se levar em consideração que o serviço de acolhimento é a casa das crianças e adolescentes e o voluntário é como uma visita. Portanto, não se deve aparecer em qualquer momento do dia sem prévio combinado, nem entrar nos quartos ou cozinha sem um convite.

             - Horários: o voluntário deve cumprir o horário estabelecido, pois assim como em qualquer casa, há uma organização a ser seguida. Mudar de horário sem avisar atrapalha a rotina.

             - O que gera transformação: Para que o trabalho renda efeitos positivos, este deve ser constante e não pontual; o tempo do trabalho é essencial para criar um vínculo estável e de confiança com as crianças e adolescentes.

             - Cuidado com o que fala: o voluntário deve evitar o levantamento de falsas expectativas com as crianças e adolescentes. Ao optar por uma aproximação afetiva com eles, deve agir à altura de seu papel e importância em suas vidas, não repetindo histórias de rupturas.

              - Ações pontuais em datas comemorativas: nessas datas, é comum chegar ao serviço uma quantidade excessiva de presentes e chocolates, muitas vezes produzindo um desafio para o serviço, que precisa realizar um processo de distribuição de tudo, cuidando para que as crianças e adolescentes se sintam protagonistas e não rotulados no lugar de carentes; para que entendam que também têm coisas a oferecer e não apenas receber. É importante que a condição do acolhimento não faça com que as crianças e adolescentes fiquem somente no papel daquele que necessita, a quem tudo falta. Eles podem e devem ser convocadas a oferecer ao mundo aquilo que têm como potência.

              - Doação de coisas usadas: itens que não são mais úteis para você podem ser muito bem aproveitados pelos serviços, se em bom estado. Brinquedos quebrados, roupas rasgadas e livros mofados não são apropriados para ninguém. Coisas assim acabam dando um ar de descuido para o lugar ou criam mais trabalho para o serviço, que precisa encontrar meios de se desfazer destes adequadamente.

              - Festa com voluntários pontuais: se na nossa casa, mesmo para quem é festeiro, a entrada de pessoas estranhas sempre traz um incômodo, por que ali seria diferente? Você já foi numa festa que não conhecia ninguém? Pode até sorrir mas, convenhamos, é difícil curtir de verdade. Agora pense em um monte de festas. É claro que as crianças e adolescentes gostam de se divertir mas, vejamos, o que eles precisam não é de palhaços e pirulitos junto a desconhecidos. Uma criança que vive na rua gosta de receber o trocado do farol mas sabemos que isso mantém a ordem equivocada e não promove as mudanças necessárias. Nos serviços de acolhimento é a mesma coisa: a criança ou adolescente pode até gostar de ganhar presentes de estranhos e de festas cheias de atrativos, mas isso a mantém no papel de carente. É preciso assumi-los como potentes e oferecer oportunidades para que brilhem.

                Aos interessados em se envolver com as crianças e adolescentes acolhidos, sugerimos que participem de um de nossos projetos como voluntário. Caso não possa assumir um compromisso de longo prazo, procure organizações que oferecem oportunidades de trabalho voluntário qualificado.

 

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Acolhimento familiar – por um trabalho individualizado e afetivo

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Acolhimento familiar – por um trabalho individualizado e afetivo

Família Acolhedora é uma das modalidades de serviço de acolhimento previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente e indicada, nesta lei e por especialistas, como prioritária em relação ao acolhimento institucional. Apesar disso, no Brasil, 96% das crianças e adolescentes acolhidas estão em instituições e apenas 4% em serviços de acolhimento familiar. Frente a este contexto, muitos municípios em todo o país estão realizando discussões sobre o tema e iniciando a implantação de serviços de acolhimento nesta modalidade.

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Em 2016, o Instituto Fazendo História iniciou os acolhimentos em seu serviço de Famílias Acolhedoras, inaugurado em 2015. Unindo-se à campanha Fale Por Mim, liderada pela UNICEF (https://www.youtube.com/watch?v=ShddbB6fn2o) que prevê o fim da institucionalização de bebês, o Instituto optou por acolher a faixa etária de 0 a 2 anos.

O acolhimento da criança em ambiente familiar possibilita e estimula a construção de vínculos afetivos individualizados e um atendimento personalizado, garantindo o desenvolvimento integral da criança nesse período de transição, até que ela retorne para sua família ou, na impossibilidade de isso ocorrer, seja encaminhada para adoção.

Além de executar esse serviço, a equipe do Instituto tem se dedicado a fomentar discussões e formações sobre o tema, tendo participado, em 2016, do Seminário Internacional de Acolhimento Familiar no Panamá e de rodas de conversa no Interior de São Paulo, buscando multiplicar e ampliar essa modalidade de acolhimento no Brasil.

 

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Fazendo História debate acolhimento familiar em seminário no Panamá

Fazendo História debate acolhimento familiar em seminário no Panamá

O Instituto Fazendo História participou recentemente de um seminário que debateu o Acolhimento Familiar e seus desafios nos países da América Latina e Caribe.

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Realizado na Cidade do Panamá pela Relaf (Rede Latinoamericana de Acolhimento Familiar) o seminário recebeu profissionais da Argentina, México, Peru, Chile, Costa Rica, Guatemala, Cuba, Venezuela, Uruguai, Equador e do próprio Panamá que, em três dias de conversas e exposições, trocaram muitas experiências.

Isabel Penteado, coordenadora geral do Instituto, disse que todos os países estão passando por um processo de desinstitucionalização, que reintegra crianças e adolescentes às suas famílias de origem ou encaminham ao acolhimento familiar. “Na maior parte desses países entende-se o encaminhamento para família extensa como acolhimento familiar e trabalham com esses familiares também a partir de formações e acompanhamento sistemático, diferente da forma como essa política esta organizada no Brasil”, conta.

Apesar de cada país ainda estar em um estágio diferente na organização do acolhimento familiar, todos apresentam resultados importantes na diminuição do número de crianças e adolescentes nas instituições e na garantia do direito a convivência familiar e comunitária. A Relaf e a Unicef são grandes impulsoras desse movimento de desinstitucionalização, que começa pelas articulações com governos e passa pela conscientização das organizações e comunidades locais.

No Brasil, por exemplo, grande parte das crianças e adolescentes em situação de acolhimento está em serviços de acolhimento institucionais e uma pequena porcentagem em famílias acolhedoras. Por outro lado, os serviços de acolhimento institucionais têm regras bastante claras para que funcionem, como o número máximo de crianças e adolescentes, mistura de gênero e idades e diferentes profissionais compondo sua equipe profissional. São poucos aqueles que estão muito fora desses padrões, mas sabemos que ainda há muito a caminhar para melhorar a realidade.  

Apesar de visíveis as diferenças, o que se viu no Seminário foram muitas reflexões sobre o melhor interesse das crianças e adolescentes e a construção e fortalecimento de ações para garantir o cumprimento do direito de todas elas à vida familiar e comunitária.

Reflexões sobre a rotina dos serviços de acolhimento:  "adolescência e moradia"

Reflexões sobre a rotina dos serviços de acolhimento: "adolescência e moradia"

A partir de hoje, o Instituto Fazendo História publicará periodicamente situações cotidianas dos serviços de acolhimento, para estimular reflexões e a construção de estratégias a partir de critérios técnicos e não pessoais. As situações apresentadas fazem parte do kit de Formação “Vamos Abrir a Roda” e abrangem diferentes temáticas: adolescência, bebês, agressividade e limites, histórias de vida, ritos de passagem, entre outras.

Para pensar! O tema de hoje é: adolescência.

Ricardo faz 18 anos daqui a dois meses. Estava tudo certo para ele viver em uma República Jovem após sua saída. De repente o adolescente diz que não vai para a República. Sua fala vem nos preocupando muito, pois pensamos no melhor encaminhamento possível para Ricardo. O que fazer? 

A questão que se coloca é se Ricardo foi incluído nas discussões e reflexões sobre seu projeto de moradia pós-acolhimento. Muitas vezes o que os adultos consideram como a melhor opção é diferente do que o jovem considera. Se não houver diálogo com o jovem a tendência ao fracasso do encaminhamento é muito grande.

Será que foi de fato uma escolha de Ricardo este projeto de moradia?

Ricardo teve acesso a outras possibilidades de moradia antes da definição de encaminhamento para a República? É sempre importante considerar que a República é uma alternativa entre outras tantas, como o aluguel de uma casa e o retorno familiar.

Ricardo foi visitar este local com antecedência? Conversou com os moradores de lá? Esclareceu dúvidas? A preparação anterior à saída do serviço é fundamental para aumentar a probabilidade do encaminhamento ser bem sucedido.

Instituto Fazendo História participa de seminário na Áustria

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Instituto Fazendo História participa de seminário na Áustria

No mês de agosto, o Instituto Fazendo História participou do seminário "Together Towards a Better World for Children, Adolescents and Families" (Tradução livre: “Juntos Por um Mundo Melhor para Crianças, Adolescentes e Famílias”), realizado pela ONG FICE, em Viena na Áustria.

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O Congresso reuniu profissionais de mais de 60 países que trabalham com crianças e adolescentes que precisaram ser separados de suas famílias. A psicóloga Manuela Fagundes, técnica do Grupo nÓs (programa do Instituto que trabalha com adolescentes em processo de saída do serviço de acolhimento), foi a representante do Instituto, participando de palestras e workshops que traziam informações, reflexões e experiências de organizações do mundo todo.

Todos falavam em inclusão, inserção familiar e comunitária e desenvolvimento de autonomia como eixos fundamentais do trabalho. Manuela teve a oportunidade de apresentar o Grupo nÓs em uma mesa junto a outras 3 organizações do Brasil. Foram dias de muito aprendizado e inspiração. Novas ideias surgiram para nossos programas e já estamos trabalhando para colocá-las em prática!

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FMH dá palestras na Escola Paulista de Magistratura sobre trabalho com histórias de vida

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FMH dá palestras na Escola Paulista de Magistratura sobre trabalho com histórias de vida

A equipe do Fazendo Minha História realizou 3 palestras direcionadas a técnicos do judiciário e profissionais da rede de acolhimento do Estado de São Paulo. A formação teve como tema a metodologia do programa, que trabalha com o resgate e registro das histórias de vida das crianças e adolescentes em situação de acolhimento.

Assistiram à palestra, presencialmente ou via transmissão online, por volta de 600 técnicos de Varas da Infância e Juventude e de serviços de acolhimento. Além de apresentar os princípios, objetivos e metodologia do Fazendo Minha História, as palestras permitiram aos participantes pensar em maneiras de implementar ações de trabalho com histórias de vida de forma autônoma, em seus municípios.

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A coordenadora do programa, Débora Vigevani, enfatizou as ações que promovem o resgate das histórias de vida das crianças e adolescentes e a preservação de seus vínculos familiares e comunitários. “As crianças que chegam para viver em um serviço de acolhimento por um período precisam ser acolhidas e respeitadas em suas historias. Para isso, devem contar com uma escuta atenta e afetiva de suas angústias e dúvidas, para melhor elaborarem o que se passa com ela e sua família. As crianças têm voz e essa voz deve ser considerada”, pontuou.

Informações e foto: Escola Paulista de Magistratura

 

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Capacitação: "ampliando o olhar sobre as famílias das crianças e adolescentes"

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Capacitação: "ampliando o olhar sobre as famílias das crianças e adolescentes"

No segunda-feira (dia 27 de junho), aconteceu mais uma capacitação do Fazendo Minha História, que contou com 44 participantes. Dessa vez convidamos a especialista Cristina Rocha, psicanalista e supervisora de serviços de acolhimento, para trazer considerações e reflexões sobre o trabalho com famílias. Através dos livros e álbuns, colaboradores têm uma valiosa ferramenta nas mãos para se aproximar de forma acolhedora das famílias, valorizando e registrando nas páginas as versões que constroem sobre suas histórias. Mas que famílias são essas? Que desafios enfrentam? Como acolhê-las? Refletir sobre essas perguntas é fundamental para essa aproximação!

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Para começar, Cristina propôs o seguinte exercício: cada participante deveria escrever em uma folha de papel uma breve descrição sobre a família dos bebês, crianças e adolescentes acolhidos; depois disso as folhas foram recolhidas.

Na sequência todos fecharam os olhos, foram convidados a pensar nas próprias histórias familiares e a relembrar uma cena muito constrangedora que tenham vivido.  Como seria se essa cena fosse divulgada numa rede social? As respostas foram: vergonha; exposição; fraqueza; invasão; constrangimento... Segundo Cristina, quando trabalhamos com as histórias de bebês, crianças e adolescentes que estão nos serviços de acolhimento, lidamos com histórias que foram publicizadas, histórias que passaram a circular no serviço de acolhimento, na comunidade, no judiciário... São histórias que por algum motivo passaram do privado e íntimo para o público. Como será que as famílias se sentem? É possível que se sintam da mesma maneira que os colaboradores.

Qual é a versão da família sobre isso? Que espaços possui para falar a respeito? O olhar que damos às famílias determina a maneira de nos relacionarmos com ela. Por que, como colaboradores, podemos nos propor a escutar histórias difíceis de serem contadas? Segundo os participantes, fazemos isso para: conhecer; ouvir e acolher; reconhecer o indivíduo; reconhecer que tem uma história e se apropriar dela; ajudar a falar e elaborar a própria história; contextualizar; fortalecer o vínculo; aprender a escutar.

Se já fazemos isso tudo com as crianças que participam do projeto, por que não fazer também com as famílias?

Nessa etapa Cristina solicitou que os participantes continuassem a seguinte frase: Família é... As descrições foram: humana; amor; legal; união; acolhimento; base; junção; complexa; vínculo; abrigo; laço; porto seguro; afeto. Em seguida, escreveram: Família de acolhido é... Para a segunda frase as descrições foram: humana; frágil; dividida; desamparo; separação; complicada; dor; sofrida; perda; insegura; rompimento; desestruturada; confusão; afeto; uma família.

Cristina provocou: essas respostas servem para qualquer família? Por que as palavras são tão diferentes quando pensamos nas nossas famílias e nas famílias das crianças que conhecemos e acompanhamos nos abrigos? É possível que o nosso olhar se foque no momento do acolhimento para descrever e olhar as famílias das crianças e adolescentes. Essas palavras descrevem um momento dessas famílias. Mas será que dizem o que elas são de forma mais ampla e aprofundada? As conhecemos em um momento em que a crise é evidente. Mas há um contexto maior, muitas vezes de invisibilidade e precariedade social e nem sempre sabemos o que aconteceu de fato.

O colaborador pode oferecer uma escuta cuidadosa e empática, a fim de permitir que os afetos bons e ruins possam aparecer para serem registrados e elaborados. Na prática o colaborador pode ajudar a montar a árvore genealógica da criança; registrar e valorizar lembranças anteriores ao momento do acolhimento; marcar encontros no dia da visita das famílias para apresentar o álbum e fazer registros. Na impossibilidade desse tipo de encontro é possível fazer perguntas para as crianças e adolescentes buscarem respostas com suas famílias ou em suas memórias.

Muitas vezes o colaborador pode ser aquele que mexe num lago que estava muito calmo e possibilita rever os lugares de cada um dentro do abrigo, dar novas posições às famílias e às crianças. Como ser um olhar que soma? Respeitar as histórias, oferecer um olhar cuidadoso e generoso sem tomar um fato pela história inteira.

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Neste momento da capacitação, Cristina mostrou um trecho do filme “O começo da vida” que mostrava a relação de uma mãe com seu filho. Embora estivessem em um contexto social de risco, a mãe era muito amorosa e cuidadosa com seu bebê. Foi possível refletir que esta mesma situação pode ser descrita de muitas formas. Alguns podem se ater ao espaço físico precário; outros podem se sensibilizar com o a forma carinhosa da mãe se relacionar com seu bebê. Se olharmos atentamente e sem julgamento, nos daremos conta que há muitas versões possíveis para uma mesma história e que elas não se excluem necessariamente.

Para encerrar esse encontro cheio de questionamentos e reflexões, os participantes receberam de volta o que haviam escrito no início sobre as famílias dos acolhidos. E ao serem indagados se mudariam o que escreveram muitos puderam responder que... SIM! Olhares e formas de compreender as famílias puderam se ampliar ao longo da capacitação.

 

Sugestão de materiais

Texto: A “safada” que “abandonou” seu bebê. Eliane Brum (http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/12/opinion/1444657013_446672.html)

Vídeo aula sobre o Trabalho com Famílias (https://vimeo.com/158619093)

Filme: O começo da vida. (Direção: Estela Renner)

TED: O perigo de uma história única (https://www.youtube.com/watch?v=qDovHZVdyVQ)

 

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"Mar de Histórias":  ações de mediação de leitura e outras atividades

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"Mar de Histórias": ações de mediação de leitura e outras atividades

Voltamos a divulgar notícias sobre o projeto “Mar de Histórias”, em desenvolvimento com apoio do MINC e financiamento da Cosmoquímica e Exportadora de Café Guaxupé.

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Desde maio, os serviços de acolhimento participantes vêm se dedicando a pensar e colocar em prática ações regulares de mediação de leitura em sua rotina. Após o 1º seminário, a equipe do FMH visitou cada casa para ajudar a planejar e fortalecer as ações regulares com os livros. Nestas visitas, os técnicos do serviço de acolhimento puderam também esclarecer dúvidas sobre a implementação da metodologia, fortalecendo-se para realizar a gestão do trabalho no dia a dia da casa.

A partir disso, as bibliotecas de cada casa estão sendo montadas; crianças e adolescentes começam a se encantar e valorizar o universo literário; os educadores começam a adotar em sua rotina de trabalho a prática de ler e se relacionar afetivamente com as crianças através de uma boa leitura!   

Paralelamente, os voluntários formados e selecionados para participar do projeto deram início a encontros com os meninos e meninas acolhidos. Através desta relação e do contato prazeroso com os livros, crianças e adolescentes melhoram a compreensão do texto e do mundo, fortalecem seus gostos e preferências, descobrem perguntas e respostas para assuntos da vida, são estimulados a falar de si e de suas histórias, dando novos significados para o vivido no passado e no presente.   

Nos dias 28 e 29 de junho, foi realizado o 2º seminário com os profissionais dos serviços de acolhimento. Seu objetivo foi compartilhar as boas práticas iniciadas em cada abrigo e fortalecer o papel de mediador de leitura entre os participantes, através de novas atividades e reflexões. Neste seminário, retomou-se também o planejamento do “Mar de Histórias”, evento que oferecerá aos frequentadores de algum espaço público próximo ao serviço de acolhimento um contato diferente e descontraído com os livros, através de brincadeiras e mediação de leitura. Trata-se de uma forma de envolver a comunidade, difundir o poder do livro e contribuir com o desenvolvimento do prazer pela leitura. Através de trocas de ideias e de estratégias, cada serviço de acolhimento pôde se inspirar para desenvolver o evento de forma mais envolvente e interessante.

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