Instituto Fazendo História está entre as melhores ONGs do Brasil

Instituto Fazendo História está entre as melhores ONGs do Brasil

O Instituto Fazendo História foi eleito nesta segunda-feira (7) uma das melhores organizações não governamentais do Brasil, segundo o Prêmio Época de Melhores ONGs. Trata-se da primeira edição da #melhoresOngs e é uma iniciativa do Instituto Doar e da Revista Época. 

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Ao todo, mais de 1500 instituições de todas as regiões do Brasil se inscreveram, entre organizações da sociedade civil, institutos e fundações filantrópicas. Foram contempladas pela iniciativa as 100 melhores instituições.

O Instituto Fazendo História, desde 2005, atua para que crianças e adolescentes que precisaram ser separados de suas famílias possam encontrar no acolhimento um momento de reparação afetiva.

Em 2016, foram 1581 crianças e adolescentes atendidos, 1163 profissionais da rede do acolhimento formados, 180 parcerias com serviços de acolhimento, 751 voluntários envolvidos nos nossos programas e mais de 3000 livros foram distribuídos.

"Para o Instituto Fazendo História, ser reconhecido como umas das melhores ONGs do Brasil é ter certeza de que nosso trabalho muda vidas e histórias. É ter certeza de que contribuir com o futuro de crianças e adolescentes em situação de acolhimento é contribuir com o futuro do nosso país. E é para isso que existimos! Queremos continuar trabalhando para que mais crianças e adolescentes possam se fortalecer e construir projetos de vida cheios de potência", disse Isabel Penteado, coordenadora geral do Instituto Fazendo História.

A lista completa de vencedores estará disponível na Época Melhores Ongs, nas bancas a partir de sábado (12).

OFICINA  "Chegadas e partidas: construindo relações acolhedoras e reparadoras."

OFICINA "Chegadas e partidas: construindo relações acolhedoras e reparadoras."

No dia 24 de junho de 2017 foi realizada a oficina “Chegadas e Partidas: Construindo Relações Acolhedoras e Reparadoras”. O encontro contou com a participação da psicóloga Beatriz Damato, do Instituto 4 Estações e das técnicas Rosângela de Jesus Reis Oliveira e Luciana Souza da Silva que atuam em um SAICA na cidade de São Paulo.

Beatriz iniciou a apresentação mencionando que o abandono corresponde à privação do vínculo afetivo e uma ruptura com a maternagem, que pode ser tanto parcial quanto total. Compreender tal ruptura é importante para que seja possível situar o luto que a criança ou o adolescente vivem quando são acolhidos. Sempre que existe uma coisa perdida, há a possibilidade de vivenciar um luto. A psicóloga citou dois possíveis tipos de luto: 1) luto real e 2) luto simbólico.

Por que o luto acontece?

Nossas experiências e relacionamentos compõem nosso senso de segurança, que é formado pelo mundo que é conhecido, familiar. Este senso não tem relação direta com aspectos qualitativos e é individual (cada um de nós tem um padrão para se sentir seguro). Ao perdermos esta segurança e aquilo que é nossa referência, vivemos um luto geralmente composto por muitas emoções diferentes, que podem ser ambivalentes, conforme a imagem abaixo:

O que a criança ou adolescente perde ao ser acolhido?

            Muitas vezes, os profissionais querem aliviar e sanar a tristeza que as crianças e adolescentes sentem no momento da chegada, mostrando o que eles estão “ganhando” ao estar lá. Para Beatriz, os profissionais costumam ter dificuldade para lidar com a tristeza da criança ou adolescente e não conseguem conversar e ouvir o que sentem; muitas vezes nem sabem que existe um processo de luto sem morte. Também não é incomum que o próprio acolhido negue esse processo de perda. A questão é que ao não validarmos e reconhecermos este luto inicial, a criança ou adolescente pode acabar se isolando na própria dor. A psicóloga mencionou que nos estudos sobre luto, uma das piores situações para se viver acontece quando uma pessoa não tem seu luto validado. Concretamente, ao ser acolhido, a criança ou adolescente perde a convivência com a família, a casa, os brinquedos, as comidas, os cheiros, barulhos, hábitos, o contato com vizinhos e comunidade, a escola que frequentava, os lugares conhecidos, dentre outros aspectos.

Alguns pontos merecem destaque e atenção nos momentos de chegadas nos serviços de acolhimento:

·       Quanto menor a criança, maior a nossa tendência a minimizar a sofrimento: desde os 6 meses de vida, as crianças reagem aos momentos de luto. Mesmo que cognitivamente não compreendam o que está acontecendo, elas têm a percepção. Neste sentido, é equivocada a ideia de que quanto mais nova a criança, menor o sofrimento.

·       Há uma ideia de que quem tem um pouco de contato com a família acaba sofrendo menos. Isso não é verdade.

·       Perdas simbólicas são minimizadas: muitas vezes há uma banalização da perda vivida pelo fato dos profissionais acreditarem que crianças e adolescentes estavam em uma situação pior antes do acolhimento.

 

É importante considerar que a criança ou adolescente que não se adapta a um novo lugar está em processo de luto; a não adaptação pode ser uma tentativa de reaver o que teve antes. Em um primeiro momento, o novo, na perspectiva da criança ou adolescente, pode não ser visto como algo bom e é importante que os profissionais aprendam a decodificar e entender algumas emoções, como apresentadas na figura abaixo:

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No momento de adaptação em um serviço de acolhimento, também podem haver tentativas de fugas e manifestações de comportamentos agressivos. A psicóloga destacou dois padrões comuns de comportamentos: aqueles que “grudam” nos técnicos e educadores e os que são agressivos. Nos dois casos, crianças e adolescentes estão se sentindo muito inseguros. Ainda há também a criança ou adolescente apático, e é fundamental que seja olhado e que se compreenda que pode também estar sofrendo.

Um dos pontos importantes mencionados por Beatriz diz respeito ao fato de só ser possível cuidar quando há uma relação de afeto com o acolhido, sendo que o profissional precisa estar disponível emocionalmente para essa relação. O educador representa um porto seguro para a criança ou adolescente (ainda que o acolhimento tenha um caráter provisório). A partir da relação de confiança estabelecida com este profissional, o acolhido conseguirá quebrar o ciclo de insegurança e acreditará que é possível confiar nas pessoas. Ele poderá perceber que não será abandonado e que é um ser importante e merecedor de amor.

Para que o educador esteja disponível para se vincular com as crianças e adolescentes, é necessário que ele também se cuide a partir de diferentesestratégias, tais como: participar de capacitações, dividir experiências do trabalho, buscar o autoconhecimento e promover o autocuidado.

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Em seguida, falaram Rosângela de Jesus Reis Oliveira e Luciana Souza da Silva, técnicas de uma SAICA na cidade de São Paulo. Para elas, o momento de chegada é muito importante e a preparação deve ser feita com muito respeito, envolvendo quem está chegando no serviço e as crianças e adolescentes já acolhidos. Um dos pontos enfatizados pela dupla é que às vezes pode ficar uma fantasia para quem já estava na casa de que o novo acolhido pode roubar ou tirar o seu lugar. Neste sentido, é importante envolver os moradores para apresentarem a casa (espaços e rotina) aos que estão chegando. Ambas afirmam a necessidade de se compartilhar com os educadores as histórias dos que chegam,  para que possam se preparar para acolher, cuidando da fala e de cada ação realizada.

Outra questão trazida foi a necessidade de se acolher primordialmente pelo contato afetivo e não pelas regras da casa. Para elas, acolher e compartilhar as regras de convivência (modos de relação) não é o mesmo que simplesmente contar sobre as regras de funcionamento da casa. Essas podem ser passadas aos poucos para quem está chegando. Vale cuidar também para não tomar como verdade e se basear unicamente nos relatórios ou históricos das crianças e adolescentes passados por outros serviços, sendo fundamental  buscar refazer o percurso de cada família para compreender melhor o caso.

Em relação às partidas, Rosângela e Luciana destacaram a importância de construir um desacolhimento cuidadoso e tomar cuidado para não criar estereótipos e preconceitos sobre a família da criança ou adolescente que dificultem esse processo. Para elas, não há partida ideal (seja quando a criança retorna para a família biológica ou acaba sendo adotada), sendo necessário que os envolvidos compreendam que no desacolhimento a criança ou adolescente sai da proteção especial e vai pra proteção básica. As técnicas enfatizaram também a importância de haver uma preparação da própria equipe para o momento da partida, já que por motivos variados, esses são momento que costumam mobilizar muitos todos os profissionais que atuam no SAICA.

Ao longo das falas, as profissionais deram diversos exemplos de situações e casos de crianças e adolescentes acolhidos.

ASSISTA AOS VÍDEOS NA ÍNTEGRA:

OFICINA: "Trabalho em Rede: Pela Garantia do Direito à Convivência Familiar e Comunitária

OFICINA: "Trabalho em Rede: Pela Garantia do Direito à Convivência Familiar e Comunitária

   No dia 27 de maio de 2017 foi realizada a oficina “Trabalho em Rede: Pela Garantia do Direito à Convivência Familiar e Comunitária”, que contou com a participação do juiz Eduardo Rezende de Melo e do psicólogo Raul Araújo, que integra a equipe do Programa Formação do Instituto Fazendo História. 
    Raul iniciou a apresentação fazendo um retrospecto da História e dos marcos legislativos relacionados aos direitos das crianças e dos adolescentes no Brasil. O objetivo foi compreender como foi sendo estruturado no país o Sistema de Garantia de Direitos (SGD), destacando que parte da História ainda permanece no funcionamento do SGD, muitas vezes como obstáculo para seu devido funcionamento. O psicólogo ainda pontuou a importância de se fazer uma diferenciação entre a rede (que se estrutura de forma horizontal e se articula positivamente para garantir um direito) e o SGD que tem uma hierarquia com diferentes funções e o devido controle das ações.  
    Em relação aos antecedentes históricos, Raul abordou os diferentes marcos nacionais e internacionais, passando pelas Ordenações Filipinas de 1603 que criou a figura do Juiz de órfãos que tinha a função de tratar das questões de sucessão e de tutela de crianças ricas, mas que no desenvolvimento da História passou a ter outras atribuições. Também mencionou o Contrato de Soldata de 1835, em que crianças pobres poderiam ser entregues a uma família para prestar um serviço doméstico, recebendo uma remuneração por este trabalho. Dentre outras legislações e marcos, Raul ainda abordou a proibição do trabalho infantil no Brasil em 1891, a criação do primeiro Juizado de Menores em 1923, a Declaração de Genebra de 1924, sendo a primeira a conceber a possibilidade das crianças e adolescentes serem sujeitos de direitos, tendo surgido exatamente no contexto do pós 1º Guerra Mundial, em que havia a necessidade de proteção dos órfãos dos pais que morreram durante o conflito. No âmbito internacional, Raul ainda destacou a promulgação da Declaração Universal dos Direitos das Crianças em 1959. No Brasil, em 1927 foi criado o primeiro Código de Menores que estabeleceu a figura do juiz de menor, já em 1942 foi criado o Serviço de Assistência ao Menor e em 1964 passou a existir a FUNABEM. Em 1979, em plena ditadura militar, foi criado o segundo Código de Menores. 
Raul destacou em sua fala que na década de 80 passou a existir nas cidades brasileiras o fenômeno das crianças de rua, havendo uma série de discursos que demonstravam a preocupação com esta situação. Um importante ator neste momento foi o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua que teve a importância de mostrar para a sociedade que as crianças em situação de rua não eram “da rua”, “não surgiam do asfalto”, mas que provinham de famílias com uma série de problemas em relação à moradia, trabalho, geração de renda e que acima de tudo eram sujeitos de direito. Como parte importante do movimento de abertura e democratização do Brasil, a Constituição Federal do Brasil postulou em seu artigo 227 que é “dever da família, do Estado e da sociedade assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. Além da Constituição, Raul ainda mencionou os seguintes eventos e marcos legais:

•    1989 - Convenção Internacional dos Direitos da Criança
•    1990 - ECA
•    1991 - Criação do CONANDA  
•    1992 - Criação do CONDECA  
•    1993 - Lei Orgânica da Assistência Social  
•    1995 - Conferência Nacional das Crianças e dos Adolescentes  
•    1996 - LDB  
•    2000 – Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes
•    2003 – Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil
•    2005 – Sistema Único da Assistência Social
•    2006 – SINASE
•    2006 – Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária
•    2009 – Lei de adoção
•    2012 – Lei do SINASE

     De acordo com o psicólogo, os marcos regulatórios dos últimos 20 anos mudaram o enfoque nas políticas sociais que passaram a ter um caráter universal, como o SUS. Concomitantemente, houve uma mudança na concepção de infância que passou a ser considerada uma fase peculiar do desenvolvimento humano, sendo que crianças e adolescentes passaram a ser considerados sujeitos de direitos. Neste novo cenário, houve uma mudança no papel da sociedade civil em relação ao Estado e às políticas públicas, passando a haver o conceito de participação cidadã e social. A participação implicou em uma forma de fazer controle social e dar espaço e visibilidade às demandas sociais. Houve a criação de canais institucionalizados de participação, como o orçamento participativo; as conferencias municipais, estaduais e federais; as audiências públicas; o Conselho Tutelar e os conselhos gestores das políticas. Também passou a haver um processo de descentralização da esfera federal para a municipal, que passou a contar com mais recursos e responsabilidade na execução das políticas. 
     O ECA por sua vez conta com três grandes mecanismos de participação e controle social: as conferências, os Conselhos Tutelares e Conselhos de Direito. De acordo com o artigo 88 do Estatuto, os Conselhos de Direito são órgãos deliberativos e controladores das ações em todos os níveis, assegurando a participação popular paritária por meio de organizações representativas segundo leis federais, estaduais e municipais. Já o artigo 131 do ECA prevê que o Conselho Tutelar é um órgão permanente a autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos das crianças e dos adolescentes. 
Segundo Raul, um conjunto tão amplo de direitos previstos a partir do ECA não poderia mais estar centralizado em um único ator, como antes era o Juiz de Menor. Neste sentido, vários atores passaram a ser responsáveis pela implementação do Estatuto a partir de uma lógica sistêmica, ou seja, a partir de um Sistema de Garantia de Direitos que se divide em três eixos – 1) defesa, 2) promoção dos direitos e 3) controle e efetivação. Para o palestrante, o sistema é como uma orquestra que tem que tocar uma partitura - o ECA. Dependendo da qualidade dos instrumentos, da habilidade dos músicos e da acústica do local, a orquestra pode tocar mais ou menos afinada. O Sistema de Garantia de Direitos (SGD) depende da articulação desses diferentes atores, que englobam:
 
•    Crianças, adolescentes e suas famílias, que são cidadãos e sujeitos de direitos; 
•    Governos Municipais, Estaduais e Federal;
•    Agentes públicos que executam a políticas públicas (ex. professores, assistentes sociais, etc.);
•    Sistema de Justiça: Ministério Público, Juiz e Defensoria;
•    ONGs, sociedade civil organizada e movimentos sociais de defesa de direitos;
•    Poder legislativo municipal, estadual e federal;
•    Conselho Tutelar;
•    Conselhos de Direitos (municipal, estadual e federal);
•    Polícia.

     Considerando que o foco da oficina foi a importância da rede e o fortalecimento do SGD para garantir um conjunto de direitos, particularmente o direito à convivência familiar e comunitária, o palestrante pontuou a importância de se explorar com mais afinco este direito, postulando que ainda há poucas discussões sobre o significado de se pertencer a um grupo social, incluindo a família e o território. Em um país que constantemente lida com deslocamentos de populações, Raul enfatizou que é fundamental refletir sobre o que significa pertencer a um lugar. O psicólogo elencou alguns questionamentos relacionados a este tema, tais como: em quais casos o acolhimento e a adoção fazem sentido? Quais os casos de acolhimentos inadequados são mais frequentes? Qual é o papel do Conselho Tutelar no acolhimento, bem como do CRAS, CREAS e do Sistema de Justiça? Além disso, quais os dispositivos existentes atualmente para o acolhimento, tais como o abrigo e a família acolhedora?  
     Com o ECA, houve um novo paradigma no acolhimento, que procura manter a convivência com a família de origem ou família extensa. Porém, ainda hoje há uma concepção de que é necessário começar uma nova vida para a criança, virar uma página, sem considerar e respeitar os vínculos que a criança e o/a adolescente possuíam antes do acolhimento, como por exemplo a escola que frequentava. O Plano Nacional de Convivência Família e Comunitária de 2008 trouxe como princípios a centralidade da família nas políticas públicas e a primazia do Estado no fomento de políticas integradas de apoio à família. Houve também a ampliação do conceito de família, focando no fortalecimento da autonomia da criança e do adolescente na elaboração de seu projeto de vida, bem como na garantia da excepcionalidade e provisoriedade do acolhimento, existindo a preferência pelo acolhimento familiar ao acolhimento institucional.

    Raul mencionou ainda que o reordenamento dos serviços de acolhimento familiar não significa uma simples redução no número de crianças e adolescentes previstos em um serviço, mas a importância de trazer o acolhimento para uma nova ordem - a de que a criança e o adolescente são sujeitos de direitos. Eles não estão privados de liberdade como nos antigos orfanatos e possuem direitos sexuais e reprodutivos, moram em uma casa e devem estabelecer relações com os amigos da escola e comunidade. O abrigo deve fomentar esse processo e não se posicionar como um espaço de correção moral. O palestrante ainda mencionou a Lei de Adoção de 2009, considerando novamente a ampliação do conceito de família e primazia da manutenção ou reintegração da criança ou adolescente a sua família em relação a qualquer outra providência. No final de sua fala, Raul mencionou que na maioria das vezes o abrigo procura a rede para garantir serviços, mas na prática muitas políticas públicas são inexistentes, insuficientes ou inadequadas, ou seja, na prática a rede acaba não funcionando como deveria. Como pensar ações para responsabilizar o Estado? Qual o papel do CT, do CREAS/CRAS na articulação da rede e também do MP e do sistema de justiça neste processo de articulação? Essas foram algumas de suas indagações finais. 

     Na segunda parte das apresentações, o juiz Eduardo Rezende de Melo iniciou dizendo que gostaria de falar a partir de dois lugares: 1) como juiz, responsável pelo processo de mudanças que ocorreram no município de São Caetano (quando chegou em 2004 havia três serviços de acolhimento com 70 crianças e atualmente há apenas um serviço com 7 crianças); 2) como membro da coordenadoria da Infância e Juventude do Tribunal, responsável pelo modelo de audiências concentradas que já estava pensando e praticando. Eduardo ainda deixou claro que o conhecimento só serve se for colocado em prática como ferramenta de intervenção. 
Em relação aos casos de acolhimento, Eduardo trouxe alguns dados do IPEA que mostram que 66,4% dos episódios estão relacionados à somatória de pobreza, abandono, vivência de rua, detenção dos pais e orfandade. Muitos fatores estão relacionados a um esgarçamento dos vínculos familiares, ao isolamento social e à falta de estrutura protetiva. O palestrante ainda mencionou o livro da Claudia Fonseca intitulado “Os caminhos da adoção” que mostra como, historicamente, as famílias usavam os serviços de acolhimento para colocarem as crianças e adolescentes em momentos de crise e, depois, os pegavam de volta, evidenciando a maneira como as famílias se apropriavam desses serviços. Sobre o perfil dos acolhidos, os levantamentos apontam que a maioria possui vínculos familiares, sendo que muitos ainda são acolhidos fora dos municípios, sendo que nas grandes cidades há um espalhamento das crianças e adolescentes em regiões distantes do território de origem. Um dado importante é que mais de 50% dos acolhidos permanecem institucionalizados por mais de dois anos e 40% já passaram por acolhimentos anteriores, o que mostra uma falência dos tipos de intervenção existentes.
     Segundo Eduardo, ainda que o ECA tenha trazido diversas medidas de proteção, tais medidas só passaram a existir a partir do momento em que houve a estruturação de serviços. Ainda que Política Nacional de Assistência Social (PNAS) seja de 2004, a tipificação dos serviços socioassistenciais, ou seja, a descrição de como os serviços têm que ser estruturados aconteceu apenas em 2009. Para o palestrante, é possível afirmar que as condições para se proteger as crianças e adolescentes só foram colocadas em prática há 8 anos, havendo uma trajetória de muita fala, mas pouca garantia de direitos e universalização. 
Para o juiz, a política tem que trabalhar na direção contrária ao isolamento social, devendo se pautar na ampliação de rede de pessoas que atendam às demandas e necessidade das famílias. Neste sentido, a política se configura em uma perspectiva sócio- territorial, os serviços devem estar próximos à população. O PNAS também reconhece que o Estado tem um papel fundamental para articular e coordenar a universalização das políticas em torno de um determinado território, porém, na prática os serviços ainda não se organizaram desta maneira.

    Eduardo ainda mencionou que o PNAS postula que os serviços devam estar estruturados de uma forma articulada, em rede. Para que isto seja possível, há algumas estratégias de atuação. A primeira é o estabelecimento de um fluxo que mostram quais os caminhos devem ser percorridos e quais atores devem ser envolvidos para se chegar à garantia de direitos. Uma referência importante é o material que o juiz produziu quando estava à frente da ABMP, que hoje é o Instituto Brasileiro de Direito da Criança e do Adolescente (ver abaixo o link do Caderno de Fluxos Operacionais Sistêmicos).  

www.abmp.org.br/UserFiles/File/caderno_fluxos_operacionais.pdf 

     O palestrante mencionou que apesar da importância dos fluxos, a vida não é linear, sendo mais complexa que um fluxo, havendo a necessidade de articulação dos serviços e um sistema de gestão entre os serviços para o compartilhamento de informações. Eduardo mencionou então um instrumento que segundo ele ainda é pouco utilizado - o Plano Individual Familiar de Atendimento. Em 2012 houve uma parceria do Tribunal de Justiça com a Secretaria de Desenvolvimento do Estado para que houvesse um modelo que trouxesse orientações técnicas para o Plano de Atendimento Familiar (ver link abaixo da publicação que Eduardo mostrou no encontro). 
http://www.desenvolvimentosocial.sp.gov.br/a2sitebox/arquivos/documentos/407.pdf
     Para o juiz, é fundamental que antes do acolhimento seja elaborado um plano de atendimento familiar pelo CRAS e CREAS para o estabelecimento de estratégias preventivas. Segundo ele, os serviços de acolhimento devem solicitar no momento do acolhimento este plano e comunicar ao juiz se não recebeu o documento. Desta maneira, será possível mobilizar o judiciário para pressionar os órgãos da assistência social. Segundo Eduardo, é fundamental que haja o trabalho preventivo já que é muito mais difícil tirar uma criança de um serviço de acolhimento do que institucionalizá-la. 
     Uma outra estratégia que Eduardo mencionou foi a figura do gerente de caso que é muito utilizado nos Estados Unidos e que ele tem utilizado na prática em São Caetano. As famílias ficam extremamente sobrecarregas, são cobradas pelos diferentes serviços e acabam ficando com uma agenda muito complicada – o gerente de caso acaba tendo o papel de coordenar os diversos atendimentos e ajudar a família na organização da agenda. Na prática, o gerente de caso é aquele que vai ajudar a ter uma visão comum em prol da criança e evitar repetições de abordagem nos diferentes serviços. Ex. às vezes as famílias têm que passar por orientação familiar em três lugares. Eduardo questiona o sentido desses diversos atendimento, sendo que poderiam pensar em um atendimento básico comum e depois fazer uma complementação conjunta. Para o juiz, isto é gerenciamento de caso e maximização de Recursos Humanos. 

     Na continuação de sua fala, Eduardo mencionou a importância de determinadas questões relacionadas ao território. Segundo o palestrante, no livro “Caminhos da Adoção”, Claudia Fonseca escreveu sobre a circulação das crianças pelas famílias e serviços e mostrou como a distância dos serviços acabava impactando nos possíveis “caminhos” da adoção. Muitas vezes as crianças podem ir indevidamente para adoção por se considerar que a família não “aderiu” aos requisitos impostos. Eduardo questionou até que ponto as famílias muitas vezes não “aderem” porque as condições de atendimento são “precaríssimas”. Neste sentido, como preservar o vínculo da família com a criança e como se obter suporte? Como exemplo, o palestrante mencionou que ainda há Estados com poucos serviços de acolhimento, sendo que algumas pessoas precisam viajar centenas de quilômetros para visitar o filho/a, muitas vezes sem suporte financeiro para o transporte. O território coloca desafios para a família, mas também para os diferentes profissionais nos seus respectivos equipamentos, incluindo os serviços de acolhimento.

     Para Eduardo, é fundamental que se busque organizar o atendimento de pessoas que residam no território para que seja possível realizar um trabalho em rede, possibilitando a realização de visitas domiciliares, além das próprias visitas das famílias aos filhos. O juiz menciona o quanto as famílias em maior situação de vulnerabilidade social acabam passando pelo que o geógrafo Milton Santos chamou de “desterritorialização de baixo”, ou seja, uma territorialidade insegura, sem acesso aos serviços, resultando em um processo de exclusão. É importante que o território (espaço concreto – chão) possa ser revalorizado e ocupado. 
Ao ampliar o olhar sobre as redes, Eduardo ainda mencionou uma autora italiana chamada San Nicolá que escreveu um livro intitulado “O Trabalho Social e Redes”. Para a autora, há redes primárias formadas pelas pessoas com quem podemos contar (família extensa) e redes secundárias, que são formadas pelos serviços formais, ONGs, econômicas (trabalho), etc. Em relação às redes primárias, Eduardo aponta que as relações sociais formam-se por vínculos de reciprocidade, constituindo sistema de valores, objetivos e recursos. O risco é um fator permanente da vida social, sendo previsível e por isso mesmo, havendo a necessidade de se estabelecer um trabalho de acolchoamento que um indivíduo possa apoiar o outro. Para o palestrante, os sujeitos da rede representam um capital humano e são as redes sociais informais que movimentam os indivíduos para relações coletivas, sendo muito importante coletivizar a responsabilidade sobre a criança e o/a adolescente – não é apenas uma tia, mas quem pode estar junto costurando a rede de suporte para que a criança não acabe sendo acolhida. 
     Na segunda parte da oficina foram realizados debates em subgrupos a partir de um caso distribuído aos participantes. O caso encontra-se descrito abaixo e as discussões foram feitas em relação aos seguintes aspectos: 1) direitos por garantir, ameaças de violação de direito ou direitos violados no caso apresentado; 2) construção de um plano de atendimento tendo como foco a garantia dos direitos; 3) atores que deveriam ser responsáveis pela implementação e monitoramento do plano de atendimento; 4) dispositivos de registro e comunicação que poderiam ser utilizados neste atendimento e 5) barreiras culturais, morais e éticas que podem ser identificadas neste caso.

CASO ROSE

Rose, tem 9 anos, mora com a mãe, Kátia de 29 anos, um irmão, Ronaldo de 9 anos, outro irmão Caíque de 1 ano e 8 meses, a avó de 52 anos e o tio de 27 anos. A casa tem um quarto, sala cozinha e banheiro. No quarto dormem a avó e o tio. Na sala dormem Rose, a mãe e os dois irmãos. Desde que Kátia se separou e passou a morar com a mãe, ela e as crianças dormem na sala. A avó de Rose fica muito desconfortável com essa situação, sempre pergunta quando eles vão desocupar a sala e já disse que por ela Ronaldo e Caíque poderiam ficar.

Rose tem um diagnóstico de retardo mental leve, tem hábito de pegar objetos como lápis, canetas, blusas dos amigos da escola e levar para casa. Rose quando questionada sobre a origem dos objetos diz que foram os amigos que a presentearam. Dá última vez que isso aconteceu ela pegou dinheiro da mochila da amiga e gastou todo o dinheiro em balas na cantina da escola.

Rose e Ronaldo são gêmeos quando os pais se separaram eles tinham 2 anos. Rose foi morar com o pai e Ronaldo permaneceu com a mãe. Rose sofria violências físicas e psicológicas, assim como violência sexual da madrasta. Após uma denúncia anônima, Rose foi encontrada amarrada nua e amordaçada em sua casa. A polícia prendeu o pai e a madrasta em flagrante. 

Há mais ou menos um ano com a prisão do pai e da madrasta, Rose passou a morar com a mãe. Fica nítida a predileção de todos na casa por Ronaldo que é muito bom aluno, passa o dia em frente a TV e não dá trabalho para ninguém. A avó sempre diz que não aguenta a menina, que ela quebra tudo, mexe onde não deve e que puxou a família do pai.
Rose sempre se envolve em brigas com Ronaldo. Por conta da violência que sofreu ela está referenciada em um grupo de crianças do CAPS e no CRAS, também frequenta a Rede Criança. Tem muitas faltas, pois a mãe não consegue levar Rose aos serviços já que trabalha como caixa de supermercado e não pode faltar muito no serviço.

O promotor que já conhece o caso diz que quando a educação não vem do “berço” o sujeito não progride, a família é a base de tudo. O governo também não colabora pois incentiva a promiscuidade distribuindo uma bolsa família para cada filho que a mulher dá a luz. Como consequência, segundo ele, as mulheres saem “abrindo as pernas pra todo mundo”. Elas sabem que o governo vai dar tudo mesmo, bolsa escola, bolsa família, uniforme, comida, moradia. Para ele a única solução é esterilizar essas mulheres promíscuas. Ele diz que Kátia é um bom exemplo dessa situação, família desestruturada, já está no terceiro filho e nem sabe quem é o pai do último.

O segurança do CAPS que mora no mesmo bairro diz que o tio de Rose está envolvido com o tráfico e a mãe se prostituía para ganhar a vida. Ela anda com roupas curtas e tem vários parceiros na comunidade.

Rose, não consegue acompanhar as aulas fica no fundo da classe quase não tem a atenção da professora. Todos acham que é por conta do trauma que sofreu. Sofre bullying do colegas e a escola diz que não tem nada a fazer pois ela já está no  CAPS. Pena que a mãe abandonou a menina e não a leva para o tratamento.

A madrasta continua presa, mas o pai foi solto recentemente pois não teve envolvimento nas violências cometidas contra Rose. De vez em quando manda dinheiro através do tio. Gosta muito da menina e a menina sente muita falta do pai contudo o pai não pode se aproximar da menina pois ele é um dos agressores.

A mãe foi demitida no mês passado por ter muitas faltas no trabalho. Está tendo dificuldades de dar entrada no seguro desemprego pois está sem RG e certidão de nascimento, não consegue tirar uma certidão nova pois sua certidão é de um município pequeno de alagoas e o cartório cobra R$700,00 para tirar uma certidão nova e ela não tem esse dinheiro.

Sexta-feira o conselho foi acionado pela escola, pois Rose estava com um hematoma na testa. Quando perguntada sobre a origem do hematoma Rose disse ter derrubado o irmão de 1 ano e a mãe havia jogado o rádio em sua testa. O Conselho Tutelar conhecendo o caso, diante do histórico de violência e da negligência da mãe em não comparecer nos serviços, acolhe a menina imediatamente. Rose chega aos berros no abrigo dizendo que a mãe é boazinha e que ela quer ir para casa. Resiste entrar no abrigo, segura no portão, chora e grita. O abrigo demora mais de 2 horas para acalmá-la e convencê-la a entrar.

ASSISTA AOS VÍDEOS DA OFICINA:

Crianças adotadas podem ser “devolvidas”?

Crianças adotadas podem ser “devolvidas”?

Quando alguém pensa em adotar uma criança, em geral, sonha com uma família feliz e completa, vivendo momentos de sorrisos e carinho. Quem sonha com um projeto de família raramente inclui nas cenas imaginadas as birras, os confrontos, a desobediência e a bagunça que fazem parte da rotina de pais e filhos (independente se biológicos ou adotivos).

A fase de adaptação da criança em uma nova família pode durar um longo tempo e ser desgastante emocionalmente, demandando paciência, segurança e muito afeto por parte dos adultos. São expectativas e histórias de todos os lados que levam um tempo até se integrar. Infelizmente, por despreparo e/ou falta de um apoio especializado, alguns pais adotivos não suportam este período e a distância entre a família ideal e a real. Em casos extremos, desistem da adoção e a criança volta para o serviço de acolhimento.

A justiça brasileira não reconhece o conceito de “devolução” de uma criança que tenha sido adotada. A adoção é um processo irrevogável e a ideia de devolução seria equivalente ao abandono de um filho biológico. A lei, no entanto, prevê a possibilidade de que uma criança volte ao acolhimento durante o chamado “Estágio de Convivência”, período em que os adotantes têm a guarda provisória da criança.

Na prática, seja na “devolução” ou na restituição, o judiciário acaba instaurando processos de “cancelamento da guarda”, com o intuito de evitar que uma criança permaneça com uma família que não pôde assumir sua função parental. Alguns juízes têm determinado penalidades para a família que não sustenta a adoção, como o pagamento de pensão por danos morais.

Mas, para além das consequências legais, é muito importante pensar nos efeitos emocionais que processos como esses podem causar em todos os envolvidos, especialmente nas crianças, em função da reedição da experiência de ruptura de vínculos e sentimento de rejeição.

A devolução em adoções mal sucedidas é um desfecho extremamente ruim dos conflitos familiares. Considerando que tais conflitos não deixarão de existir, uma saída para tentar evitar situações como essas é investir em um melhor e maior preparo das famílias adotivas para que cumpram adequadamente as funções de cuidado e proteção, entrando em contato e entendendo aspectos muitas vezes pouco refletidos nesse processo. A preparação e o acompanhamento das crianças, bem como a forma como a transição do serviço de acolhimento para a família substituta é conduzida, também são fatores que requerem trabalho extremamente qualificado.

Além disso, o suporte posterior à chegada da criança à nova casa precisa ser estruturado de forma a acompanhar de fato os desafios que são enfrentados por essa nova família. Adoção é uma forma linda de ser família que deve ser muito bem cuidada por todos e para todos!

Você já ouviu falar de Apadrinhamento Afetivo?

Você já ouviu falar de Apadrinhamento Afetivo?

      Desde pequenos e ao longo do nosso desenvolvimento vivemos e convivemos com diversos estilos e organizações familiares: temos a nossa própria família, tem aquela vizinha que tinha um gatinho com quem você brincava depois da escola; tem a família daquele amigo do colégio (a mãe dele sempre deixava vocês ficarem acordados até tarde); tem também a casa da sua tia do coração, onde você passava férias e ela fazia um chocolate quente como ninguém!

      Alguns adultos passaram pela nossa vida e nos ajudaram a construir nossa história e a entrar em contato com coisas novas, gostosas, difíceis ou importantes. A descoberta de um novo bairro, uma companhia para a primeira ida ao ginecologista, uma conversa sobre um, grande erro cometido, a procura pelo primeiro emprego ou um simples momento de estar junto. Convivendo com estas pessoas, ampliamos nossas experiências e exercemos nosso jeito de ser. Com estas pessoas, nos tornamos quem somos hoje!

     As crianças e adolescentes que moram nos serviços de acolhimento e estão afastados de suas famílias, com possibilidades remotas de retorno às suas casas (por diversos motivos), precisam mais ainda de adultos que os acompanhem. Apesar de construírem vínculos com adultos (educadores, técnicos, professores), a maioria destas relações se restringe ao período de acolhimento e ao tempo de trabalho na instituição – afinal, o vínculo construído é fundamentalmente profissional, o que dificulta a continuidade e durabilidade dessa relação. Quando saem do serviço de acolhimento e se lançam na vida adulta, muitos adolescentes se sentem sozinhos e não têm com quem contar para enfrentar os pequenos e os grandes desafios da nova fase de vida.

      O Apadrinhamento Afetivo é um programa que facilita a construção de relações próximas, afetivas e duradouras entre essas crianças e adolescentes com adultos! Estamos falando de um encontro carregado de carinho, vivências, descobertas e cuidado – mas também conflitos, frustrações, altos e baixos. Esse adulto não é e nem vai vir a ser pai ou mãe. Também não terá a guarda da criança, nem se comprometerá com uma contribuição financeira. A intenção não é oferecer uma casa e uma outra família a essas crianças e adolescentes, e sim proporcionar a convivência junto a outras pessoas e em novos ambientes sociais e comunitários. Padrinhos afetivos tornam-se figuras significativas que se comprometem a acompanhar crianças e adolescentes por um longo período de tempo (e, por que não, para sempre?).

      Nós do Instituto Fazendo História, assim como outras organizações sociais, nos responsabilizamos por formar, selecionar e acompanhar pessoas da sociedade civil que se identifiquem com esse projeto e que estejam disponíveis a mergulhar em uma relação de afeto, com compromisso e disponibilidade. Quer se envolver? Procure a organização que desenvolve o Apadrinhamento Afetivo em sua cidade! 

Assista ao nosso recém-lançado vídeo sobre o apadrinhamento:

 

 

Apadrinhamento Afetivo do IFH ganha lindo vídeo

Apadrinhamento Afetivo do IFH ganha lindo vídeo

Conversar, circular pela cidade, curtir um cinema ou estudar: são todas experiências que costumamos ter com adultos próximos a nós durante a infância e adolescência! Mas e aqueles que, por algum motivo, não contam com estas referências?

E se você tivesse a oportunidade de ser esse adulto para alguém?

O vídeo do  Apadrinhamento Afetivo ajuda a entender um pouco mais sobre o programa e mostra como ele pode mudar a vida tanto dos adolescentes atendidos, como também dos próprios padrinhos e madrinhas.

Realização do vídeo

O Instituto Fazendo História agradece imensamente ao Tom Hamburger que dirigiu, montou e produziu o vídeo  e a todos os entrevistados que disponibilizarem alguns minutos do seu tempo para dar lindos depoimentos sobre o que é ser um padrinho ou madrinha afetiva.

OFICINA: "O serviço de acolhimento e as escolas: desafios e possibilidades"

OFICINA: "O serviço de acolhimento e as escolas: desafios e possibilidades"

        O Instituto Fazendo História realizou no dia 29 de abril de 2017 a oficina “O Serviço de Acolhimento e as Escolas: Desafios e Possibilidade”. O encontro contou com as participações da psicóloga do Serviço de Psicologia Escolar da USP, Yara Sayão, da assistente social Miriam Tronnolone e da educadora Sueli Regina Massaro.

         Na abertura do evento, a equipe do SAICA Nosso Lar que fica na Vila Guilhermina, na cidade de São Paulo, expôs uma série de cartazes com as opiniões e percepções das crianças e adolescentes acolhidos sobre a escola. Esta mesma atividade foi realizada em um trabalho que iniciaram em 2015 com a participação das escolas da região e do Juiz para discutir as interfaces e o relacionamento entre as escolas e os abrigos já que diretores, professores e coordenadores desconheciam o trabalho dos serviços de acolhimento e havia muitas confusões sobre o papel de cada um.

         Em seguida, a psicóloga Yara Sayão iniciou a palestra elencando os elementos que são comuns nas funções da escola e dos abrigos, como por exemplo: o aprendizado das crianças e dos adolescentes e o acompanhamento deste aprendizado por parte dos profissionais envolvidos nas duas instituições. Após esta consideração, a psicóloga passou a debater as diferenças existentes entre a família, o SAICA e a escola.  Segundo Yara, não é possível imaginar uma relação de aprendizagem na família que não esteja atravessada por afetos. Já na escola, a criança passa a ter experiências com pessoas diferentes que também trazem aprendizados diferentes. O aprendizado da noção de justiça e de autoridade constituída acontece no espaço escolar, sendo fundamental o próprio processo de convivência com outras crianças e pessoas que configuram novos vínculos e combinados. Para a psicóloga, o ideal é que a relação entre o SAICA e a escola possa ser de complementariedade.

         Yara mencionou o fato de o SAICA carregar consigo uma dualidade: é ao mesmo tempo um espaço público e privado. Destacou a importância do papel de interlocução do educador em um SAICA, especialmente no que diz respeito às histórias de violência sofridas pelos acolhidos. Para ela, a violência física, sexual ou mesmo devido à separação com a família, deixa marcas que podem ou não ser elaboradas, sendo que o educador de um abrigo tem um papel fundamental para que o acolhido não se resuma a esta história violenta. Neste sentido, o educador pode desenvolver atividades terapêuticas, sem que sejam psicoterapêuticas. Yara mencionou ainda que apesar de na política pública o acolhimento institucional estar alocado na Assistência Social, o serviço tem função educativa.

         Quanto à relação com a escola, um dos desafios é a marca que o acolhido carrega por “ser uma criança do abrigo” já que este estigma impede que ele possa ser um aluno como tantos outros. Este fato acontece porque a escola é uma instituição que compartilha os valores do imaginário social baseada em uma ideologia de “compaixão” e “repressão”. O problema é que esta visão acaba colocando muitas vezes o sujeito em um lugar de impotência já que ele/ela acaba se resumindo a um lugar de “coitado”, sendo importante empoderar as crianças do SAICA para se afirmarem de outras maneiras no espaço escolar. Uma das estratégias que pode ser adotada e que deve ser considerada pelos serviços é colocar as crianças e adolescentes em escolas diferentes para que não fiquem com a marca de serem do SAICA. O abrigo também pode abrir espaços para que as crianças possam falar sobre a escola, não apenas sobre o rendimento escolar, mas também sobre possíveis preconceitos. Yara menciona o fato de que aprender é ficar mais forte para enfrentar a vida. e o educador tem um papel importante nesse processo, inclusive para auxiliar a criança a elaborar maneiras diferentes de relacionamento e reação diante de problemas, tais como: “o que poderia ter falado? Como agir em uma próxima vez?”. Além disso, é interessante incentivar a ida de outras crianças da escola ao abrigo para que possam fazer trabalhos juntos ou passarem à tarde como é comum acontecer entre crianças que não estão acolhidas.

         A assistente social Miriam e a educadora Sueli falaram em seguida sobre a experiência do Fórum Regional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (FOCA Pinheiros) e da Rede Regional Intersetorial de Proteção às Crianças e Adolescentes. O Fórum Pinheiros é uma reunião mensal de crianças e adolescentes que têm entre 6 e 15 anos e que frequentam diversos serviços públicos da região para discutir temas de interesse das próprias crianças e adolescentes. Fórum da Criança e do Adolescente (FOCA) de Pinheiros é um espaço democrático de debate e elaboração de propostas de políticas públicas voltadas às crianças e adolescentes na região da subprefeitura de Pinheiros, procurando garantir seus direitos básicos, preconizados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). As primeiras iniciativas ocorreram em 2003 quando moradores, trabalhadores, organizações não governamentais e poder público passaram a se preocupar com a grande quantidade de crianças e adolescentes em situação de rua circulando pelos bairros que compõem o subdistrito de Pinheiros (Itaim Bibi, Jardim Paulista, Pinheiros, e Alto de Pinheiros). Na época, reuniões mensais foram instauradas e passou a haver uma discussão em cima do que poderia ser a solução deste problema.

         O tema foi levado para as Conferências Regionais, Municipais, Estaduais, e Nacionais dos Direitos da Criança e do Adolescente, que são espaços onde se elaboram e se aprovam propostas com o objetivo de influenciar políticas públicas. Atualmente o FOCA tem os seguintes objetivos: 1) favorecer o protagonismo infanto-juvenil e estimular a participação em grêmios ou outras formas de representação, 2) divulgar os direitos das crianças e adolescentes, 3) promover formações sobre temas de interesse das crianças e adolescentes, 4) desenvolver debates/reflexões intersetoriais que favoreçam: análise da realidade; capacidade de identificar e enfrentar situações de preconceito, violência e violação de direitos. Geralmente participam em média entre 60 e 80 crianças e adolescentes, sendo oito encontros mensais acompanhados por um profissional de cada local. Os encontros são lúdicos e utilizam várias linguagens e metodologias como jogos, vivências, vídeos, discussão em grupos, para favorecer a participação das crianças e adolescentes.

         Miriam ilustrou diversas atividades já realizadas pelo Fórum, tais como uma reunião no Instituto Tomie Ohtake para discutir diferenças de classe social e preconceito por meio do Maracatu, a visita a horta na praça das corujas na Vila Madalena que teve como objetivo mostrar a ocupação do espaço urbano, a reunião com o Dom Bosco e o CAMP Pinheiros intitulada “Diga não ao trabalho infantil”, entre outros.

         Já a iniciativa da Rede Regional Intersetorial de Proteção às Crianças começou em 2009 em que houve uma apresentação dos diversos serviços, o trabalho desenvolvido e as principais dificuldades. Com o tempo, outros atores passaram a integrar a rede, como o Conselho Tutelar, as escolas da região, Defensoria Pública, entre outros. Com o tempo, os integrantes da Rede passaram a fazer discussões de caso, o que fortaleceu uma concepção comum sobre o trabalho a ser desenvolvido pelos diferentes setores, sempre tendo como objetivo maior fortalecer as crianças e adolescentes para que deem conta do que vivem. O fortalecimento também acontece com as famílias, e serviços.

         No segundo momento da oficina houve a discussão de perguntas norteadoras para subgrupos e ao final todos os grupos expuseram os pontos debatidos e formularam perguntas para as palestrantes.

ASSISTA AOS VÍDEOS NA ÍNTEGRA:

18 de maio:  Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

18 de maio: Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

Hoje, 18 de maio, é o Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Uma data muito importante para alertar a sociedade sobre necessidade de se combater a violência sexual de crianças e adolescentes no Brasil.

A data foi institutida  pela Lei Federal 9.970/00 e remete a mesma data do ano de 1973, quando a menina de 8 anos Araceli Crespo foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada em Vitória (ES). Apesar da natureza hedionda do crime, seus agressores nunca foram punidos. Por conta da grande repercussão do caso na época, a instituição dessa data representou uma oportunidade de mobilização e sensibilização de toda a sociedade em relação ao tema.

Neste ano, estados, municípios, governo federal e organizações da sociedade civil promoverão nos próximos dias diversas ações, como seminários, passeatas e campanhas de mobilização. 

Em Brasília, a principal atividade será a entrega da 7º edição do Prêmio Neide Castanha, concedido a pessoas ou instituições que se destacaram na defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

A solenidade será realizada nesta quinta-feira (19), às 9h, na Câmara dos Deputados pelo Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, em parceira com o Ministério dos Direitos Humanos. Após a premiação, haverá uma mesa de debates sobre as estratégias para a implantação da Lei 13.431, de 4 abril de 2017, que definiu novos procedimentos de escuta e tomada de depoimentos de crianças e adolescentes vítimas de violência.

E no dia 20 de maio, ocorrerá "Show Pela Vida, Contra a Violência - 17 anos de Mobilização", no Parque da Cidade, a partir das 8h. A programação no local inclui ainda oficinas e apresentações culturais, que serão encerradas com uma revoada de balões pelos céus de Brasília, às 11h45.

Em São Paulo, o Hospital Pérola Byington e a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) realizarão um evento no auditório João Yunes, na própria faculdade. A programação contará com palestrantes que falarão sobre violência sexual infantil, como prevenir e quais as garantias de direitos do sistema; gravidez decorrente de violência sexual entre adolescentes, violação dos direitos humanos, entre outros. O evento começará às 13h, com encerramento previsto para as 18h. As inscrições devem ser feitas pelo e-mail perola18demaio@gmail.com .

Dados sobre a violência:

Em 2016, o Disque 100 recebeu 15.708 denúncias de violência sexual, que é a quarta violação mais denunciada na central telefônica em relação a crianças e adolescentes, atrás de negligência, violência psicológica e física. A maior parte das denúncias é referente aos crimes de abuso sexual (72%) e exploração sexual (20%). As demais ligações estavam relacionadas a outras violações como pornografia infantil, sexting, grooming, exploração sexual no turismo, estupro.

Em relação ao perfil das vítimas, a maior parte delas são meninas (67,69%). Os meninos representam 16,52% das vítimas. Os casos em que o sexo da criança não foi informado totalizaram 15,79%.

Os dados sobre faixa etária mostram que 40% dos casos eram referentes a crianças de 0 a 11 anos. As faixas etárias de 12 a 14 anos e de 15 a 17 anos correspondem, respectivamente, 30,3% e 20,09% das denúncias. Já o perfil do agressor aponta que homens (62,5%) e adultos de 18 a 40 anos (42%) como principais autores dos casos denunciados.

Com informações da Secretaria Nacional de Direitos Humanos e do Observatório do Terceiro Setor

Instituto Fazendo História participa de workshop sobre memória e conflito

Instituto Fazendo História participa de workshop sobre memória e conflito

O Instituto Fazendo História fará uma participação no workshop "Espaços de Memória e Cultura: territórios de conflito", promovido pelo Sesc São Paulo, em parceria com o Museu da Pessoa e com apoio do British Council.

O workshop propõe que organizações culturais e de memória reflitam sobre o desafio de atuar em processos de transformação social, que envolvam diretamente as comunidades além da articulação com governos locais e outras parcerias.

Injustiças, emergências, crises, desastres, reparações são preocupações contemporâneas. Neste sentido, as instituições de memória têm recebido um chamado para ir além da representação do conflito para centrar-se em ações sociais concretas.

Para além da representação mais comum de passados traumáticos (e muitas vezes presente), o workshop aprofundará as formas como as instituições, organizações e grupos sociais lidam com tais temas e discutirá estratégias potenciais para que as instituições possam assumir o papel de mediadoras de conflitos. 

As inscrições poderão ser feitas de 27 de abril a 18 de maio. Os selecionado serão divulgados no dia 31 de maio e as inscrições deverão ser feitas entre 01 e 06 de junho.

O workshop acontece entre 03 a 08 de julho.

Baixe AQUI o Programa completo.

VALORES:
R$ 36,00 - credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 60,00 - pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 120,00 - inteira

Programa Famílias Acolhedoras é tema de reportagem na Revista Vida Natural

Programa Famílias Acolhedoras é tema de reportagem na Revista Vida Natural

O programa Famílias Acolhedoras do Instituto Fazendo História foi tema de uma reportagem na Revista Vida Natural deste mês.

A matéria intitulada "Construa uma história e receba amor" fala sobre a importância do programa para o desenvolvimento das crianças que são acolhidas e fala também do que as famílias acolhedoras ganham participando: ganham muito amor.

Para fazer download da matéria da revista, clique AQUI