Orfanatos não existem!

Orfanatos não existem!

Como assim orfanatos não existem? Onde moram então as "crianças abandonadas"? 
Pois é, precisamos falar sobre Acolhimento Institucional e o histórico do cuidado com crianças e adolescente no nosso país. Assim, poderemos entender por que alguns termos não devem mais ser utilizados nos dias atuais. Vamos lá! 

Até 1990, existiam no Brasil as instituições chamadas orfanatos, reformatórios, internatos, educandários, que eram caracterizadas pelo acolhimento de centenas de crianças em estadia permanente, muitas vezes até completar 18 anos. A rotina e as regras eram rígidas e uniformes, com pouco trabalho a partir das particularidades de cada um. Os funcionários eram chamados monitores ou pajens e tinham como função cuidar da rotina e cuidados básicos, além de controlar e punir desvios. Eram situadas em locais afastados da comunidade e pautadas em um trabalho assistencial e de caridade. Educação, atendimentos de saúde e grande parte das atividades aconteciam dentro de seu espaço, sendo conhecidas como “instituições totais”, que privavam as crianças e adolescentes da inserção comunitária. 

Todas essas características refletiam o momento histórico, o olhar que se tinha para as crianças e adolescentes e, consequentemente, para as famílias pobres. A legislação existente era o Código de Menores, que previa punição para menores vistos como delinquentes e abandonados e não a garantia de direitos. Ao mesmo tempo, existia a ideia de que famílias pobres não tinham condições de cuidar de seus filhos, devendo, portanto, entregá-los aos cuidados do Estado. A maioria das crianças não era órfã, mas estava impossibilitada por algum motivo de conviver com suas famílias. Dessa forma, crianças com diferentes histórias e situações eram acolhidas nestas instituições e vistas como perigosas ou coitadinhas, devendo circular pouco na comunidade e serem “reformadas” a partir da rotina e educação rígidas. 
Neste contexto, os termos utilizados para nomear crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e a instituição de acolhimento eram: orfanatos, crianças carentes, menor, abandonado.

Desde o final da década de 80 muito vinha sendo pensado sobre a forma de lidar e cuidar de crianças e adolescentes separados de suas famílias e com necessidade de acolhimento pelo Estado. Esse movimento culminou na promulgação do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), em 1990, que redesenhou as regras para o acolhimento de crianças e adolescentes, e numa mudança de olhar para a infância e adolescência em situação de vulnerabilidade, pautada no cuidado e na garantia de direitos. Desde então entende-se crianças e adolescentes como sujeitos em uma fase específica do desenvolvimento, com necessidade de cuidados especiais e diferenciados para se desenvolver da melhor forma possível. Devem estar em família e na comunidade, com seus direitos à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária absolutamente assegurados. 

Neste novo contexto e momento histórico, as instituições de antigamente não fazem mais sentido e devem passar por um processo de reordenamento para se adequar aos novos parâmetros. O acolhimento é uma medida de proteção excepcional (último caso!) e provisória (menor tempo possível!), para situações de violação de direitos das crianças e adolescentes. As modalidades de serviços de acolhimento previstas no ECA são: casas lares (10 crianças e adolescentes), abrigo institucional (20 crianças e adolescentes) e família acolhedora (acolhimento na casa de uma família formada e acompanhada para exercer o papel de cuidador temporário). Cada serviço possui uma equipe técnica, com assistentes sociais e psicólogos, que trabalham pela reintegração da criança ou adolescente à sua família de origem ou extensa (em primeiro lugar!) ou o encaminhamento para adoção quando esgotados todos os recursos de retorno à família.

Serviços de acolhimento deixam então de trabalhar pautados em ações assistencialistas e de caridade, tornando-se política pública, com parâmetros a serem seguidos. O trabalho deve ser pautado no olhar para a busca das potências das famílias e de suas crianças e adolescentes, para a transformação de situações de risco e empoderamento de sujeitos, a partir da construção de projetos de vida potentes.

Vale ressaltar que as palavras estão carregadas de significados e reproduzir aquelas que estão ligadas a um contexto antigo reforçam uma visão inadequada, criando estigmas e rótulos. Não existem crianças-carentes, crianças-abandonadas, crianças-órfãs. Existem crianças, existem adolescentes, existem famílias. Existem histórias, realidades, classes sociais, origens, dificuldades e potências, e um trabalho para que todos possam viver em família e na comunidade.

Você sabia que a entrega de uma criança que acaba de nascer - por uma mãe que não pode cuidar dela - não é crime?

Você sabia que a entrega de uma criança que acaba de nascer - por uma mãe que não pode cuidar dela - não é crime?

Você sabia que a entrega de uma criança que acaba de nascer - por uma mãe que não pode cuidar dela - não é crime? Entregar não é abandonar! Se informe mais lendo a publicação 'Política de atenção a gestante', realizada pelo tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e pela Coordenadoria da Infância e Juventude. 

A PUBLICAÇÃO

Cada vez com maior frequência sabe-se de bebês que foram deixados na rua, encontrados no lixo, no meio fio, no terreno baldio, ou ainda, de mulheres que se evadiram do hospital, deixando a criança. Esses casos ganham maior expressão quando são descobertos pela mídia.

Para viabilizar proposta de intervenção junto a essa realidade, constituiu-se uma comissão interinstitucional formada pela Coordenadoria da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo, Secretaria Estadual da Saúde, Secretaria Estadual do Desenvolvimento
Social e Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo. A comissão discutiu a necessidade de criar parâmetros de atendimento e fluxos interinstitucionais e intersetoriais para melhor
atender a essas mulheres.

Um dos resultados é esta cartilha que você pode ler clicando AQUI

Notícias do projeto "Vivendo A Minha História no Vale do Paraíba", em desenvolvimento com apoio do MinC

Notícias do projeto "Vivendo A Minha História no Vale do Paraíba", em desenvolvimento com apoio do MinC

É com enorme prazer que o programa Fazendo Minha História divulga as primeiras notícias sobre o projeto “Vivendo a Minha História no Vale do Paraíba”, em desenvolvimento com apoio do MINC e financiamento da Exportadora de Café Guaxupé, Editora FTD S/A, Socopa e Banco Paulista.

Os serviços de acolhimento da região do Vale do Paraíba selecionados para serem contemplados pelo projeto são:

  • Acolhimento Institucional para Adolescentes – Jacareí
  • Associação de Pais e Amigos de Adolescentes em Risco (Casa Feminina) – São José dos Campos
  • Associação de Pais e Amigos de Adolescentes em Risco (Casa Masculina) – São José dos Campos
  • Casa Transitória “Maria Silvia Perrota” – Taubaté
  • Cruzada Assistencial Padre João Guimarães (Casa dos Bebês) – São José dos Campos
  • Cruzada Assistencial Padre João Guimarães (Casa das Meninas) – São José dos Campos
  • Cruzada Assistencial Padre João Guimarães (Casa dos Meninos) – São José dos Campos
  • Núcleo Municipal de Acolhimento ao Adolescente – Taubaté
  • Serviço de Acolhimento Institucional Provisório de Crianças – Jacareí

Aguardem notícias!

Equipe Fazendo Minha História

Publicação oferece materiais com informações sobre o desenvolvimento de crianças e adolescentes

Publicação oferece materiais com informações sobre o desenvolvimento de crianças e adolescentes

A Revista Bem Cuidar busca soluções para os desafios do nosso dia a dia, traz posicionamentos políticos, mobiliza a sociedade e aponta caminhos para o cuidado como um direito fundamental.
 
A publicação, de iniciativa da Aldeias Infantis SOS Brasil, tem como sustentação editorial um movimento de organização sociais, gestores públicos, movimentos, acadêmicos e profissionais do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança  e do Adolescente, que contribuem para seu conteúdo. Gratuita, ela também tem como objetivo ser uma ferramenta de reflexão e formação de todos os profissionais que trabalham por um desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens mais saudável, afetuoso, participativo e protetor.

O Instituto Fazendo História, além de já ter tido seu trabalho publicado na revista, é um estusiasta dos demais materiais produzidos!

Faça downloads das edições já publicadas:

Edição 1

Edição 2

Edição 3

Edição 4

 

Entenda a diferença entre "acolhimento familiar" e "adoção"

Entenda a diferença entre "acolhimento familiar" e "adoção"

A reportagem do programa Fantástico, exibida no dia 05 de março, contou a história da mãe que foi separada do filho após denúncias não comprovadas de maus-tratos. O bebê estava prestes a completar um ano quando foi levado para um abrigo e posteriormente encaminhado para Acolhimento Familiar. Atualmente a mãe tenta reverter a guarda do filho adotado pela família acolhedora. A matéria retratou a triste realidade que muitas famílias pobres enfrentam diariamente, em serem culpadas pelo “fracasso” de seus membros. Ressaltamos que, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), pobreza não é motivo para acolhimento e acolhimento familiar não é adoção.

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O que é acolhimento familiar?

Acolhimento Familiar é uma modalidade de acolhimento provisório, prevista no Estatuto da Criança e Adolescente e tida como prioritária ao acolhimento institucional. Acontece em residências de famílias cadastradas selecionadas e formadas por profissionais da área da Infância e Juventude. O acolhimento acontece em ambiente familiar, garantindo a construção de vínculos individualizados e convivência comunitária para crianças ou adolescentes afastados da família biológica por determinação judicial, como medida de proteção excepcional e provisória.

O objetivo prioritário do acolhimento é o retorno da criança e adolescente à família biológica (que podem ser os pais, irmãos ou parentes próximos). Durante o período de afastamento, todos os esforços são empreendidos para que os vínculos com a família biológica sejam mantidos. Os familiares devem receber do Estado acompanhamento psicossocial para auxilio e superação das situações que levaram ao acolhimento. Quando, mesmo após esses esforços, o retorno à família biológica não se mostra possível, a criança é encaminhada para adoção para uma família que esteja devidamente habilitada e inscrita no Cadastro Nacional de Adoção.

O que é adoção?

A adoção é uma medida excepcional, cabível apenas quando verificada a impossibilidade da manutenção da criança ou adolescente na família biológica. Tem como objetivo maior a garantia do direito fundamental que é a convivência familiar e comunitária. É um procedimento legal pelo qual alguém assume como filho, de modo definitivo e irrevogável, uma criança ou adolescente nascido de outra pessoa. Ela é regulamentada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A pessoa interessada em adotar deverá procurar a Vara da Infância e da Juventude que atende a região ou cidade na qual reside. Nesse local, receberá as primeiras orientações quanto às etapas e documentos necessários para a formalização do pedido de inscrição no cadastro de pretendentes à adoção. Este cadastro é nacional e único, sendo que todas as pessoas que desejam adotar entrarão em uma fila. Esta é hoje, no Brasil, a única forma legal de se adotar uma criança ou adolescente. O interessado participará de atividade de orientação psicossocial e jurídica, bem como de avaliações junto à equipe de profissionais da Vara da Infância e Juventude, composta por assistentes sociais e psicólogos. Todos os passos são acompanhados também pelo Ministério Público. Os documentos e as avaliações técnicas que forem produzidos, bem como a opinião do Ministério Público, serão apreciados pelo Juiz, que decidirá pela habilitação ou não dos candidatos ao cadastro.

A família acolhedora pode adotar?

Entendemos que adotar uma criança e ser família acolhedora são projetos distintos. O objetivo maior do acolhimento familiar é a reintegração da criança e toda a equipe do serviço, inclusive a família acolhedora, deverão trabalhar para este fim.  O acolhimento é temporário e excepcional; portanto, assim que a criança ou o adolescente estiver em condições de retornar para sua família, ela será reintegrada. Não sendo possível o retorno, os pais serão destituídos do poder familiar e a criança ou o adolescente será encaminhado para adoção.

O acolhimento familiar é um projeto social, ao passo que a adoção é a realização de um projeto de família. Entendemos que não é recomendado, portanto, que uma pessoa ou casal que esteja cadastrado para a adoção venha se tornar uma família acolhedora. O desejo de construir uma família pode ser conflitante na construção do papel de uma família acolhedora provisória e o  acolhimento familiar não pode competir com as famílias biológicas. Caso se alimente a esperança de que os pais acolhedores possam adotar, há um risco muito grande de não se trabalhar pela reintegração da criança ou do adolescente à sua família de origem, que é o primeiro objetivo a ser buscado quando uma criança ou um adolescente está acolhido. O acolhimento familiar também não é um atalho para a adoção, que tem critérios e requisitos próprios segundo a lei 12.010.

 

Sistematização da oficina: "Adolescência e Autonomia: a experiência do Grupo Nós"

Sistematização da oficina: "Adolescência e Autonomia: a experiência do Grupo Nós"

No dia 18 de fevereiro de 2017, foi realizada a oficina “Adolescência e Autonomia: A Experiência do Grupo nÓs", que contou com a participação do jovem estudante de artes Willian Jonathan e a equipe do Grupo nÓs, Mahyra Costivelli e Marcelo Melissopoulos. Nesta ocasião, foi lançada a sistematização do Programa: “Adolescentes em transição: o trabalho de preparação para a vida autônoma, fora das instituições de acolhimento”.

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Willian Jonathan iniciou o encontro com a realização de uma atividade com os participantes da oficina, em que alguns deles eram vendados e deviam ser conduzidos por outros participantes não vendados em um caminho de obstáculos. Após a atividade, Willian relatou ao grupo as principais dificuldades que experimentou quanto se viu diante da eminência de não poder viver mais em um abrigo.

Segundo Willian, a partir dos 17 anos, a possibilidade de mudança “mexeu muito com o seu emocional”, sendo que passou a ter muito medo do que poderia acontecer com ele, já que conhecia o relato de jovens que tinham ido morar em repúblicas e em outros locais cujas experiências não foram boas. Dentre as dúvidas e questões que abalavam o “seu emocional”, estava o desafio de encontrar uma atividade profissional que se identificasse. Apesar de seu primeiro emprego ter sido no McDonald´s aos 16 anos e de ter trabalhado em diferentes locais, uma das questões que passava constantemente por sua cabeça era em relação ao que realmente gostaria de fazer e como poderia se manter morando sozinho. Assim que saiu do abrigo, Willian conta que foi morar em uma república, mas que a experiência acabou não dando certo porque ele estava muito fechado neste momento da vida.

 Quanto aos fatores que o ajudaram a atravessar este período de transição, o jovem menciona a importância de pessoas e organizações que não desistiram dele. Dentre eles estão os seus padrinhos afetivos com quem atualmente mora e que, segundo ele, são a sua verdadeira família. Além dos padrinhos, alguns educadores do abrigo e os próprios técnicos do Grupo Nós foram fundamentais nesta etapa. Willian ainda acredita que um dos principais aspectos que ajudam os adolescentes no período de saída do abrigo é o afeto dos educadores. Para ele, o “afeto ajuda muito na vida” e a possibilidade de troca com os educadores é fundamental para fortalecer os adolescentes de maneira que se sintam amparados.

 A oficina seguiu com a apresentação do Grupo Nós. Mahyra Costivelli explicou que desde 2009, o Instituto Fazendo História já tinha uma grande preocupação em realizar um trabalho com os adolescentes que estão saindo dos abrigos devido à maioridade, sendo que em 2011 ela e outros técnicos do Instituto começaram a esboçar um projeto específico para essa população.  A proposta inicial era a de uma república que trabalharia de forma gradual a autonomia dos adolescentes, porém, ao apresentar o projeto para os jovens, a equipe percebeu que a proposta não ia de encontro ao que eles queriam. Neste sentido, o Grupo Nós foi reformulado e construído a partir da escuta das opiniões e sugestões dos adolescentes que estavam nos abrigos e que participariam das atividades.

Inicialmente foram definidos os quatro eixos de trabalho e que ainda hoje permanecem enquanto eixos das atividades do programa. São eles: 1) “dinheiro”, devido à importância dos jovens poderem se organizar financeiramente, já que muitos têm dificuldade em controlar os gastos e planejar este aspecto da vida; 2) “cidadania”, criado a partir da constatação de que muitos jovens ao saírem do abrigo sentem que perdem todas as referências conhecidas, sendo fundamental desenvolver outros sentidos de pertencimento, como em relação à própria cidade; 3) “moradia”, porque muitos meninos e meninas acabam não participando do processo de escolha da moradia e não são consultados sobre onde desejam morar ao completarem 18 anos; 4) “trabalho”, já que é muito difícil a construção de um projeto profissional.

Ao relatar todo processo de construção do Grupo Nós, Mahyra esclareceu que ao longo dos seis anos houve vários aprendizados para todos os envolvidos e que a proposta está constantemente sendo revista a partir da experiência e do dia a dia com os adolescentes. Um dos pontos centrais do programa é o trabalho com a autonomia dos adolescentes que fazem escolhas e se responsabilizam por elas, sendo que a equipe tem que aprender a tolerar as próprias frustrações ao longo do processo, já que muitas vezes a escolha do/da adolescente não é necessariamente aquela que o técnico de referência deseja para ele/ela. Outro ponto importante relacionado ao aprendizado foi o fato da equipe do Grupo Nós ter estabelecido metas muito ambiciosas no início do programa e, ao longo do tempo, perceber a importância de estabelecer metas mais realistas que pudessem ser atingidas aos poucos pelos participantes.

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Em relação aos objetivos e metodologia do trabalho, Marcelo Melissopoulos explicou que o Grupo Nós tem como objetivo geral “acompanhar e facilitar o processo de transição de adolescentes em situação de acolhimento para a vida autônoma e inserida na comunidade”. O programa atende jovens a partir dos 16 anos com experiência de acolhimento que são acompanhados por um período de três anos. Todas as ações do programa visam à promoção da autonomia e o protagonismo dosjovens, para que, por ocasião do desligamento dos serviços de acolhimento, tenham possibilidades sólidas de construção e realização de seus projetos de vida. Para tanto, os participantes precisam de relações de respeito e confiança com pessoas que ofereçam suporte consistente e de longo prazo para que desenhem e realizem seus projetos de forma autônoma.

De acordo com Marcelo, no Grupo Nós os adolescentes participam de encontros em grupo com outros jovens que estão em situação semelhante e cada um possui um técnico de referência (adulto). Os encontros individuais com o técnico acontecem a cada 15 dias e visam acompanhar o jovem em todo o seu processo, esclarecendo dúvidas e auxiliando em seu projeto. Já os grupos temáticos, que visam o aprofundamento de um tema de interesse, acontecem com os demais participantes do programa uma vez por mês, bem como as saídas culturais que buscam promover a apropriação da cidade e ampliar as referências culturais dos atendidos. Além dessas atividades, o acompanhamento também é realizado por meio de atendimentos telefônicos e e-mails, havendo um grupo fechado no Facebook, que conecta todos os participantes, havendo informações sobre oportunidades de cursos, trabalho, atividades culturais, fotos das atividades, entre outros.

 Após a explicação sobre a metodologia de trabalho, Marcelo e Mahyra apresentaram o vídeo do programa, disponível pelo link https://www.youtube.com/watch?v=Dphu3Lc3TVo e apresentaram o Portal Nós voltado para os adolescentes atendidos e para os demais adolescentes em serviços de acolhimento
http://nosnomundo.org.br/.
 

1. Atividade em subgrupos

    Na terceira parte da oficina houve quatro estações para discutir boas práticas, desafios e estratégias relacionados aos quatro eixos do Grupo Nós: 1) moradia, 2) dinheiro, 3) trabalho e 4) cidadania. Todos os participantes rodiziaram e participarem dos debates nos quatro subgrupos, havendo uma sistematização final dos debates que foi apresentada para o grupo maior ao final da oficina.

Aqui você encontra os vídeos com a gravação da oficina na íntegra:

 
 
 
 

Trabalho voluntário em serviços de acolhimento: mais ajuda quem transforma

Trabalho voluntário em serviços de acolhimento: mais ajuda quem transforma

O serviço de acolhimento deve ser um espaço no qual as crianças e os adolescentes se sintam protegidos, cuidados, acolhidos e criem vínculos de confiança que favoreçam o seu desenvolvimento integral e a construção de autonomia nesse período de transição. Estabilidade e tempo de convivência são indispensáveis para que se criem os tão necessários vínculos afetivos.

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Pessoas da comunidade devem ser envolvidas nos cuidados das crianças e adolescentes a partir da parceria com a equipe do serviço de acolhimento em benefício da criança ou do adolescente: em favor de seu crescimento pessoal e do fortalecimento de sua identidade.

Veja abaixo alguns pontos importantes que devem ser considerados para a atividade voluntária qualificada dentro dos serviços de acolhimento:

             - Conhecer a realidade: antes de começar o trabalho, o voluntário precisa conhecer a complexidade e delicadeza do serviço de acolhimento, entender sua função, como funciona e estar ciente de qual será sua contribuição neste cenário.

             - Adoção: o envolvimento a partir de um trabalho voluntário em um serviço de acolhimento não facilita processos de adoção. Se esse for seu interesse, vá até a Vara da Infância e Juventude mais próxima a sua casa e informe-se sobre o processo para entrar no Cadastro Nacional de Adoção.

             - Comprometimento: o voluntário tem um compromisso com o serviço e com as crianças e adolescentes; não pode jamais sumir ou abandonar o trabalho no meio sem considerar os vínculos estabelecidos. O voluntário só deve se comprometer com aquilo que é capaz de cumprir.

             - Formação e supervisão: é preciso ter clareza de que para realizar um trabalho voluntário é necessário planejar considerando e contemplando tudo o que a entrada no serviço pode reverberar. Profissionais da área devem apoiar a ação do início ao fim.

             - Consciência de seu papel: deve-se levar em consideração que o serviço de acolhimento é a casa das crianças e adolescentes e o voluntário é como uma visita. Portanto, não se deve aparecer em qualquer momento do dia sem prévio combinado, nem entrar nos quartos ou cozinha sem um convite.

             - Horários: o voluntário deve cumprir o horário estabelecido, pois assim como em qualquer casa, há uma organização a ser seguida. Mudar de horário sem avisar atrapalha a rotina.

             - O que gera transformação: Para que o trabalho renda efeitos positivos, este deve ser constante e não pontual; o tempo do trabalho é essencial para criar um vínculo estável e de confiança com as crianças e adolescentes.

             - Cuidado com o que fala: o voluntário deve evitar o levantamento de falsas expectativas com as crianças e adolescentes. Ao optar por uma aproximação afetiva com eles, deve agir à altura de seu papel e importância em suas vidas, não repetindo histórias de rupturas.

              - Ações pontuais em datas comemorativas: nessas datas, é comum chegar ao serviço uma quantidade excessiva de presentes e chocolates, muitas vezes produzindo um desafio para o serviço, que precisa realizar um processo de distribuição de tudo, cuidando para que as crianças e adolescentes se sintam protagonistas e não rotulados no lugar de carentes; para que entendam que também têm coisas a oferecer e não apenas receber. É importante que a condição do acolhimento não faça com que as crianças e adolescentes fiquem somente no papel daquele que necessita, a quem tudo falta. Eles podem e devem ser convocadas a oferecer ao mundo aquilo que têm como potência.

              - Doação de coisas usadas: itens que não são mais úteis para você podem ser muito bem aproveitados pelos serviços, se em bom estado. Brinquedos quebrados, roupas rasgadas e livros mofados não são apropriados para ninguém. Coisas assim acabam dando um ar de descuido para o lugar ou criam mais trabalho para o serviço, que precisa encontrar meios de se desfazer destes adequadamente.

              - Festa com voluntários pontuais: se na nossa casa, mesmo para quem é festeiro, a entrada de pessoas estranhas sempre traz um incômodo, por que ali seria diferente? Você já foi numa festa que não conhecia ninguém? Pode até sorrir mas, convenhamos, é difícil curtir de verdade. Agora pense em um monte de festas. É claro que as crianças e adolescentes gostam de se divertir mas, vejamos, o que eles precisam não é de palhaços e pirulitos junto a desconhecidos. Uma criança que vive na rua gosta de receber o trocado do farol mas sabemos que isso mantém a ordem equivocada e não promove as mudanças necessárias. Nos serviços de acolhimento é a mesma coisa: a criança ou adolescente pode até gostar de ganhar presentes de estranhos e de festas cheias de atrativos, mas isso a mantém no papel de carente. É preciso assumi-los como potentes e oferecer oportunidades para que brilhem.

                Aos interessados em se envolver com as crianças e adolescentes acolhidos, sugerimos que participem de um de nossos projetos como voluntário. Caso não possa assumir um compromisso de longo prazo, procure organizações que oferecem oportunidades de trabalho voluntário qualificado.

 

Fortalecimento de vínculos familiares é tema de nova publicação do Instituto Fazendo História

Fortalecimento de vínculos familiares é tema de nova publicação do Instituto Fazendo História

"Metodologia de trabalho com histórias de vida na promoção de convivência e fortalecimento de vínculos familiares": este é o nome da nova publicação do Instituto Fazendo História, que nasceu da metodologia do programa Fazendo Minha História.

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Este guia pretende sistematizar e difundir as ações que o Fazendo Minha História criou e utilizou junto a famílias de bebês, crianças e adolescentes que se encontram nos serviços de acolhimento. A presente publicação pretende, através da experiência do Instituto Fazendo História, inspirar profissionais dos serviços de acolhimento, padrinhos, voluntários e outros atores da rede a desenvolverem encontros descontraídos, acolhedores e respeitosos com as famílias dos meninos e meninas acolhidos.

Não se pretende, com essa publicação, esgotar todas as possibilidades de ação com as famílias. Pelo contrário, sabe-se que a rede de acolhimento realiza um trabalho muito mais amplo nesse sentido. No entanto, o Instituto Fazendo História espera que as ideias a seguir possam abrir novos caminhos e ajudar a planejar encontros potentes que fortaleçam a relação entre as crianças, adolescentes e seus familiares.

Leiam, façam o download AQUI e compartilhem!

Servidores da Justiça terão curso on-line sobre adoção e apadrinhamento

Servidores da Justiça terão curso on-line sobre adoção e apadrinhamento

Os servidores do Poder Judiciário de todo país que trabalham com crianças em situação de acolhimento poderão receber treinamento pelo “Programa de formação para os núcleos de preparação para adoção e apadrinhamento afetivo”.

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O projeto é da Organização Não-Governamental (ONG) Aconchego, em parceria com a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente e o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e oferece curso gratuito à distância, em 80 horas, no período de 5 de abril a 31 de maio.

A iniciativa é para aprimorar os conceitos, as diretrizes e a metodologia sobre a preparação para adoção e apadrinhamento afetivo com orientações para a condução de grupos de preparação de adotantes, padrinhos, madrinhas, crianças e adolescentes cadastrados para adoção ou incluídos no Programa de Apadrinhamento Afetivo.

 A psicóloga Maria da Penha Oliveira, coordenadora do programa de apadrinhamento afetivo da ONG Aconchego, disse que muitas comarcas de Justiça não fazem essa preparação de modo adequado ou de modo que promova a reflexão de desejos e da motivação, desmistificando mitos e preconceitos, trabalhando a criança idealizada, entre outros temas.

“Temos conhecimento de que algumas comarcas fazem apenas uma palestra informativa, que para nós pode resultar no maior de todos os males para a criança, que é sua devolução”, diz Penha.

Para Penha de Oliveira, a replicação da metodologia de formação em todo o Brasil possibilita que os profissionais falem a mesma linguagem nessa preparação. “É um fator importante, se pensarmos que, com o Cadastro Nacional da Adoção, os pretendentes podem adotar crianças de outra região que não a sua”, diz.

De acordo com dados do Cadastro Nacional de Crianças Acolhidas (CNCA), da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), estão acolhidas mais de 46 mil crianças com idade entre 0 e 17 anos. Dessas, conforme os dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), 7.201 estão para adoção e as demais em processo de destituição familiar ou em tentativa de reintegração.

Existem no Brasil 3.987 entidades acolhedoras credenciadas junto ao Judiciário.

Apadrinhamento afetivo – O apadrinhamento afetivo é um programa voltado para crianças e adolescentes que vivem em situação de acolhimento ou em famílias acolhedoras, no sentido de promover vínculos afetivos seguros e duradouros entre eles e pessoas da comunidade que se dispõem a ser padrinhos e madrinhas. O padrinho ou a madrinha se torna uma referência na vida da criança, mas não recebe a guarda, pois o guardião continua sendo a instituição de acolhimento. Os padrinhos podem visitar a criança e, mediante autorização e supervisão, realizar passeios e até mesmo viagens com as crianças. 

 Melhorias no cadastro – Ao assumir a Corregedoria Nacional de Justiça, o ministro João Otávio Noronha determinou que fosse realizado, por um grupo de trabalho, um levantamento das condições do sistema, identificação dos principais problemas e posterior reformulação do cadastro. Além do CNA, o grupo – instalado pela Portaria n. 36/2016 (http://www.cnj.jus.br/busca-atos-adm?documento=3226) – também vai avaliar possíveis mudanças relativas ao Cadastro Nacional de Adolescentes em Conflito com a Lei e propor melhorias. Ao longo do ano, a Corregedoria vai promover workshops em diversas regiões do Brasil com todo o sistema de Justiça para debater alterações no cadastro. 

As inscrições podem ser feitas aqui.

(Fonte: Conselho Nacional de Justiça)